Cinema: O Quarto de Jack

O Quarto de Jack

Baseado no livro da escritora Emma Donoghue, O Quarto de Jack é bastante desafiador para quem o assiste. Claustrofóbico por boa parte da trama se passar dentro de um quarto, e com uma linha narrativa a partir do ponto de vista de uma criança de cinco anos, o longa acabou sendo uma das grandes surpresas do ano, revelando uma história forte e arrebatadora.

O filme conta a história de Joy (Brie Larson) que vive com seu filho Jack (Jacob Tremblay) dentro de um quarto, aprisionados. Os dois são mantidos em cárcere privado pelo homem que sequestrou Joy quando ela tinha 17 anos. Sete anos se passaram, mas ambos continuam sem poder ver o mundo a sua volta. Enclausurados, eles só veem a luz do dia através de uma claraboia. O pequeno Jack não conhece o mundo fora do quarto, até os quatro anos ele nem sabia que o nosso mundo existia. Mas sua coragem é fundamental para que ambos consigam escapar do quarto depois de um plano.

Fora do quarto é como se o filme fosse uma poesia. A primeira vez que Jack vê o céu é emocionante. A forma como o garoto contempla aquela imensidão azul, combinada com a trilha sonora, é impossível segurar as lágrimas. A partir desta cena, tudo é novidade para Jack, e aí entra em cena a delicadeza da direção de Lenny Abrahamson. O diretor conduz com perfeição tudo ao redor de Jack, e a forma de focar a câmera no olhar forte do garoto é excepcional.  O diretor também merece elogios por tocar de forma tão suave em um tema tão espinhoso como é o cárcere privado.

Quando tudo parecia resolvido e os dois viveriam felizes para sempre fora do quarto, é aí que o filme guardava para a sua metade final o show de Brie Larson, que recentemente ganhou merecidamente o Oscar de Melhor Atriz por sua performance como Joy. Longe do quarto, podemos perceber problemas entre Joy e os pais, e podemos perceber o quanto durona a vida a transformou. Estamos lidando com uma personagem que teve seu psicológico levado ao extremo, que passou por muita coisa e que mesmo assim conseguiu sobreviver a todos os obstáculos que apareciam em sua vida.

Brie Larson arrebenta em seu papel.  As expressões exercidas por ela durante toda a trama não deixam dúvidas de que o Oscar foi parar em boas mãos. A forte atuação de Brie anda lado a lado com a cativante e a apaixonante atuação do pequeno Jacob Tremblay. Olha, fazia muito tempo que um ser tão pequenino não fazia chorar, este que vos escreve agora. Você se emociona com tudo o que acontece ao seu redor, seja a falta de um bolo com velas, ou todas as emoções que ele transmite sem falar nada, ao ver ou sentir algo pela primeira vez. Pequeno no tamanho, mas com um coração gigante. Jacob exala emoção durante todo o filme. É um novo ator mirim para ficarmos de olho. Joan Allen e William H. Macy completam o elenco como os avós do garoto.

O roteiro do filme deixa algumas situações em aberto. O que aconteceu com o rapaz que mantinha Joy presa. Ele foi preso? Está foragido? Não sabemos. O personagem de William H. Macy também some da trama, após uma forte cena entre ele e Joy. Situações como essas, o filme não amarrou, mas nada que prejudique o resultado final deste maravilhoso longa.

O Quarto de Jack deve emocionar todos. Seja pela força da personagem de Brie Larson ou o carisma do pequeno Jacob. E após uma sessão tão emocionante, o que podemos fazer é nos despedir de Brie e Jacob com simples “tchau”.

Nota 9

Room, 2015. Direção: Lenny Abrahamson. Com: Brie Larson, Jacob Tremblay, Sean Bridgers, Wendy Crewson, Joan Allen, William H. Macy, Amanda Brugel, Joe Pingue. 118 Min. Drama.

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