Cinema: O Grande Hotel Budapeste

Roteiro de Wes Anderson surpreende, enquanto Ralph Fiennes dá um show em cena.

Roteiro de Wes Anderson surpreende, enquanto Ralph Fiennes dá um show em cena.

Muito se discute se Hollywood passa por uma crise de ideias. Não há como negar que nos últimos anos foram lançados uma enxurrada de sequências e remakes, na qual grande maioria foi desnecessária. Mas ainda bem que existem cineastas como Tarantino, Woody Allen, Nolan, Scorsese e Wes Anderson. Cineastas repletos de histórias interessantes e, em sua grande maioria, histórias originais.

Wes Anderson é o tipo de cineasta que faz filmes para poucos. Seus filmes não têm efeitos especiais de última geração, ou entre outras coisas de hoje em dia que alguns cineastas usam para tampar o buraco de um roteiro ruim. Muito pelo contrário, Wes Anderson tem um trato especial com o roteiro, no qual o faz leve e interessante o que torna a narrativa de seus filmes diferenciada de tão bem feita que é. A narrativa e o esmero e agilidade que usa em seus roteiros, lembra muito Woody Allen, que também é um diretor que possui essas qualidades.

Aqui Wes utiliza várias histórias dentro uma das outras. O longa aposta em uma montagem simples, porém perfeita para a história. Temos um velho escritor que vai narrando à história do tempo que ele viveu no hotel e conheceu o dono. O dono conta a história de como virou o proprietário do lugar. E é aí que entra a melhor parte do filme, quando nos deparamos com M. Gustave (Ralph Fiennes), concierge do hotel e Zero (Tony Revolori), um empregado novato. Wes foca bastante na amizade dos dois, conforme vai nascendo e se tornando verdadeira depois de todas as histórias que os dois passam, principalmente depois que Gustave recebe uma herança misteriosa de um senhora rica, onde os familiares dela farão todo o possível para que ele não receba.

O elenco do filme é incrível. Ralph Fiennes está soberbo em cena. Ralph nos entrega um personagem misterioso e interessante. Em cada cena Ralph nos mostra que é realmente um ator completo, capaz de fazer qualquer coisa. Uma das melhores atuações do ano. Tony Revolori nos encanta com sua simplicidade e a química com Ralph faz com que a sua atuação seja ótima. O longa recheado de grandes nomes, ainda conta com Adrien Brody, Edward Norton, Jude Law, Tom Wilkinson, Saoirse Ronan, Owen Wilson, Tilda Swinton, Jeff Goldblum e Willem Dafoe. Willem que, inclusive, interpreta um vilão assustador que lembra muito os vilões de filmes das décadas passadas. Incrível como Willem Dafoe está ótimo no papel, é nítido como o ator se divertiu fazendo o personagem.

Wes Anderson também comprova que a estética de seus filmes são primorosas. Aqui temos uma direção de arte impressionante, tamanha a beleza de figurinos e ambientações da época que a história se passa. A trilha sonora de Alexandre Desplat é fantástica. Desplat transita perfeitamente do delicado, ao terror, a comédia em sua trilha. Enfim, o cuidado de Wes Anderson em todos os pontos do filme é notório.

Apesar do nome do hotel ser o título do filme, o hotel é o coadjuvante na história. Wes entrega um filme sobre personagens interessantíssimos, que se desenvolvem de maneira tão natural, quanto as linhas do roteiro de Wes ou as melodias de Desplat. Um dos melhores do ano.

Nota 9

The Grand Budapest Hotel, 2014. Direção: Wes Anderson. Com: Ralph Fiennes, Tony Revolori, Adrien Brody, Willem Dafoe, Jeff Goldblum, Harvey Keitel, Jude Law, Bill Murray, Edward Norton, Saoirse Ronan, Jason Schwartzman, Tilda Swinton, Tom Wilkinson. 100 Min. Aventura.

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