Memorável: A Bruxa de Blair

Medo: jovens perdidos em uma floresta assustadora.

Em outubro de 1994, três estudantes de cinema desapareceram numa floresta perto de Burkittsville, Maryland, enquanto filmavam um documentário… Um ano depois, as filmagens foram encontradas. E esse, é o pontapé inicial de um dos melhores filmes de terror da história do cinema.

Heather, Josh e Michael: viagem sem volta.

O ano de lançamento era 1999. A Bruxa de Blair teve uma campanha de marketing incrível e se tornou um dos filmes mais rentáveis da história. A história foi vendida como verdadeira, e devido a lenda sobre bruxas nos Estados Unidos ser bastante popular, o sucesso foi uma questão de tempo. Para vender a história como verdadeira, o estúdio foi esperto e preparou algumas estratégias, como por exemplo, lançar um documentário com o título A Maldição da Bruxa de Blair, uma semana antes da estréia do filme nos cinemas. O documentário trazia entrevistas com os familiares das “vítimas” e também entrevista um bruxo e focava também em uma série de assassinatos ocorridos na década de 40, onde o assassino confessou que matou 7 crianças porque uma “voz” pediu. Ao final do documentário, era exibido a mensagem: “Sexta-Feira nos cinemas, as filmagens que foram encontradas…”. Imagina a curiosidade de um povo, que gosta de lenda e vê algo desse tipo… Outra coisa bem interessante em termos de estratégia, foi esconder os três protagonistas para que parecessem que estivessem realmente mortos, e sites de banco de dados de cinema como o IMDB até davam eles como mortos… Até cartazes com as fotos dos três, e a palavra DESAPARECIDOS foram utilizados.

Vudus? Coisas estranhas acontecem na floresta.

Mas o marketing não adiantaria de nada se o filme não tivesse qualidade. E os diretores Daniel Myrick e Eduardo Sánchez merecem uma salva de palmas pela maneira como filmaram o filme. Eles simplesmente jogaram os três atores no meio da floresta e passavam bilhetes para eles, com indicações. Alguns bilhetes eram pessoais, os outros não podiam saber. O fato do filme ter sido gravado assim, aumenta o realismo da produção. É incrível a atuação dos atores, que passa da alegria e euforia para o medo, e o terror. Uma das cenas mais tensas, que é o sumiço de Josh foi feita pelo bilhete. Josh recebeu um dizendo que quando os outros dois dormissem dentro da cabana, ele deveria sair. Outras cenas bem acertadas são a que, depois de sumido, Josh grita no meio da floresta (à mando dos próprios diretores), a cena em que gravetos aparecem no meio da floresta, a cena da pilha de pedras, a cena das pancadas na barraca… enfim, tensão é o que não falta. Há, e ainda tem a cena em que Heather acha alguns gravetos e um pedaço da roupa de Josh com sangue e quando ela abre, tem coisas estranhas que parecem ser carne, entranhas… até dente tinha ali. Tem espaço até para cena carregada de emoção, como quando Heather grava um depoimento se desculpando.

À procura de Josh.

O final é bem elaborado, e só entende quem prestou atenção no início do filme, quando eles gravaram entrevistas com os moradores. Apesar do final espetacular, algumas pessoas torceram o nariz para ele, por conta de em nenhum momento aparecer a tal bruxa de Blair… na minha humilde opinião, se a bruxa aparecesse tiraria a genialidade do filme. Para mim, o psicológico onde não sabemos o que está assustando a gente é bem mais aterrorizante do que um ser, perseguindo, algo que possamos ver… O filme brinca com o medo do escuro, o isolamento, o desconhecido e o psicológico. E isso, o torna fantástico. Quem entra na história, tem uma experiência fantástica. Impossível não ficar arrepiado vendo Michael e Heather entrar na casa que eles encontram, e nela ter várias marcas de mãos de crianças nas paredes.

Michael na parede... ótimo final.

O filme teve um orçamento de US$ 60,000… bem baixo comparado a alguns grandes filmes de Hollywood, e arrecadou US$ 140,500 nos Estados Unidos e US$ 108,100 no mundo inteiro, totalizando US$ 248,600… uma das maiores arrecadações da histórias, comparada com o orçamento do filme. No ano seguinte o filme teve uma continuação, horrível diga-se de passagem, e passou longe de chegar perto do sucesso deste grande filme.

A Bruxa de Blair é um filme que vive a muito tempo no imaginário popular, seja pela sua direção inovadora, uma floresta assustadora, as atuações pra lá de reais, ou até a forma como foi filmado e o estilo “hand cam” que foi criado… É um filme que sempre merece ser revisto, e de preferência à noite no escuro… como todos os ótimos filmes de terror.

Nota: 10,0

The Blair Witch Project, 1999. Direção: Daniel Myrick e Eduardo Sánchez. Com: Heather Donahue, Michael C. Williams, Joshua Leonard, Bob Griffin, Jim King, Sandra Sánchez, Ed Swanson, Patrícia Decou, Mark Mason. 80 Min. Terror.

Evilmar S. de Almeida

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Um pensamento sobre “Memorável: A Bruxa de Blair

  1. O filme é muito sinistro mesmo. Ele causa medo como nenhum outro filme conseguiu causar (pelo menos pra mim). Por ter sido filmado à mão e composto por atores inexperientes, passa a sensação de que tudo é real. Muito bom!!

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