Memorável: O Sexto Sentido

M. Night Shyamalan entrega um dos filmes mais surpreendentes da história.

Um garoto é atormentado por espíritos de adultos e crianças que tiveram mortes horríveis e não consegue dormir à noite. Um psicólogo infantil procurará ajudá-lo. Dias antes, o analista levara um tiro de um antigo paciente, que invadira sua casa e ainda estava em estado de choque. A princípio, o psicólogo não acredita no garoto, mas coisas estranhas começam a acontecer. E aos poucos somos levados a um final surpreendente.

Em 1999 chegou aos cinemas O Sexto Sentido, filme esse que tem um dos finais mais incríveis da história. O Sexto Sentido é o segundo filme na carreira de M. Night Shyamalan na direção. Logo depois, Shyamalan ficou requisitado e fez outros ótimos filmes, como Corpo Fechado, A Vila e A Dama na Água.

Com certeza O Sexto Sentido é um dos filmes mais originais dos últimos anos, mas revendo o filme percebemos que M. Night Shyamalan, se inspirou em alguns clássicos do gênero suspense / terror, para ajudar a compor a sua obra.

O filme já começa de maneira misteriosa. A ótima trilha de James Newton Howard vai tocando enquanto os créditos vão entrando… se voltarmos um pouco no tempo, lembraremos do início de O Bebê de Rosemary, um dos clássicos do terror da década de 60… a única diferença é que enquanto a trilha de O Sexto Sentido é muito carregada de mistério, a de O Bebê de Rosemary é uma canção de ninar amedrontadora.

Malcolm: momentos antes de ser morto.

Logo depois dos créditos já colocar o público naquele clima, o filme não tem descanso e já mostra o personagem de Bruce Willis, Malcolm Crowe levando um tiro de um antigo paciente, cena essa, que é tensa e impactante… depois disso, Shyamalan corta para “O Outono Seguinte”… e é aí que está um dos pontos fortes do filme. No “Outono Seguinte”, já temos Malcolm observando Cole; a gente não sabe direito o que aconteceu com ele depois do tiro, pensamos que ele se recuperou… mas no final seremos surpreendidos.

Haley Joel Osment: interpretação brilhante.

Aos poucos o filme vai se desenvolvendo e vamos descobrindo os medos e dramas do personagem Cole, interpretado brilhantemente por Haley Joel Osment. E é com esse personagem que temos mais uma referência a um clássico. Em uma determinada cena, Cole está na cozinha e quando sua mãe chega, os armários estão abertos… cena totalmente inspirada em Poltergeist – O Fenômeno, que também em uma cena na cozinha, quando a mãe chega as cadeiras estão desarrumadas.

Mas Shyamalan é inteligente, e se ele sabe usar essas referências, sabe também criar coisas bem elaboradas. A cena em que a mãe de Cole observa as fotos do filho e vê um facho de luz em todas as fotos perto do garoto, é bem intrigante e muito bem dirigida. Pra completar essa ótima cena, tem ao fundo uma bela trilha do já mencionado James Newton Howard. Outra coisa bem bacana que Shyamalan utilizou foi a cor vermelha em determinadas cenas. O diretor disse que usou essa cor em algumas cenas para indicar qualquer coisa do mundo real que tivesse sido contaminada pelo outro mundo. Ou seja, quem for atento a detalhes, quando se assiste o filme pela segunda vez perderá as contas de quantas vezes Shyamalan utilizou esta cor.

Detalhes: Shyamalan e a cor vermelha.

Mas uma das cenas mais fortes do cinema ficou guardada para a metade do filme. Cole, deitado em uma cama de hospital, conta o seu segredo para Malcolm… a direção do filme é tão bem feita, que não percebemos que Cole está revelando o que aconteceu com Malcolm, e no final quando temos a revelação, conseguimos fazer essa ligação. E nesta cena temos a clássica frase, que sempre ficará no imaginário de cada cinéfilo: “Eu vejo gente morta”… demais! Mesmo satirizada em outros filmes, essa cena não perde o seu poder de impacto.

“Posso te contar um segredo? … Eu vejo gente morta…”

No final do filme temos uma linda interpretação de Toni Collette, quando Cole conta a ela sobre a sua mãe. O choro contido dela, é emocionante. E depois, observamos Malcolm descobrindo que na verdade está morto… nesse momento, quem assiste o filme pela primeira vez, fica boquiaberto.

Osment e Collette: atuações que valeram indicações ao Oscar.

A escalação do elenco chega a surpreender por ter Bruce Willis como protagonista. Acostumado a filmes de ação, Bruce Willis está muito bem, e de longe este é o seu melhor filme. Bruce Willis nunca esteve tão bem em um papel, e entrega uma atuação incrível. Toni Collette que durante todo o filme teve uma atuação no limite com um relacionamento dividido entre o amor, e digamos raiva, com o seu filho. Toni Collette inclusive conseguiu uma indicação ao Oscar de Atriz Coadjuvante. E a maior surpresa foi realmente Haley Joel Osment, atuando que nem gente grande, e de maneira magistral, ele também conseguiu uma indicação ao Oscar. Até o diretor M. Night Shyamalan faz uma ponta… o que depois virou tradição em seus filmes.

O filme ainda tem uma montagem perfeita e uma bela fotografia, que por muitas vezes é bem escura mas que combina perfeitamente com o tom de suspense do filme e a trilha perfeita de James Newton Howard. E não podemos deixar de falar, que a trilha lembra em determinados momento a trilha de O Iluminado, outro clássico do cinema.

O Sexto Sentido foi indicado a seis Oscar’s: Melhor Filme, Direção, Ator Coadjuvante (Haley Joel Osment), Roteiro Original, Atriz Coadjuvante (Toni Collette) e Montagem.

Um filme feito com muito cuidado, e muito bem dirigido transforma O Sexto Sentido em um clássico moderno, e abre as portas de vez para o final surpresa, em que muitos filmes tentaram repetir mais poucos conseguiram ter o mesmo êxito.

Nota: 10,0

The Sixth Sense, 1999. Direção: M. Night Shyamalan. Com: Bruce Willis, Haley Joel Osment, Toni Collette, Olivia Williams, Mischa Barton, Donnie Wahlberg, M. Night Shyamalan. 107 Min. Suspense.

Evilmar S. de Almeida

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