“Capitão América: Guerra Civil”: Quando cinema é a melhor diversão

Confesso: estava com dois pés atrás com Capitão América: Guerra Civil (Captain America: Civil War, dir. Anthony Russo e Joseph V. Russo, 2016) e admiti isso francamente lá no meu Facebook. E tinha bons motivos:

  1. Aquele trailer. Imagino, aliás sei, que o marketing da Disney é danado de bom e mirou exato no alvo do público essencial do filme. Que não sou eu. Isso talvez explique porque, depois de ver algumas iterações do trailer, minha vontade de ver Guerra Civil chegou abaixo de zero.
  2. A overdose de filmes de super-herói. Neste último sábado, numa workshop de marketing e branding, a Marvel foi usada como case de uma grande virada de reposicionamento. E é mesmo – justo quando o consumo de seus quadrinhos estava em estagnação indo para a decadência, ela se reinventou desencarnando conteúdo de plataforma e invadindo cinema, TV e games. Palmas pra ela. Agora, que já esgotou minha paciência, ah isso já.

Tendo dito tudo isto, evitei como pude as sessões mornas e fui ver Guerra Civil como se deve – num cinemão de bairro lotado, com um balde de pipoca no colo e cercado pelo público-alvo por todos os lados. E adorei.

Alguns colegas apontaram – com razão – que Guerra Civil é um filme transnarrativa, ou meta-meta (termo que soa absolutamente pornográfico em nosso idioma, mas vá lá…). Ou seja, é um filme que prescinde de história, que se segura num fiapo de trama sem nenhum compromisso com fazer sentido ou apresentar grandes contornos dos personagens e seus dilemas. É um filme sobre uma experiência audiovisual. Quase, desculpem a blasfêmia, um Terrence Malick trincado depois de uma overdose de Red Bull.

Certo, existe um elemento disparador – um bando de políticos buscando algum meio de controlar os super-heróis (já que seus atos afetam toda a humanidade). Cada qual com sua agenda – mas isso é o de menor importância. Estudiosos e fiéis do cânon Marvel – no qual a saga Guerra Civil é decididamente um evangelho maior- poderão discorrer longamente sobre as motivações subjetivas do capitão Steve Rogers e Tony Stark, ou sobre a própria rota de colisão de ambos.

Para mim, e, pelo jeito, para quase todo mundo na sala de cinema superlotada, não fazia a menor diferença. O prazer do filme era seu ritmo exato, sua medida certa entre ação e aventura, seu grupo de adoráveis super-heróis no meio de tudo, a dinâmica de suas sequências de ação de lutas limpas. Tudo isso ao som da mais bonita trilha do ano e uma engenharia de som que beira ao exato.

Não é a toa que o cinema estava cheio de famílias completas, mães e pais e avós e avôs levando seus filhos e netos e divertindo-se com eles, possivelmente por motivos diferentes, cada qual criando sua própria história e referências em cima da experiência de ver o filme. Meta-meta. A obra é a história.

Então, Disney, desculpe a desconfiança. Eu devia ter lembrado que desde a aquisição da Marvel você já produziu o ótimo Soldado Invernal (Captain America: The Winter Soldier, 2014), o excelente Guardiões da Galáxia (Guardians of the Galaxy, 2014) e o “estranho” mas super interessante Homem-Formiga (Ant-Man, 2015). E qualquer filme que começa com uma tirinha de Henry Jackman já ganha meu coração logo na largada.

ass_felipe

ass_nayara

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