Cinema: Diana

Naomi Watts renderia muito mais se o roteiro não fosse fraco.

Naomi Watts renderia muito mais se o roteiro não fosse fraco.

Prestes a se divorciar de Charles, a princesa Diana (Naomi Watts) divide seu tempo entre a solidão da vida no palácio em que vive e os compromissos que possui com diversas entidades beneficentes. Um dia, ao saber que um amigo foi operado às pressas, ela vai até o hospital em que está internado e lá conhece o doutor Hasnat Khan (Naveen Andrews). Diana logo fica encantada pelo fato dele não a tratar como uma princesa, apesar de saber quem ela é. Não demora muito para que iniciem um relacionamento, mantido às escondidas devido ao desejo de Hasnat em ter uma vida reservada.

Bom filme. Apenas isso. Poderia ser muito, mas MUITO melhor. Pena que o roteiro é fraquíssimo. Impossível não ver Diana e não comparar com Um Lugar Chamado Notting Hill… rapaz desconhecido, se apaixona por uma mulher mundialmente famosa, e ambos vão tentar seguir juntos com o relacionamento. O único problema é que o diretor Oliver Hirscbiegel e o roteirista Stephen Jeffreys, não decidiram qual tema abordar direito: se iriam ter foco na Diana que realiza missões humanitárias ao redor do mundo, ou se mostrariam a vida amorosa de Diana. O filme aborda os dois, mas de maneira não muito satisfatória, o que acaba também fazendo com que alguns personagens sejam muito mal aproveitados.

Não pense que o filme é uma biografia de toda a vida da Princesa Diana. O longa aborda uma parte de sua vida, quando ela está perto de se separar do Príncipe Charles. O filme nos apresenta o doutor Hasnat Khan, que é mostrado ao longo do filme como o grande amor da vida de Diana. Mas como todos sabem (não é spoiler, já que é baseado em fatos reais), eles não iram terminar juntos. O doutor paquistanês, não é muito acostumado ao holofotes, e sabemos que aonde Diana vai, os holofotes a seguem. Esse é o grande problema dos dois, mas mesmo assim a película mostra que eles se amavam muito. Nessa parte do filme, temos algumas cenas que beiram as comédias românticas de adolescentes: em determinada cena, Diana, logo após fazer uma faxina (isso mesmo, uma faxina), na casa do seu amado, pega o seu batom, desenha um coração no espelho, e beija o centro do coração. Inclusive, na sessão que eu estava, escutei uma mulher dizer: A Diana parece que tem 15 anos de idade… Pode até ser, mas sabemos que quando estamos apaixonados fazemos esse tipo de coisa mesmo… mas enfim. Falando em Diana fazer faxina, um ponto positivo que o roteiro apresenta, é mostrar uma Diana que não conhecíamos. Uma Diana dona de casa, apaixonada, que sofre com a distância dos filhos (já que ela os vê, uma vez a cada quatro semanas), e que com isso vem a solidão. Talvez por isso, o “desespero” dela de tentar fazer dar certo com o doutor Hasnat Khan. Entretanto, o romance deles gera um problema aqui no filme: os atores Naomi Watts e Naveen Andrews não apresentam uma química muito boa. Outro problema grande, é muito difícil, praticamente impossível, não ver o Naveen e não lembrar imediatamente do personagem Sayid do seriado LOST. Em todos os momentos que o ator é mostrado no filme, o público vai lembrar. E isso prejudica o filme.

Se a escalação de Naveen “Sayid” Andrews não ajudou muito, a escalação de Naomi Watts foi muito acertada. Naomi conseguiu captar alguns trejeitos e sotaques da Princesa Diana, e assim ela é a melhor coisa de se ver no longa. Naomi Watts vem cotada e até certo modo a considero uma favorita ao Oscar de Melhor Atriz, até mesmo por tudo o que ela fez na sua carreira, e aqui ela está muito bem como Diana. Ela só não botou ainda uma mão no Oscar, porque o roteiro do filme é fraco, se fosse melhor, Naomi Watts conseguiria tirar muito mais da sua personagem. O roteiro do filme é tão fraco, que o personagem de Dodi Fayed, que faleceu com Diana, surge do nada no filme, não é bem apresentado, e quando vemos Diana já está com ele… enfim, um roteiro muito equivocado. A montagem do filme também não é boa. Para quê começar o filme mostrando a aglomeração na noite da morte da Princesa Diana? A história é mundialmente conhecida… seria como começar um filme sobre Ayrton Senna mostrando o acidente fatal no GP de Ímola… no meio de tantos erros, a trilha sonora se destaca, e lógico a atuação de Naomi Watts.

Um filme sobre a Princesa Diana, poderia ser bem maior e ser bem melhor… pena que os envolvidos não se interessaram em fazer um filme que ficasse para sempre na memória, sobre a mulher mais famosa do mundo…

Nota: 5,5

Diana, 2013. Direção: Oliver Hirschbiegel. Com: Naomi Watts, Naveen Andrews, Douglas Hodge, Geraldine James, Charles Edwards, Daniel Pirrie, Cas Anvar, Juliet Stevenson. 113 Min. Drama.

Evilmar S. de Almeida é comentarista de cinema do Claquetes. Instrutor de Informática por profissão e cinéfilo por natureza, é fundador e Editor Chefe do Claquetes desde 2011.

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