Cinema: Mãe!

Darren Aronofsky é daqueles diretores que quando despontam em Hollywood chamam muita atenção. Da mesma geração de M. Night Shyamalan, Darren chamou a atenção logo em sua estreia com o seu estilo de filmagem em Pi. Em seguida realizou um de seus melhores filmes, Requiem Para um Sonho. Passando por Fonte da Vida e O Lutador, o diretor chegou ao ápice com Cisne Negro, filme que rendeu o Oscar de Melhor Atriz para Natalie Portman. Noé, no entanto, dividiu muito a opinião das pessoas, aliás, dividir a opinião das pessoas é uma das marcas das obras de Aronofsky.

Aqui em Mãe!, Darren conta a história de uma jovem esposa (Jennifer Lawrence) que passa seus dias restaurando a enorme casa que vive com seu marido (Javier Bardem), um escritor que tenta reencontrar a inspiração para voltar a escrever poemas. Os dias calmos e tranquilos ficam diferentes quando estranhos começam a chegar a casa e o marido os deixa ficarem, mesmo com a rejeição da esposa.

O tom de mistério que reina nos trabalhos de Aronofsky já começa nos nomes dos personagens. Seus personagens não possuem nomes próprios. Javier Bardem é Ele e Jennifer Lawrence é Mãe, Ed Harris é Homem e Michelle Pfeiffer é Mulher. Dito isso já podemos imaginar que adentraremos em um enorme quebra-cabeça recheado de metáforas e referências que exigirá muita atenção por parte do público para o entendimento (ou não) do filme.

A personagem de Jennifer Lawrence interpreta uma mulher à moda antiga. Muito ligada a casa, ela passa seus dias se dedicando a ela e ao marido. Uma mulher submissa a ele, que não tem muita voz para dar opiniões. Isso fica nítido quando desconhecidos chegam a casa e contra a sua vontade, o marido permite eles ficarem.

Javier Bardem é um escritor que vive uma crise na sua escrita. Fez muito sucesso no passado, porém, há anos não consegue escrever nada. A chegada dos desconhecidos em sua residência e um acontecimento na vida do casal vai aos poucos fazendo a sua inspiração voltar.

Em nenhum momento Darren Aronofsky vai dando respostas. O filme inteiro é um emaranhado de informações que faz o público se perguntar muitas vezes, “o que está acontecendo?”. É muito complicado falar sobre Mãe! sem entrar nos spoilers. Porém, é importante falar que o filme vai levando a sua história para uma situação insustentável. O que começa com um estranho chegando, termina com a casa habitada por dezenas de estranhos. O que pode gerar uma sensação de incômodo no espectador, por se compadecer com a personagem Mãe.

Aronofsky vai utilizando mistério e códigos para contar uma história simples. É como se o diretor brincasse de um jogo de adivinhação com o seu público. As metáforas são importantes, porém, nem tão simples de ser respondidas. O maior mérito de Darren é fazer seu filme continuar após a sessão. Amando ou odiando o filme, é impossível você não sair conversando, discutindo e debatendo sobre o filme.

Jennifer Lawrence entrega a sua melhor interpretação na carreira, principalmente na parte final do filme. Sua incrível interpretação já é forte candidata a estar concorrendo ao Oscar de Melhor Atriz, tamanha a sua dedicação e perfeição. Javier Bardem está impecável como sempre. E consegue empregar feições que são muito importantes em cena, principalmente para um filme que tem sua história contada com a ausência de trilha sonora. Aqui o silêncio é muito importante e Darren Aronofsky trabalha muito bem o silêncio.

O longa pode fazer você ter diversos entendimentos. Os enigmas de Aronofsky seriam ligados a uma história sobre fama, bíblica ou sobre a mente humana mergulhada em uma depressão? Mãe! é um filme que precisa ser descoberto para que você possa tirar as suas próprias conclusões.

Mother! 2017. Direção: Darren Aronofsky. Com: Jennifer Lawrence, Javier Bardem, Ed Harris, Michelle Pfeiffer, Brian Gleeson, Domhnall Gleeson. 121 Min. Drama.

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