Cinema: Quando Eu Era Vivo

Mistérios do passando atormentam Júnior e todos ao seu redor.

Mistérios do passando atormentam Júnior e todos ao seu redor.

Chega aos cinemas Quando Eu Era Vivo, filme baseado no livro A Arte de Produzir Efeito Sem Causa de Lourenço Mutarelli, que traz uma mescla de terror e suspense o que não é tão comum no cinema brasileiro.

O filme é dirigido por Marco Dutra, conhecido por dirigir curtas como Um Ramo e O Lençol Branco, nesse novo projeto ele mantém a mesma pegada que seus trabalhos anteriores em que trabalha com suspense e terror criando ótimos momentos, inclusive lembrando clássicos do cinema de terror.

O filme conta a história de Júnior (Marat Descartes), que fica desempregado e a esposa o abandona. Com isso, ele acaba indo morar com o pai (Antonio Fagundes) e a inquilina Bruna (Sandy Leah). Júnior percebe que a casa agora está totalmente diferente do que era quando ele morava lá quando criança, aos poucos vai encontrando e relembrando vários momentos com a sua finada mãe (Helena Albergaria). Tudo isso é o pontapé inicial para uma história que vai nos levar para um passado misterioso que envolve o ocultismo, entre outras coisas.

Um dos acertos de Marco Dutra é transformar a casa em um personagem. Conforme o personagem Júnior vai encontrando e resgatando os objetos deixados pela sua mãe, você vai notando que o clima da casa vai mudando, como se ela estivesse doente. Isso lembra muito O Iluminado e o que acontece no hotel Overlook no filme de Staley Kubrick. Aliás, não é exagero dizer que o personagem Júnior lembra muito o Jack Torrance interpretado por Jack Nicholson. Isso graças a boa atuação de Marat Descartes, seja nos olhares, no modo de andar, nas atitudes tomadas e como ele contracena com todos e com a casa.

Outro acerto fica por conta da figura da mãe que sempre é mostrada em flashbacks ou em fotos. Todas as cenas em que a mãe é relembrada são carregadas por um clima de medo devido à ótima fotografia e as cores utilizadas por Marco Dutra para compor as cenas.

A participação da cantora Sandy também chama a atenção. Com um personagem importante para o andamento da história, ela cumpre bem o que lhe é pedido. Não teve uma atuação espetacular, mas também não comprometeu em momento algum o filme. Pelo contrário, a cantora e atriz até foi uma ótima escolha, já que a sua personagem tem que decifrar algumas músicas deixadas pela mãe de Júnior. Sem falar que Marco Dutra utiliza muito bem a beleza da atriz para compor certas cenas.

O único erro de Marco Dutra foi à forma como o filme terminou. Algumas situações poderiam ter sido feitas de maneira mais clara. O desfecho da personagem Bruna é um bom exemplo. Sabemos o que lhe aconteceu, mas foi forçado porque em nenhum momento do filme a sua personagem mostrava estar lhe acontecendo algo de errado.

Quando Eu Era Vivo é uma ótima pedida neste cinema nacional justamente por arriscar em elementos de suspense e terror e por criar realmente situações assustadoras. É uma agulha no palheiro em um país que dá mais valor à comédias feitas sem nenhum cuidado, que só querem lucrar e que no fim não acrescenta em nada a cultura cinematográfica do Brasil.

Nota 7-5

Quando Eu Era Vivo, 2014. Direção: Marco Dutra. Elenco: Marat Descartes, Antonio Fagundes, Sandy Leah, Helena Albergaria, Gilda Nomacce, Kiko Bertholini, Lourenço Mutarelli, Caetano Gotardo. 110 Min. Terror.

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