Memorável: Lisbela e o Prisioneiro

Sonhos e paixões: uma típica história de amor.

Lisbela é uma moça que adora ir ao cinema e vive sonhando com os galãs de Hollywood dos filmes que assiste. Leléu é um malandro conquistador, que em meio a uma de suas muitas aventuras chega à cidade de Lisbela. Após se conhecerem eles logo se apaixonam, mas há um problema: Lisbela está noiva. Em meio às dúvidas e aos problemas familiares que a nova paixão desperta, há ainda a presença de um matador que está atrás de Leléu, devido a ele ter se envolvido com sua esposa.

Lisbela: Sonhadora e apaixonada por cinema.

Dirigido por Guel Arraes, Lisbela e o Prisioneiro é um dos filmes mais completos do cinema brasileiro, em termos de atuações, roteiro, direção, trilha sonora, entre outras partes técnicas. Guel Arraes também aproveitou para fazer uma bela homenagem ao cinema, representada pela personagem Lisbela (Débora Falabella) que é apaixonada por cinema e também pelos filmes que Lisbela vê no cinema, em preto e branco e com dublagem um pouco estranha.

Logo no início do filme, a própria Lisbela apresenta todos os personagens e fala como a história vai caminhar. O seu namorado Douglas, pergunta então qual é a graça, já que ela sabe o que vai acontecer. E então, de maneira brilhante, Lisbela responde: “a graça não é saber o que acontece. É saber como acontece e quando acontece…”

Leléu: típico artista de rua brasileiro.

O personagem mais rico do filme, Leléu é a representação de um artista brasileiro, que vai driblando as dificuldades em busca de alguns trocados. Ele também é mostrado como um conquistador barato e prá lá de esperto. Depois de se meter com a mulher de um matador, Leléu escapa para outra cidade e conhece Lisbela. A paixão é imediata. A primeira cena somente entre os dois é fantástica. Lisbela vai misturando o encontro dos dois com cenas do filme que ela acabou de ver. Logo depois, Leléu declama uma poesia linda e o público percebe que o romance está selado e o que resta é torcer para que o final seja feliz.

Declaração dentro do cinema: momento marcante.

A declaração dos dois acontece no cinema. Leléu chega, e se declara, e Lisbela não consegue resistir. A trilha ao fundo da um tom fantástico a cena. Depois, uma sequência de imagens dos dois vai passandoe percebemos que Leléu está bastante animado, e Lisbela se mostra tensa, percebendo que tem a escolha mais difícil para fazer em sua vida.

Muitos fatos ocorrem depois: Inaura, a mulher do matador, encontra Leléu. O matador Frederico encontra Leléu, e ele se despede de Lisbela, já que vai ter que fugir para se livrar do matador. Mas quando Frederico vai assassinar Leléu, a polícia chega, à mando de Lisbela e prende Leléu.

Depois de preso, Leléu recebe a visita de Lisbela no dia de seu casamento. E aí está a cena mais bonita do filme. Carregada de emoção, a cena mostra a química entre os dois personagens, e com a linda música “Você não me ensinou a te esquecer” se torna uma cena perfeita. É difícil segurar a emoção ao final da cena. Guel Arraes foi gênio ao fazer uma cena cheia de sentimentos e sutilesas. Lisbela se afastando das grades da prisão e a música de Caetano Veloso ao fundo e Leléu chorando atrás das grades, me emocionam até hoje.

Marco Nanini: Matador por encomenda.

Como Lisbela avisou no início do filme, a graça era saber como e quando acontece… então, Leléu foge da prisão e dá um fora em Inaura. Ele vai para igreja encontrar Lisbela… Inaura mata Frederico, e Leléu e Lisbela terminam juntos, em um final em que eles até interagem com o público. A cena final, com o público saindo de um cinema, mostra Leléu e Lisbela, sendo o último casal a deixar a sessão… uma maneira muito bonita de terminar o filme.

De um lado, Guel Arraes deu um show na direção, do outro o elenco inteiro arrebentou, mas lógico que os maiores destaques foram a dupla central formada por Selton Mello e Débora Falabella. Ele, foi perfeito alternando momentos de pura comédia de forma brilhante e de dramas de uma forma arrebatadora. Ela, a menina sonhadora é a emoção em pessoa. Marco Nanini interpreta um matador formidável, com um olhar que mostra raiva acima de tudo. Virginia Cavendish e sua Inaura é a sensualidade que toma conta do filme. Bruno Garcia carrega no sotaque carioca e cria um Douglas hilário. O filme ainda tem outros destaques como Tadeu Mello e André Mattos.

André Mattos e Tadeu Mello.

Escrito a quatro mãos (Guel Arraes, Pedro Cardoso, Jorge Furtado e Osman Lins) o roteiro do filme é perfeito apesar dos clichês. A trilha sonora composta por João Falcão e André Moraes trás destaques como Caetano Veloso, Elza Soares, Zéu Britto, Zé Ramalho entre outros… E A montagem também merece destaque, principalmente no final que acontece em várias versões.

Lisbela e o Prisioneiro é um filme que não envelheceu, mesmo assistido várias vezes. É a mostra que o cinema brasileiro com os seus atores carismáticos, pode fazer um filme para ficar no imaginário do povo.

Nota: 10,0

Lisbela e o Prisioneiro, 2003. Direção: Guel Arraes. Com: Selton Mello, Débora Falabella, Virginia Cavendish, Bruno Garcia, Tadeu Mello, André Mattos, Lívia Falcão, Marco Nanini. 108 Min. Comédia Romântica.

Evilmar S. de Almeida

Anúncios

Um pensamento sobre “Memorável: Lisbela e o Prisioneiro

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s