Cinema: Laranja Mecânica

Insanidade, loucura e tratamentos são abordados por Kubrick em Laranja Mecânica.

Insanidade, loucura e tratamentos são abordados por Kubrick em Laranja Mecânica.

Não há como negar, Laranja Mecânica é um dos maiores clássicos que o cinema já produziu. Isso se comprova ao assistirmos ao filme mais de 40 anos depois do seu lançamento e perceber que ele continua forte e impecável.

Dirigido por Stanley Kubrick e baseado na obra de Anthony Burgess, Laranja Mecânica nos apresenta a Alexsander DeLarge, um jovem bonito, inteligente, charmoso e acima de tudo: um monstro.

No filme Alexsander DeLarge, ou apenas Alex, é um delinquente juvenil que é líder de uma gangue no qual ele chama de “drugues”. Os drugues gostam de invadir casas, violentar seus moradores e também tocar o terror pelas ruas. Até que um dia, em um desses ataques, Alex é traído por sua gangue e acaba preso. Na prisão, depois de certo tempo, ele decide participar voluntariamente do Tratamento Ludovico, que consiste em uma terapia de aversão que lhe arrancará os instintos violentos. Mas Alex não sabia que este mesmo tratamento o deixaria totalmente indefeso para a violência ao seu redor. A pergunta que fica no ar é: Será que arrancar o mal de um personagem e deixá-lo totalmente indefeso não seria algo tão macabro como as próprias ações de Alex?

O ato de Alex ser quem ele é, um sujeito de mente diabólica, pode se dar ao fato de que ele nasceu em um lugar assim. Logo no início do filme, Alex e os drugues atacam um mendigo e o mesmo fala: “um mundo fedorento onde não existe mais lei e ordem“. Os ataques dos drugues aos lares são os mais terríveis devido ao teor macabro das cenas. Seja em um spa onde Alex acaba matando a dona do local (local onde ele foi traído pelos drugues e preso); e antes disso o ataque à casa de um escritor.

É nessa cena, na casa do escritor, que observamos o quanto Alex e sua gangue são doentios. Kubrick mostra um Alexsander DeLarge usando a sua “ultraviolência” atacando uma casa e em seguida estuprando a mulher do escritor, enquanto ele canta “I’m Singing in the rain…” A cena e a música mostram o quanto o personagem é um ser totalmente louco e sem limites.

Stanley Kubrick encontrou em Malcolm McDowell o Alexsander DeLarge perfeito. McDowell nos entrega uma atuação inspiradora, nos mostrando um sujeito doentio quando tem que ser e dúbio quando precisa. Difícil imaginar até outro ator fazendo este papel.

Kubrick também nos entrega uma de suas melhores direções. Utilizando ângulos de câmeras perfeitos, o diretor também utiliza a música para chocar. Em especial as músicas de Bethoven.

A narrativa do filme também é um ponto forte, já que o próprio Alex narra a sua história. Inclusive sua última fala no longa é dizer “que finalmente está curado“. Será que essa frase significa que ele está curado de fazer o mal? Ou o Tratamento Ludovico não funcionou como deveria, e depois de certo tempo indefeso, Alex voltou a ser o que era? Kubrick deixou que nós escolhêssemos a resposta.

Nota 10

A Clockwork Orange, 1971. Direção: Stanley Kubrick. Com: Malcolm McDowell, Patrick Magee, Michael Bates, Warren Clarke, John Clive, Adrienne Corri, Carl Duering, Paul Farrell, Clive Francis, Michael Gover. 136 Min. Drama.

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Memorável: Pânico

Wes Craven reinventa o terror nos anos 90.

Wes Craven reinventa o terror nos anos 90.

Um novo serial killer está imitando famosos assassinos do cinema e matando jovens como nos filmes, criando trabalho para a polícia local e assustando os estudantes do colégios da cidade. Pânico marcou o renascimento do sub-gênero terror adolescente, abrindo uma nova onda de filmes do estilo.

Criador de clássicos do terror como Quadrilha de Sádicos e A Hora do Pesadelo, Wes Craven entregou em 1996, Pânico. Filme que modernizou e reinventou o gênero do terror.

Neve Campbell vive a heroína Sidney Precott.

Neve Campbell vive a heroína Sidney Precott.

Hello Sidney…” Uma frase que ficaria marcada neste clássico do terror. O principal trunfo de Pânico, está em seu roteiro. Além de homenagear alguns clássicos do gênero durante todo o filme, ele ainda brinca e faz algumas sátiras com esses clássicos. É lógico que Wes Craven e Kevin Williamson, autor do roteiro, tiveram todo um cuidado para não estragarem os clássicos antigos com essas sátiras. O roteiro é tão saudoso, que em menos de 10 minutos de filme, os nomes de Michael Myers, Freddy Krueguer e Jason Voorhees são citados. São nesses minutos iniciais também que temos uma das cenas de terror mais tensas e aterrorizantes da história, que é o assassinato de Casey (Drew Barrymore), a cena horripilante do início ao fim, com a música de Marco Beltrami é espetacular. Confesso que esta cena não sai da minha cabeça, e às vezes me pego vendo o corpo de Casey pendurado na corda de vez em quando. Incrível.

Culpa dos filmes? Essa é a desculpa de Billy e Stu.

Culpa dos filmes? Essa é a desculpa de Billy e Stu.

O roteiro do filme trabalha muito bem o fato dos assassinos serem loucos, fanáticos. Os motivos de Billy e Stu, são estúpidos e foi impossível não lembrar deles, depois do acontecido na sessão de Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge, e na sessão de Clube da Luta em um cinema de São Paulo em 1999. Os filmes não são culpados por criarem esses assassinos, são desculpas utilizadas por eles… enfim, mas esse não é o principal tema deste memorável, mas fica a lembrança de como Wes Craven abordou bem o tema.

Drew Barrymore: primeira vítima de Ghostface.

Drew Barrymore: primeira vítima de Ghostface.

Wes Craven acertou na escolha do elenco. Matar Drew Barrymore em 10 minutos de filme, surpreendeu a todos. Afinal, ela já tinha uma certa fama, e se esperava que ela fosse a heroína. Esse papel ficou com a ótima Neve Campbell, que assim como Jamie Lee Curtis em Halloween, teve que passar por maus bocados com um assassino à sua cola. David Arquette faz o tipo do policial atrapalhado, mas de bom coração. Perfeito no papel. E se era pra conquistar mesmo os fãs, nada melhor do que trazer Courteney Cox, a Mônica do seriado Friends que é bem popular nos EUA e no mundo inteiro. Craven acertou do início ao fim, em Pânico.

Courtney Cox e David Arquette.

Courtney Cox e David Arquette.

Pânico depois ganhou uma sequência em 1997, outra em 2000, e em 2011 ganhou uma quarta parte. Todos bem divertidos, como é o estilo da série… mas nenhum deles conseguiu o êxito do original de 1996: fantástico, surpreendente e assustador.

Nota: 10,0

Scream, 1996. Direção: Wes Craven. Com: David Arquette, Neve Campbell, Courteney Cox, Skeet Ulrich, Rose McGowen, Matthew Lillard, Jamie Kennedy, Drew Barrymore. 111 Min. Terror.

Evilmar S. de Almeida é comentarista de cinema do Claquetes. Instrutor de Informática por profissão e cinéfilo por natureza, é fundador e Editor Chefe do Claquetes desde 2011.

Memorável: Gladiador

Russell Crowe impecável como Maximus.

O general Maximus (Russell Crowe) é indicado pelo imperador Marcus Aurelius (Richard Harris) para assumir o poder de Roma e repassá-lo ao povo. Com inveja por ter sido preterido, Commodus (Joaquin Phoenix), o herdeiro do trono, manda assassinar o general e sua família. Maximus consegue escapar da morte e se transforma em um gladiador de arena e no maior herói de Roma. Com o apoio do povo, ele parte para seu maior confronto: vingar-se de Commodus, agora o novo imperador.

Hollywood estava longe de um grande épico há mais de três décadas, até que Ridley Scott resolve dirigir Gladiador, junto com o seu grande parceiro Russell Crowe, o qual teve que se dedicar bastante ao papel, pois teve que fazer muita musculação, e precisou perder muitos quilos, para se encaixar no papel. Ao final, toda a dedicação valeu a pena.

Joaquin Phoenix e Connie Nielsen.

Durante todo o filme, Ridley Scott exibe com orgulho a obra de arte que ele estava criando. Cenários fantásticos, fotografia espetacular, e grandiosas cenas de batalha. Mas o filme também é muito humano. Por trás de toda essa grandiosidade, o que move o filme, e faz ele permanecer nas nossas mentes até hoje, é a história de justiça e vingança de Maximus. General com ideais, Maximus sabe que o Imperador foi assassinado, e assim é condenado a morte e tem a sua esposa e filho assassinados também. Porém, Maximus escapa da morte, e começa a sua jornada de vingança contra Commodus.

Maximus e Commodus: duelo de soltar faíscas.

Gladiador tem também um dos melhores roteiros de todos os tempos de Hollywood. É difícil até de contar quantos trechos do filme permanecem em nossas mentes. Principalmente nas cenas entre Maximus e Commodus.

Maximus: incrível em todos os momentos.

Ridley Scott escolheu muito bem o elenco, recheado de talentos e liderados por um Russell Crowe perfeito para o papel. A atuação de Crowe é incrível, com suas feições, suas ações, enfim. Joaquin Phoenix e o seu ambicioso Commodus, se mostra um vilão que duelou bem na atuação com Crowe, e com isso só quem ganha é o filme, e os espectadores. O filme também tem uma ótima Connie Nielsen em tela, assim como Richard Harris e Oliver Reed em seu último papel, pois morreu durante as filmagens. Há, e tudo isso ao som da trilha sonora de Hans Zimmer. Perfeito!

Oliver Reed e Richard Harris dando um toque especial em Gladiador.

Motivador ao extremo, e uma história com grandes atuações. Gladiador é um dos maiores épicos que Hollywood já viu.

Gladiador concorreu a 12 Oscar’s, e foi vencedor de 5 Estatuetas: Melhor Filme, Ator (Russell Crowe), Figurino, Efeitos Especiais e Som.

Nota: 10,0

Gladiator, 2000. Direção: Ridley Scott. Com: Russell Crowe, Joaquin Phoenix, Connie Nielsen, Oliver Reed, Richard Harris, Derek Jacobi, Djimon Housou, David Schofield. 155 Min. Drama / Ação.

Evilmar S. de Almeida é comentarista de cinema do Claquetes. Instrutor de Informática por profissão e cinéfilo por natureza, é fundador e Editor Chefe do Claquetes desde 2011.

Memorável: O Bebê de Rosemary

Rosemary indo de encontro a seu filho.

Rosemary (Mia Farrow) sonha em ser mãe. Ela e seu marido mudam-se para um novo apartamento em Nova York, onde passam a conhecer um casal de idosos que mora logo ao lado. Esse casal possui modos de agir, e logo invade a privacidade de Rosemary de forma que começa a incomodá-la. Seu marido (John Cassavetes), um ambicioso mas malsucedido ator, faz um pacto com o demônio pela promessa de vencer na carreira. Algo há por trás disso tudo e Rosemary, grávida, começa a desconfiar das pessoas, querendo proteger seu futuro filho.

Em 1968 é lançado O Bebê de Rosemary, filme do diretor Roman Polanski e que é um dos clássicos do cinema. Polanski usa o satanismo como plano principal de uma história que fala muito mais do isso, como por exemplo, confiança, segurança, traição, entre outras coisas.

Dois pontos são cruciais para O Bebê de Rosemary ser um clássico do cinema. Um deles é a direção fantástica de Roman Polanski. Polanski adaptou o livro de Ira Levin e dirige com extrema maestria, e assim vai criando a tensão e o horror aos poucos. Não é aquele terror gratuito que vemos em muitos filmes de hoje em dia. Aqui ele cria uma história inteligente, e nos faz acompanhar Rosemary em sua jornada sonhos, terror e perseguição que ela passa durante o filme. Incrível como o clima de tensão que Polanski introduziu no filme faz efeito até hoje.

Mia Farrow: grande atuação.

O outro ponto crucial do filme, é a fantástica atuação de Mia Farrow. Mia coloca na sua personagem uma doçura na primeira metade do filme, e depois um desespero, misturado com muita coragem para tentar proteger o seu filho. Muitas vezes Mia teve que atuar só com suas feições, sem falas, e Polanski conseguiu closes perfeitos. Uma das cenas que mais provam isso, é depois que ela se vê comendo carne crua… Polanski com seus ângulos, nos mostra apenas um reflexo, mas já é o bastante para deixar a cena emblemática.

Escritos reais de rituais satânicos são usados em Mia Farrow.

A famosa cena do ritual, em que o filho de Rosemary foi concebido é até hoje uma das mais bem dirigidas. Quando vemos a criatura (Satanás) em cima de Rosemary, Polanski não o mostra todo. Ele mostra apenas seus braços, e o olhar. Mas a cena não é assustadora porque estamos vendo Satanás em cima de uma mulher, e sim por estarmos sabendo o que está acontecendo. E esse medo ou pavor aumenta, quando vemos todas aquelas pessoas ao redor dos dois, observando e cantando durante o ritual, e Rosemary dopada sem poder fazer absolutamente nada.

Consequência após a noite do ritual.

E muitas outras cenas são memoráveis em O Bebê de Rosemary. Rosemary acordando com as costas arranhada; toda a sequência que envolve ela folheando os livros de bruxaria, até desvendar o anagrama; a sequência na cabine telefônica; Rosemary pegando uma faca na parte final do filme… falando em parte final, que final! Rosemary chegando na sala cheia de pessoas que fazem parte da seita cercando o seu bebê, é uma sequência cheia de tensão… quando avistamos aquele berço preto, com um véu da mesma cor, é difícil não sentir uma sensação ruim. Nessa mesma sequência é aterrorizante ver os membros da seita gritando “Salve Satã!“, e mais aterrorizante ainda é ver o rosto de Rosemary, depois que ela olha para o seu filho… Em nenhum momento, Polanski mostra o rosto do bebê. Não precisa. O rosto de Rosemary diz tudo o que temos que saber.

Roman explica quem é o pai do filho de Rosemary, para logo depois tentar convencê-la de ser uma mãe para o bebê.

Na parte técnica o filme também é ótimo. Uma bela fotografia que casa muito bem com a trilha sonora de Christopher Komeda. Diga-se de passagem, é uma das melhores trilhas da história do cinema, casando perfeitamente com a história. Só aquela canção de ninar no início já merece destaque. E a trilha ainda faz com que o público entre mais ainda na história. É um casamento perfeito, entre os aspectos técnicos, direção e as atuações. Fantástico!

O Bebê de Rosemary é um filme que sempre ficará marcado na memória de cada cinéfilo, daqueles que gostam de uma história envolvente, carregada de tensão, e com um final que chega a surpreender.

Ruth Gordon venceu o Oscar por sua interpretação como Minnie.

O Bebê de Rosemary concorreu a dois Oscar’s em 1969: Melhor Atriz Coadjuvante e Roteiro Adaptado. Ruth Gordon venceu como Atriz Coadjuvante.

Nota: 10,0

Rosemary’s Baby, 1968. Direção: Roman Polanski. Com: Mia Farrow, John Cassavetes, Ruth Gordon, Sidney Blackmer, Maurice Evans, Ralph Bellamy, Victoria Vetri, Patsy Kelly, Elisha Cook. 136 Min. Terror.

Evilmar S. de Almeida é comentarista de cinema do Claquetes. Instrutor de Informática por profissão e cinéfilo por natureza, é fundador e Editor Chefe do Claquetes desde 2011.

Memorável: O Silêncio dos Inocentes

Anthony Hopkins e uma das atuações mais fantásticas da história.

Clarice Starling (Jodie Foster), agente novata do FBI, procura por um assassino que ataca mulheres jovens e depois retira suas peles. Para construir o perfil psicológico deste psicopata, recorre à ajuda de um assassino preso que agia de forma semelhante. É o dr. Hannibal Lecter (Anthony Hopkins), um psiquiatra canibal. Lecter, de fato, pode ajudar na investigação, mas quer em troca um local mais confortável para ficar preso. E quer também se aproximar da durona Clarice, para que ela fale de seus traumas e revele seu lado vulnerável.

Em 1991 é lançado nos cinema O Silêncio dos Inocentes, filme que entraria para a história do cinema, como um dos maiores filmes de suspense, e também por trazer o maior vilão da história, o canibal Hannibal Lecter. O filme é baseado no best-seller de Thomas Harris.

O Silêncio dos Inocentes é um filme completo. Tem uma grande direção de Jonathan Demme, atuações fantásticas, uma atmosfera de suspense e tensão que fazem efeito até hoje. Jonathan Demme foi muito feliz em reunir dois atores que deram tudo de si. Anthony Hopkins e Jodie Foster estão soberbos em seus papéis.

Clarice e Lecter: diálogos geniais.

A apresentação de Hannibal Lecter é demais. Quando Clarice vai até sua cela, vemos muitos loucos, sujos, esse tipo de coisa. Mas quando chega na cela dele, ele está limpo, ereto, mostrando uma categoria incrível, e ainda está com um olhar que mete medo, intimidador. O diálogo entre ele e Clarice nesta cena é fabuloso, ele tentando intimidar Clarice, dizendo que ela é jeca, insinuando que Crawford (chefe de Clarice) gosta dela, mas nada disso faz com que ela perca o foco. O curioso, é que nesta cena, os dois chegam a se encarar, e ele acaba piscando primeiro. Só aí, já percebemos como Clarice é forte. E talvez por admiração, Lecter acaba criando um sentimento afetivo por ela, por algumas cenas que veremos mais adiante no filme, como quando ela vai saindo do corredor, e um dos presos joga esperma nela, Lecter chama ela no sentido de protegê-la; no meio do filme quando estão retirando ela, e ele entrega alguns papéis, ele toca no dedo dela; e no final do filme quando ele liga para ela. Porque ligar? A última (ou única) pessoa que ele tem uma certa afeição no mundo, é Clarice.

Hannibal em ação: as vítimas são dois guardas.

Jonathan Demme não poderia deixar de fora um dos ataques de Hannibal Lecter. E quando esse ataque acontecesse teria que ser épico. Lecter acaba fazendo esse ataque quando dois guardas vem deixar o seu jantar. É espantoso a cena em que vemos Lecter acabar com a face de um dos guardas a base de mordidas. A veracidade da cena é incrível. E ao final, vemos um dos guardas pendurado com as tripas do lado de fora, em cima da sua grade.

Ted Levine é Buffalo Bill.

A história principal do filme, é a caçada ao assassino Buffalo Bill (ótima atuação de Ted Levine), mas o personagem de Hannibal Lecter é tão grandioso que encobre isso. Mas pelo menos, Buffalo Bill participa de um dos momentos mais tensos do filme, quando Clarice o encontra. Desde o momento em que Clarice o rende, e que ele foge, passando por imagens com câmera noturna, a cena é dirigida perfeitamente por Demme, que coloca tensão e suspense além de Jodie Foster e sua Clarice transmitir tudo isso também, além é claro, da excitação de estar próximo de resolver o seu primeiro caso.

Ataque: uma das vítimas de Buffalo Bill.

Jonathan Demme prova que não é obrigado ter sangue jorrando direto para se fazer um filme sobre assassinos, o único sangue que vemos é quando Lecter acaba com os dois policiais. O Silêncio dos Inocentes é muito mais que isso, é um filme que tem um roteiro fantástico e que teve dois grandes atores em interpretações soberbas, além é claro da incrível direção de Demme. Closes, tomadas, câmera noturna… enfim, Demme deu um show. E tudo isso, foi premiado com o Oscar. E assim, O Silêncio dos Inocentes é um filme clássico que sempre será lembrado.

Jogo de câmeras de Demme cria ótimas cenas, como esta.

O Silêncio dos Inocentes foi vencedor dos principais prêmios do Oscar, e ao todo ganhou 5 estatuetas, das 7 que estava concorrendo.

O Silêncio dos Inocentes, 5 Oscar’s: Melhor Filme, Diretor, Ator, Atriz e Roteiro.

Nota: 10,0

The Silence of the Lambs, 1991. Direção: Janathan Demme. Com: Jodie Foster, Anthony Hopkins, Scott Glen, Ted Levine, Lawrence Bonney, Kasi Lemmons, Anthony Heald, Frankie Faison. 118 Min. Suspense.

Evilmar S. de Almeida é comentarista de cinema do Claquetes. Instrutor de Informática por profissão e cinéfilo por natureza, é fundador e Editor Chefe do Claquetes desde 2011.

Memorável: A Hora do Pesadelo

Em 1984 nasce um dos ícones do Cinema de terror: Freddy Krueguer.

Um, dois… o Freddy vem te pegar… três, quatro… a porta é bom trancar… na década de 80 esta “música” virou sinônimo de medo, arrepio e… pesadelo. A Hora do Pesadelo chegava aos cinemas com uma ideia pra lá de original e incrível, e virou um dos filmes mais cultuados da história do terror, e ainda transformou Freddy Krueguer em um dos maiores personagens da história do cinema.

Um dos pontos fortes de A Hora do Pesadelo é o seu início. Acompanhamos Freddy criando a sua arma, a famosa luva com garras, e logo depois somos jogados em um sonho da personagem Tina. Sabemos com isso que ele é o vilão, mas não sabemos as suas motivações, o porque que ele é assim. Isso saberemos mais adiante, graças a mãe da personagem Nancy que contará tudo sobre Freddy. A personagem de Tina, um pouco mais adiante no filme, protagoniza uma das cenas de morte mais angustiantes da história do cinema. Revi o filme para escrever este Memorável em seu áudio original, e é torturante escutar todos os gritos dela, enquanto agoniza até a morte.

Crianças cantam uma música de arrepiar.

Outra coisa que o diretor Wes Craven deixou bem assustador no filme, foi as crianças pulando corda e cantando a música que está no início deste post. A música deu tão certo, que está presente em toda a franquia A Hora do Pesadelo. O que deixa a elaboração das cenas com as crianças ainda mais aterrorizante, é pensar que aquelas meninas podem ser as crianças que o Freddy matou antes de ser queimado pelos pais da vizinhança. O fato das crianças estarem todas de branco e com uma roupa que parece aquelas usadas em mortos, aumentam esta possibilidade.

Nem sempre em um filme de terror mostrar o vilão abertamente é correto. Peguem por exemplo A Bruxa de Blair, que em nenhum momento aparece a Bruxa, mas mesmo assim é um dos filmes mais assustadores da história. Cloverfield caminhava muito bem, mas quando mostrou o monstro, o filme perdeu um pouco o encanto… Em A Hora do Pesadelo, Freddy Krueguer não é mostrado direto… muitas vezes (principalmente no início) o seu rosto fica no escuro, mostrando apenas o seu corpo, ou só o olho, ou só a boca… aumentando assim o medo que o personagem pode passar para a gente, aquele medo do desconhecido.

Na banheira: uma das cenas mais clássicas do cinema de terror.

O filme tem algumas cenas que ficam no nosso imaginário. A morte da Tina, já citada acima; a mão do Freddy aparecendo na banheira enquanto nancy toma um banho; A morte do personagem Glen, que fica tão destruído que quando o socorro chega, uma das pessoas diz: “não precisa de maca, e sim de um pano de chão…”. A cena final, até parece um Esqueceram de Mim, já que Nancy monta uma série de armadilhas para pegar o Freddy, uma coisa meio boba, mas se pensar que ela é apenas uma adolescente e com recursos limitados, até é compreensível.

Duelo final: Nancy consegue tirar Freddy do sonho.

Jhonny Depp: morte em seu primeiro filme.

No campo das atuações, A Hora do Pesadelo marca a estreia do mega astro Johnny Depp nos cinemas. Interpretando Glen, namorado da personagem principal, Nancy, Depp dura 68 minutos em cena até a sua morte chegar. Robert Englund da vida a Freddy Krueguer, e é impossível não imaginar ele fazendo o Freddy, prova disso foi o remake lançado a pouco tempo… Robert Englund fez falta… Heather Langenkamp é a personagem mais carismática que passou pela série, estando presente em algumas continuações.

Além de assustar, Freddy se mostra “nojento”.

Muitas histórias cercam a suposta fonte de ideia para a criação do personagem Freddy Krueguer. Uma delas é que Wes Craven tinha muitos pesadelos durante a sua infância, que foi contubarda. A outra (e mais interessante) é que Wes Craven ficou sabendo que em um determinado local, várias crianças morreram depois de ter tido o mesmo sonho. Sabendo disso, ele apenas inseriu um personagem serial killer, que na época estava fazendo sucesso nos cinemas, como Leatherface, Michael Myers, Jason.

A Hora do Pesadelo pode até ter alguns defeitos por conta da época, assistindo o filme percebemos que algumas cenas bonecos são utilizados, e dá até para ver um colchão sendo utilizado em uma escada, quando o Freddy cai de uma determinada altura no final do filme. Mas a atmosfera que Wes Craven criou com a sua ótima direção é fantástica. O filme tem uma trilha sonora de arrepiar em muitos momentos. Assistindo hoje, concentrado e esquecendo as continuações horríveis que o filme teve, ele ainda consegue meter medo.

Nota: 9,0

A Nightmare on Elm Street, 1984. Direção: Wes Craven. Com: John Saxon, Ronee Blakley, Heather Langenkamp, Amanda Wyss, Jsu Garcia, Johnny Depp, Robert Englund, Lin Shaye, Joe Unger. 91 Min. Terror.

Evilmar S. de Almeida é comentarista de cinema do Claquetes. Instrutor de Informática por profissão e cinéfilo por natureza, é fundador e Editor Chefe do Claquetes desde 2011.

Memorável: Grease – Nos Tempos da Brilhantina

Sandy e Danny: amor de verão embalado com muito musical.

O filme conta a historia de um casal de estudantes, Danny (John Travolta) e Sandy (Olivia Newton-John), que trocam juras de amor no verão mas se separam, pois ela voltará para a Austrália. Entretanto, os planos mudam e Sandy por acaso se matricula na escola de Danny. Para fazer gênero, ele infantilmente a esnoba, mas os dois continuam apaixonados, apesar do relacionamento ter ficado em crise. Esta trama serve como pano de fundo para retratar o comportamento dos jovens da época.

Romance: Danny conhece Sandy.

Grease – Nos Tempos da Brilhantina é um filme muito fácil de você se identificar. O filme mostra de maneira leve as aventuras do primeiro amor, que muitas vezes acontece por acaso, como em uma viagem. Mas também não esquece da parte da decepção… Mostra também a amizade no colégio, e o medo de perder essa amizade quando o ano letivo vai chegando ao fim. Tudo isso recheado com boas músicas e uma química impressionante de todo o elenco.

O clima de colegial criado no filme é incrível. Se hoje em dia os filmes sobre colegiais são carregados de sexo e palavrões, Grease – Nos Tempos da Brilhantina mostra que é possível fazer um filme que fica na memória sem precisar apelar para essas coisas. No colégio, logo somos apresentados ao “T-Birds” e as “Pink Ladies”, grupos de amigos que andavam reunidos. E Danny faz parte dos “T-Birds”, enquanto Sandy mais tarde entraria para as “Pink Ladies”.

Na volta ao colégio, quando os amigos se reúnem, logo querem saber o que cada um fez nas férias. E aí temos o primeiro número musical. Com a música Summer Nights, acompanhamos Danny contando as suas férias, e ao mesmo tempo Sandy contando as “Pink Ladies” sobre as suas férias… e lógico que o tema era o romance que eles tiveram. Durante o número musical, Danny se mostra bem a vontade e sendo o maioral, enquanto ela, tímida e envergonhada, vai aos poucos entrando no embalo da dança… o dueto feito com as duas histórias deixa a cena fantástica, e é impossível não cantar junto com eles.

Summer Nights: primeiro número musical já mostra qualidade.

Durante um evento onde o time da escola é apresentado para a nova temporada, Danny reencontra Sandy. No início ele fica animado, mas logo depois por causa dos amigos e para salvar a sua reputação, ele finge que Sandy não foi nada de mais para ele, e a deixa magoada. Sandy sai chorando, e Danny fica meio sem jeito. Triste, Sandy vai passar a noite com as novas amigas, e é aonde temos o segundo musical. Na canção Hopelessly Devoted To You, Sandy mostra em uma bela canção o quanto ama Danny.

Danny começando a praticar esportes.

Mas as coisas mudam. Sandy começa a sair com outra pessoa, deixando Danny cheio de ciúmes. Assim, ele vai ter que correr atrás dela, para reascender o amor. E para isso, ele até começa a fazer esportes. Nessa parte, o filme rende cenas hilárias, com John Travolta e seus trejeitos enquanto pratica as modalidades. Mas o esforço dele valeu a pena, e ele consegue reconquistar Sandy.

Além de mostrar o ambiente colegial de forma brilhante, o filme também tem um segmento muito bom com a parte do baile. John Travolta mostra toda a sua desenvoltura durante as danças. Mas devido a um de seus colegas, ele acaba sendo separado de Sandy e indo fazer par com outra garota. Danny vence o concurso do baile, mas Sandy fica chateada. Os dois voltam a sair, se encontram em um Drive-in. Mas Danny tenta apressar certas coisas, e Sandy fica mais chateada ainda… ela vai embora falando: carro do pecado. Hilário. Ótima cena, que foi uma deixa para o musical solo de John Travolta. E a canção que ele interpreta, mostra o quanto o cara tá apaixonado pela garota e que não consegue mais viver longe dela. Depois que ele consegue “desabafar” tudo isso, o caminho está aberto para os dois ficarem juntos…

Cena do baile: John Travolta dá um show e se mostra um grande dançarino.

Corridas de carros coloca um pouco de aventura no filme. Danny vence a Thunder Bird, e logo depois somos levados para o fim do ano letivo. Enquanto alguns ficam de recuperação, e outros são aprovados os alunos vão se preparando para o que vai acontecer com eles no futuro. Alguns até pensam que nunca mais vão se ver, enquanto outros dizem que isso não vai acontecer. Mas o grande momento do final do filme, é quando vemos Sandy deixar de ser aquela menina tímida, para se tornar uma mulher tão descolada como Danny é com os garotos. Juntos eles interpretam You Are The One That I Want, uma das melhores canções do filme. A desenvoltura de ambos é fantástica. Logo após, todos os amigos reunidos cantando We Go Together fecha com chave de ouro esse ótimo filme.

Sandy se transforma, e fica no mesmo estilo de Danny.

O filme é dirigido por Randal Kleiser que mostrou muita inspiração em todas as cenas. Sua direção é fantástica. É bem verdade, que a união do elenco também foi um trunfo. John Travolta em um de seus melhores trabalhos (se não o melhor) até hoje, mostra que dança é com ele mesmo. Olivia Newton-John, trouxe para a personagem a timidez e doçura que a personagem necessitava, também está ótima. E lógico, deixar aqui um parabéns para todos os outros que fizeram parte do elenco, e que transformaram este filme no que ele é até hoje.

Até um carro vira personagem em um número musical.

Destaque também para a trilha sonora, com ótimas canções que casam perfeitamente com as cenas, e não deixa em momento algum o filme chato. Muito pelo contrário, as músicas são tão boas, que você até fica esperando pela próxima. O CD com a trilha sonora é o 3º CD mais vendido de todos os tempos, de acordo com o Media Traffic.

Assim como a boa música, Grease – Nos Tempos da Brilhantina consegue nos embalar até hoje. Pra quem já é fã, é impossível não rever e sair cantando, e até dançando as suas canções.

Nota: 9,0

Grease, 1978. Direção: Randal Kleiser. Com: John Travolta, Olivia Newton-John, Stockard Channing, Jeff Conaway, Barry Pearl, Michael Tucci, Kelly Ward, Didi Conn, Dinah Manoff, Edd Byrnes, Sid Caesar. 110 Min. Romance/Musical.

Evilmar S. de Almeida