Cinema: Divertida Mente [Resenha 1]

Nojinho, Raiva, Alegria, Medo e Tristeza. As emoções dentro da mente da garotinha Riley.

Nojinho, Raiva, Alegria, Medo e Tristeza. As emoções dentro da mente da garotinha Riley.

Sou fã da Pixar desde 1995, quando pela primeira vez foi produzido um filme todo em computação gráfica: Toy Story. E daquela data até hoje, a cada nova história produzida fico mais apaixonada por esse estúdio.

Essa galera consegue pegar um assunto aparentemente “bobo” e o transforma em uma verdadeira obra original. Afinal, quem um dia imaginou ver na tela de um cinema um mundo futurista em que um robozinho simpático se apaixona e tem mais sentimentos do que muitos humanos? Ou ver um mundo cheio de monstros em que os gritos das criancinhas é energia para a cidade daqueles? Mas é claro que essa originalidade não acabaria com Divertida Mente.

A ideia a princípio era mostrar a vida de duas salamandras que se odeiam (assim como ocorreu em Rio), mas para nossa alegria (ou não) a ideia não foi pra frente. Foi quando Pete Docter e Jonas Rivera, o diretor e o produtor de Up: Altas Aventuras (2009) entraram na parada com diversas ideias geniais. Docter então pensou: “Por que não personificar sentimentos?” Entram, portanto, em ação Alegria, Tristeza, Raiva, Nojo, Medo.

Riley é uma garotinha que tem uma vida normal e alegre com seus pais. Seus sentimentos são sempre comandados pela Alegria, muitos dos quais definem sua personalidade. Porém, eles são obrigados a se mudarem para outra cidade, e é nesse momento que todo o conflito inicia entre os sentimentos de Riley, pois a Tristeza começa a prevalecer no lugar da Alegria, isso faz com que suas memórias centrais, aquelas que definem a sua personalidade, sofram uma alteração.

Toda a situação muda quando Alegria e Tristeza são lançadas para fora da sala que controla os sentimentos. Assim, a menina fica aos cuidados de Medo, Nojinho e Raiva, porém esse trio percebe que os sentimentos que não estão presente fazem muita falta e que todos precisam trabalhar em harmonia.

É nesse momento que vemos os grandes parques temáticos, ou ilhas, que é onde fica a personalidade, esse jogo da simbologia está presente a todo instante. Momentos que marcam a vida de Riley fazem a mente construir esses parques onde se alojam os seus princípios, como Parque da Amizade, Honestidade, Família. Contudo, no momento em que a crise existencial da menina chega no auge, todas os parques vão desmoronando, seus princípios e personalidades vão deixando de existir. Encontramos enormes fileiras de memórias que ficam escondidos em bolas. Presenciamos o vale do esquecimento, que é pra onde vai tudo aquilo que acabamos esquecendo (como a matéria que caiu na prova de história que você fez no primeiro ano). O jogo com o subconsciente nesse filme é bem trabalhado, todas as informações que nos é passada, é feita com uma competência de transformar algo complicando em simples e um lindo trabalho dos animadores.

“Interior e exterior coexistem perfeitamente. Toda a confusão criada por Alegria e Tristeza – perdidas dentro da consciência enquanto as outras emoções tomam conta do centro de comando – reflete a crise existencial de Riley. É como se dois filmes tratassem da mesma história com técnicas diferentes, arte realista e arte abstrata sob a mesma moldura.” São os próprios sentimentos lutando contra eles mesmo, é uma batalha interna contra um mal tão comum atualmente: a depressão. Alegria quer a todo custo salvar Riley dessa situação. Será que não é exatamente isso que ocorre com a gente quando passamos por situações tão difíceis?

Finalmente, é bom rever a Pixar voltar ao alto nível. Um assunto tão complexo sendo demonstrado com uma simplicidade que as crianças (e os adultos) ficarão maravilhados.

Nota 10

Direção: Pete Docter, Ronaldo Del Carmen. Com as vozes originais de: Amy Poehler, Phyllis Smith, Richard Kind, Bill Hader, Lewis Black, Mindy Kaling, Kaitlyn Dias, Diane Lane e Kyle MacLachlan. 94 Min. Animação.

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