Cinema: A Pele Que Habito

Misterioso, Brilhante e Surpreendente

Até onde você iria por uma vingança?

Roberto Ledgard é um conceituado cirurgião plástico, que vive com a filha Norma. Ela possui problemas psicológicos causados pela morte da mãe, que teve o corpo inteiramente queimado após um acidente de carro e, ao ver sua imagem refletida na janela, se suicidou. O médico de Norma acredita que esteja na hora dela tentar a socialização com outras pessoas e, com isso, incentiva que Roberto a leve para sair. Pai e filha vão juntos a um casamento, onde ela conhece Vicente. Eles vão até o jardim da mansão, onde Vicente a estupra. A situação gera um grande trauma em Norma, que passa a acreditar que seu pai a violentou, já que foi ele quem a encontrou desacordada. A partir de então Roberto elabora um plano para se vingar do estuprador.

O diretor Pedro Almodóvar entrega um dos melhores filmes do ano. E para isso, ele transita entre o mistério e a revelação para entregar uma história envolvente e que ao final mostra uma revelação bem elaborada.

Um dos grandes trunfos do filme é a montagem. Almodóvar vai do presente ao passado, e não deixa o filme confuso e vai aos poucos respondendo algumas perguntas que são deixadas na tela. Começar o filme mostrando uma bela mulher que é monitorada em um quarto, é intrigante. Conforme o filme avança, você vai se perguntando quem é, e porque ela está ali trancada. A volta ao passado para mostrar o “quase” estupro da filha, até a captura do estuprador é brilhante, ao casar perfeitamente com a revelação ao final do filme. E ver Antonio Banderas dizendo que realizou uma vaginoplastia no estuprador, é de deixar o público boquiaberto.

Enquanto Almodóvar dirige com maestria, Antonio Banderas da um show como o médico Roberto. Banderas entrega uma atuação centrada e obcecada, perfeita para o personagem. A linda Elena Anaya, também merece destaque. Com um papel bem complicado, a atriz que aparece em algumas cenas nua, e teve de realizar algumas cenas bem fortes, não se intimidou e entregou uma excelente atuação. O elenco de apoio não desaponta, e cada um colabora muito bem com o andamento da história. No quesito técnico, outro banho. Fotografia perfeita, uma bela trilha sonora, e a montagem (já citada) são a cereja deste belo filme.

Surpreente em grande parte, Almodóvar e Banderas entregam um dos melhores filmes do ano, e que merece ser descoberto por cada cinéfilo.

Nota: 9,0

La Piel Que Habito, 2011. Direção: Pedro Almodóvar. Com: Antonio Banderas, Elena Anaya, Marisa Paredes, Jan Cornet, Bianca Suárez, Ana Mena, Eduard Fernández, Susi Sánchez, Fernando Cayo. 117 Min. Drama.

Evilmar S. de Almeida

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