Cinema: Leviatã

Leviatã

Leviatã (Leviafan, 2014), dirigido pelo diretor Andrey Zvyagintsev está concorrendo ao Oscar 2015 na categoria de “Melhor filme estrangeiro”. Ganhou diversos festivais e prêmios, entre eles o Festival de Cannes e o Golden Globe Awards.

A história é ambientada na Rússia. Mostra um pai de família que procura ajuda de um amigo de infância que é advogado para que o defendesse, pois os burocratas locais estavam querendo destruir sua casa.

A figura de Leviatã, na bíblia, faz referencia a um monstro que seria o mais poderoso habitante da Terra, citado no livro de Jó 41:18-21. Por outro lado, segundo o cientista político Thomas Hobbes, Leviatã seria a “guerra de todos contra todos” que caracteriza que o ser humano em sua natureza ruim só poderia ser domado por um governo central e autoritário e este governo seria uma espécie de monstro que concentraria todo o poder em si, tomando todas as decisões e ordens.

O filme é uma releitura da historia bíblica de Jó, vemos, também, uma clara referência da opressão feita ora pela Igreja, ora pelo Estado, que são as instituições com os maiores poderes pelo mundo. Percebemos que o diretor Zvyagintsev tentou buscar os aspectos mais sombrios do ambiente Russo para nos passar uma noção de profundidade para que tenhamos um sentimento byronista do local, ou seja, uma angústia inexplicável. O símbolo desse ser místico está nas carcaças de baleia e os destroços de barcos, que representam mais do que um abandono e sim a ambição de crescimento. “É a Rússia como um imenso mausoléu a ídolos mortos, que se multiplica em substituição a todas as coisas vivas.”

Para os adeptos do Cinema Contemporâneo, o filme é uma graciosidade, pois ele se molda muito bem a essa estética. O longa não faz um trabalho profundo sobre os personagens, não ocorre a tão querida “epifania”, a todo o momento esperamos que alguém se revolte e tente mudar o rumo da história, mas isso não acontece, nos filmes de Zvyagintsev o herói não tem vez; Não há ação, por diversas vezes nos deparamos com paisagens que nada contribuem para o roteiro que são bastante exaustivas, como quando o plano é somente o movimento do mar ou carcaças de baleias mortas.

Se por um lado, eu não via a hora do filme acabar por ser enfadonho demais. Por outro, vemos uma crítica muito forte aos Burocratas Russos que usam até mesmo da fé para enganar e persuadir o homem, sendo este passivo sobre qualquer ação. Não me surpreendia em nada se o longa levasse também a estatueta de ouro do Oscar 2015 para casa. Filme peculiar, para pessoas adeptas desse novo cinema! (Não é o meu caso).

Nota 6

Leviafan, 2014. Direção: Andrey Zvyagintsev. Com: Elena Lyadova, Vladimir Vdovichenkov, Aleksey Serebryakov, Roman Madyanov, Kristina Pakarina, Lesya Kudryashova. 140 Min. Drama.

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