Cinema: Livre

Reese se entrega em atuação forte e honesta

Reese se entrega em atuação forte e honesta

Dizem que se algo de bom acontecer, você deve fazer uma viagem para comemorar. Se algo de ruim acontecer, você deve fazer uma viagem para esquecer. No caso de Cheryl Strayed, além de esquecer, a sua viagem serve de renascimento depois de momentos conturbados que teve na vida.

Morte da mãe, drogas, traição e sexo com qualquer um que lhe desse vontade, foram coisas que levaram Cheryl ao fundo do poço. Para renascer, Cheryl resolve fazer uma trilha de 4.200 Km chamada ‘Pacific Crest Trail’, ou como ela mesmo se refere durante todo o filme ‘PCT’. Detalhe, ela resolve fazer a trilha sem ter experiência nenhuma com esse tipo de esporte ou algo similar. Durante toda a caminhada acompanhamos os perigos de que esta mulher passa, como animais, falta de água, ferimentos, perigo de ser atacada e estuprada. Enfim, é como se a trilha fosse um ritual de exorcismo. Exorcismo para que tudo de ruim que aconteceu a esta mulher seja deixado para trás, e ao término uma nova Cheryl renasça.

Reese Wintherspoon encarna Cheryl Strayed. Esqueça a Reese de comédias românticas cheia de clichês. Se em 2005 Reese surpreendeu o mundo no papel de June Carter em Jhonny & June, pelo qual ganhou Globo de Ouro e Oscar, aqui ela está incrível mais uma vez. Reese se entrega de corpo e alma ao papel. Seus olhares entregam desde o medo de uma inexperiente ao se arriscar a fazer uma trilha dessas, como o olhar de vitória ao concluir a trilha. A atriz não se envergonha, realiza cenas de nudez e mostra que a dedicação deve ser total. É Reese mostrando que realmente é atriz capaz de grandes atuações, e não só com as comédias que a deixaram conhecida.

Filmes desse calibre tendem a surpreender mesmo. Impossível de esquecer o fantástico Na Natureza Selvagem, em que Sean Penn dirigiu e conseguiu tirar uma atuação arrebatadora de Emile Hirsch. É difícil até não comparar Livre com o filme de Sean Penn. Mas comparações à parte, os dois filmes merecem ser descobertos.

Dirigindo o filme está Jean-Marc Vallée nome que está ficando cada vez mais conhecido em Hollywood. Vallée dirigiu Clube de Compras Dallas, filme que ano passado consagrou Matthew McConaughey e Jared Leto com o Oscar. Vallée vai mostrando que gosta de tirar o máximo da atuação de atores. Enquanto Matthew e Leto levaram o Oscar, Reese conseguiu sua indicação. Um diretor para ficarmos de olho em seus futuros trabalhos.

O filme adota um estilo de montagem que o seriado LOST consagrou: flashbacks. O longa começa com Cheryl em cima de uma montanha, arrancando uma unha de um dedo machucado. Depois sua jornada vai sendo mostrada com a preparação e começando a trilha. E nisso o filme vai inserindo os flashbacks. O que é interessante, porque conhecemos o passado de luto e errado que Cheryl viveu e no fim das contas, depois de tantos erros cometidos, acabamos entendendo e, porque não, absolvendo Cheryl dos erros cometidos. Isso se deve a ótima direção de Vallée e da surpreendente atuação de Reese, além, é claro, da linda fotografia. Tudo isso foi capaz de nos transportar para dentro da história, e fazer parte desta imensa trilha.

Um belo filme. Emocionante na medida certa e honesta no modo de contar a história. Fazer essa trilha foi surpreendente.

Nota 9

Wild, 2014. Direção: Jean-Marc Vallée. Com: Reese Wintherspoon, Laura Dern, Thomas Sadoski, Keene McRae, Michiel Huisman, W. Earl Brown, Gaby Hoffman, Kevin Rankin. 115 Min. Drama.

ass_evilmar

ass_nayara

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s