Cinema: Cine Holliúdy

Belezura, Arrumado e Joiado… 

Francisgleydisson e Maria das Graças: Paixão pelo cinema.

Francisgleydisson e Maria das Graças: Paixão pelo cinema.

No interior cearense, em meados dos anos 1970, Francisgleydisson (Edmilson Filho) é um pequeno exibidor que luta para manter sua sala aberta, a despeito da chegada das TVs. Após fracassar em uma cidade, ele e sua família se mudam para o município de Pacatuba, onde encontra uma plateia deveras pitoresca para seus filmes.

Expectativa. Essa é a palavra que mais cercava (e cerca, para quem não viu), o longa Cine Holliúdy. Principalmente para o povo Cearense (inclusive eu, que escrevo essas palavras). O filme tem um trailer que conquista o espectador, fora todo o material de divulgação em redes sociais, e matérias em programas de TV aqui no estado do Ceará. Mas duas perguntas ficavam no ar: Conseguiria o filme manter a qualidade do trailer? Ou seria mais um caso de trailer maior do que o filme?

Felizmente, a resposta é positiva. E sim, o filme mantém a qualidade. Cine Holliúdy não é perfeito, como todo filme tem falhas, mas essas falhas em nada atrapalha o andamento da história. Os destaques mesmo ficam para os pontos positivos, que olha, são muitos.

Ver na tela, dizeres cearenses, é mais do que se divertir. É nos sentirmos dentro da história. Fazendo parte da trajetória de Francisgleydisson. Ouvir coisas como: “ande, tonha“; “cara de chibata“; “leruaite“; “prega rainha” é reconhecer o que estamos vendo. A fotografia do filme é marcante com as imagens do interior do Ceará, além de uma trilha sonora bem bacana, que casa perfeitamente com as
cenas que vemos na tela.

Agora, o destaque principal, fica mesmo para o roteiro. Escrito pelo diretor Halder Gomes, além de todas as “marmotas” cearenses, o roteiro toca em um ponto importante da história, como a chegada da televisão no interior, e assim a possível falência das salas exibidoras de filmes. Esse é o gancho para percebermos que além de ser o seu ganha pão, Francisgleydisson é apaixonado por cinema. E assim ele vai tentando driblar todas as barreiras para conseguir prosseguir com a sua paixão. Halder Gomes também aproveita para mostrar como anda essa situação no estado, já que dos 184 municípios que tem no Ceará, apenas 5 tem cinema. Sendo que um deles, a capital Fortaleza.

Personagens “estribados” (tradução de “ricos”, em cearense… haha), o filme tem muitos. Mas não ricos em dinheiro, e sim em presença de tela. Edmilson Filho que vive Francisgleydisson é o principal, aquele que se “garante“, que chama a responsabilidade pra si, e que na hora H consegue ser desenrolado. Sua esposa Maria das Graças, é interpretada por Miriam Freeland, o alicerce da família. Ela é quem segura as pontas e resolve as coisas quando Francisgleydisson parece sem rumo. O público cearense também vai rir com muitos artistas famosos aqui no estado, como Falcão, Bolachinha, João Netto, Karla Kareninna… entre outros.

No final, Cine Holliúdy ainda deixa no ar uma mensagem positiva: se temos um sonho, devemos acreditar e ter esperança até o fim, porque eles podem se realizar. E é sempre bom, ter esperança.

Nota: 9,0

Cine Holliúdy, 2013. Direção Halder Gomes. Com: Edmilson Filho, Roberto Bomtempo, Miriam Freeland, Karla Karenina, Joel Gomes, Falcão, Bolachinha, João Netto, Fiorella Mattheis. 91 Min. Comédia.

Evilmar S. de Almeida é comentarista de cinema do Claquetes. Instrutor de Informática por profissão e cinéfilo por natureza, é fundador e Editor Chefe do Claquetes desde 2011.

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