Cinema: O Shaolin do Sertão

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Quando Cine Holliúdy estreou em 2014, surpreendeu todo o país ao levar as gírias e falas comuns ao povo cearense para todas as salas de cinema do país. Para um total entendimento, na maioria dos outros estados, o filme precisou ser legendado. Projeto arriscado do diretor Halder Gomes e do ator Edmilson Filho, mas que foi sucesso por onde passou. Agora a dupla volta a trabalhar junta e trás aos cinemas O Shaolin do Sertão, um filme de artes marciais no sertão do Ceará.

Na história, conhecemos Aloísio ‘Li’ (Edmilson Filho), um tímido padeiro que é apaixonado por artes marciais, mas que acaba virando piada na cidade de Quixadá devido essa paixão. A sorte (ou seria azar?) dele começa a mudar quando um famoso lutador, Toni Tora Pleura (Fábio Goulart), desafia um lutador da cidade. Aloísio recebe treinamento de um estranho mestre chinês (Falcão) para se preparar para a luta. Ele divide a expectativa da luta com a paixão que ele tem por Anésia Shirley (Bruna Hamú), filha do seu patrão, Seu Zé (Dedé Santana) e prometida para Armandinho (Marcos Veras).

Se em Cine Holliúdy foi possível notar as referências ao clássico italiano Cinema Paradiso, aqui Halder Gomes se inspira muito em Rocky: Um Lutador – rapaz desacreditado que tem um oponente quase impossível de se vencer; Karatê Kid: A Hora da Verdade – toda a preparação e treinamento para a grande luta; e todos os outros filmes de artes marciais das décadas passadas. Só uma pessoa tão apaixonada por cinema, principalmente cinema antigo, poderia utilizar tão bem essas referências em meio ao cenário do sertão nordestino.

Passado na década de 80 na cidade de Quixadá, o roteiro do longa é recheado de falas e gírias comuns ao povo cearense (assim como em Cine Holliúdy). O que torna o filme uma experiência mais especial ainda para o povo do nosso estado. Halder mais uma vez homenageia o povo cearense, o povo nordestino. É como se o filme fosse feito pelo povo, para o povo. A cada fala dita, é como se o diretor conseguisse nos transportar da sala de cinema para dentro da história.

A beleza das serras de Quixadá, do açude do Cedro, do sertão, de uma paisagem interiorana foram bem captadas pelo diretor que conseguiu criar cenas belíssimas, inclusive a do treinamento de Aloísio ‘Li’. A fotografia que compõe todo o filme é linda e vai emocionar aqueles que têm um vínculo com a cidade que a história do longa se passa.

Edmilson Filho mais uma vez está ótimo, aqui ele consegue fazer rir com suas fisionomias e lutas corporais. Agora, um dos personagens que mais merece destaque é o jovem garoto Igor Jansen, que interpreta Piolho. Talvez o personagem mais carismático de todo o filme. A forma com que ele consegue nos tirar risadas é tão simples e natural que é impossível você não se apegar ao personagem. Marcos Veras consegue incorporar bem o cearense, reproduzindo sotaque e trejeitos do nosso povo, e também está ótimo no filme. O longa apresenta a jovem Bruna Hamu, e nomes conhecidos, como Fafy Siqueira e Dedé Santana.

O Shaolin do Sertão não é um filme perfeito, em minha opinião, possui um erro em seu roteiro que foi o mal desenvolvimento que é do romance entre Aloísio ‘Li’ e Anésia Shirley. Faltou mais capricho nessa parte, mesmo não sendo o ponto principal do filme. No mais, o filme tem alguns erros de edição, mas nada que prejudique o resultado final da história.

Halder Gomes se mostra um diretor inventivo, criador de ótimos personagens e que consegue extrair um humor bem diferente dos outros filmes de comédias feitos aqui no Brasil. É um humor legítimo que com talento e personalidade consegue divertir a todos.

Nota 9

O Shaolin do Sertão, 2016. Direção: Halder Gomes. Com: Edmilson Filho, Bruna Hamu, Dedé Santana, Fábio Goulart, Fafy Siqueira, Falcão, Igor Jansen, Marcos Veras, Bolachinha, Haroldo Guimarães, João Inácio Júnior, Lailtinho Brega, Tirulipa. 100 Min. Comédia.

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Cinema: Esquadrão Suicida

Esquadrão Suicida

Vamos falar a verdade. A DC não vive um bom momento em adaptações de suas histórias para o Cinema. Depois da fantástica trilogia Batman de Christopher Nolan, tivemos o bom O Homem de Aço, o mediano Batman vs Superman: A Origem da Justiça; e agora o bagunçado (isso mesmo):  Esquadrão Suicida. O filme que apresentou um trailer muito bom, entrega um longa cheio de erros em que poucas coisas se aproveitam. Parece clichê, mas é o famoso caso do trailer melhor que o filme.

O filme começa exatamente onde Batman vs Superman: A Origem da Justiça terminou. Com isso, o governo americano teme ameaças do mesmo poderio de um Superman ou do vilão de BvS, o Apocalypse, e decide pôr em prática um plano audacioso de colocar nas ruas vários vilões para combater essas ameaças sobre-humanas.

Assim, o Esquadrão Suicida é formado por Pistoleiro (Will Smith), Arlequina (Margot Robbie), Bumerangue (Jai Courtney), Diablo (Jay Hernandez), Crocodilo (Adewale Akinnuoye-Agbaje) e Magia (Cara Delevingne), e se juntam a eles dois membros do governo, Rick Flag (Joel Kinnaman) e Katana (Karen Fukuhara).

Esquadrão Suicida passou por muitos conflitos em seus bastidores. Após o fracasso de críticas de Batman vs Superman: A Origem da Justiça, novas cenas foram filmadas, além de Jared Leto ter divulgado que não gostou dos cortes em algumas de suas cenas. Essas novas cenas possivelmente seriam para tirar o tom um pouco mais sério que BvS teve, para dar um pouco mais de humor à história, uma coisa no estilo Guardiões da Galáxia. Porém, ficou apenas na tentativa. Toda essa bagunça nos bastidores deixou o filme parecido com uma colcha de retalhos, com um roteiro meia boca, uma péssima montagem e uma trilha sonora deslocada de sua história.

O diretor e roteirista David Ayer realiza um filme sobre uma equipe, porém, só dá destaque praticamente a dois personagens. É lógico que Will Smith e Margot Robbie são os mais conhecidos e talentosos, mas era de se esperar que o diretor criasse cenas mais elaboradas para conhecermos melhor alguns dos outros personagens, e não ficar jogando na tela sem nenhuma introdução considerável.

Três personagens merecem destaque: Arlequina, Pistoleiro e Amanda Waller (membro do governo). Para dar vida a Arlequina, foi escolhida Margot Robbie. Talentosa e linda, a atriz está com o humor apurado e certeiro em suas cenas. Com certeza Arlequina é uma das melhores coisas do filme. Will Smith interpreta Pistoleiro, um personagem com uma carga dramática alta, e que mais uma vez, o ator faz muito bem. As cenas de ação envolvendo o seu personagem também são as melhores do filme. Viola Davis dá vida a agente do governo Amanda Waller e coloca em cena uma postura rígida de uma mulher firme em suas decisões e que não tem medo de impôr o seu poder em personagens tão mais perigosos do que ela. Perfeita.

Agora vamos falar do Coringa. Desde que foi escolhido para interpretar o personagem, Jared Leto viu de perto a sombra de Heath Ledger. Mas algumas pessoas apostavam que sua interpretação seria do mesmo calibre que a de Ledger (inclusive era a opinião desse que vos fala). Porém, o que vimos no filme é de dar pena. Ver um ator da versatilidade de Jared Leto sofrendo com um péssimo roteiro e entregando uma atuação tão ruim, é realmente lastimável.

Ben Affleck também dá as caras no filme, em algumas pequenas participações (inclusive na cena pós-créditos). Uma dessas cenas foi criticada por alguns, em que Batman deixa uma garotinha ser escudo dele, enquanto uma arma é apontada para ele. Conhecendo o passado do personagem e os princípios dele, o Batman jamais deixaria isso acontecer. Mas como a bagunça já estava feita[…] A cena pós-crédito é importante tendo em vista os planos futuros da DC nos cinemas.

Outros personagens mereciam mais destaque em cena, como Crocodilo e Diablo. Outros carecem de talento como é o caso de Magia, interpretada por uma insossa Cara Delevingne.

A DC e a Warner derraparam muito com Esquadrão Suicida. Agora é esperar para ver se alguma coisa mudará nos próximos longas, da Mulher Maravilha e da Liga da Justiça.

Nota 4

Suicide Squad, 2016. Direção: David Ayer. Com: Will Smith, Margot Robbie, Jai Courtney, Jay Hernandez, Adewale Akinnuoye-Agbaje, Cara Delevingne, Joel Kinnaman, Karen Fukuhara, Viola Davis, Ben Affleck. 108 Min. Ação.

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500 Sessões? Lembranças de Um Apaixonado por Cinema!

É curioso como uma paixão nasce dentro da gente. E lá se vão treze anos que o meu amor pelo Cinema foi à primeira vista. Confesso que comecei a frequentar tarde, minha primeira sessão eu já estava com 17 anos, mas lembro dela como se fosse hoje. O filme escolhido foi Premonição 2, e o Cinema foi o North Shopping. Comprei o ingresso meio que sem jeito na bilheteria, pois era a primeira vez que eu me encontrava ali. Fui sozinho. Parecia que o destino tinha marcado um encontro entre eu e aquela sala escura. Lembro que segui a fila de entrada da sala e me sentei, se não me falha a memória, na terceira fila. Era período de férias, dia 03/07/2003 e o Cinema estava lotado. Até aquela hora eu não sabia ao certo o que iria acontecer. Até que a sala ficou completamente escura e a tela foi ligada. Naquele momento eu me apaixonava pelo Cinema.

Saí da sessão de Premonição 2 totalmente extasiado. Sem acreditar na sensação que aquele momento me causou. Meu desejo era assistir um filme atrás do outro (e muitos outros vieram, afinal, lá se vão 500 sessões). Estava no meu último ano no colégio, mas o amor pelo Cinema era tão grande que cheguei a gazear aula. Sessões de Lisbela e o Prisioneiro, Identidade e Freddy x Jason, foram conferidas assim. O Cinema ia se tornando o meu lugar preferido.

Engraçado o poder que o Cinema tem sobre a gente. Esse poder de te transportar para outro lugar, para dentro de uma história nem que seja por um instante. Foi assim que eu me senti na sessão do épico O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei. Fui transportado para a Terra Média e vivi todas as emoções e dificuldades que Frodo e seus amigos passaram, como se eu também estivesse lá. Foi o primeiro filme que realmente me emocionou dentro do Cinema, o primeiro em que chorei.

Participei de grandes maratonas como em 2012 quando aconteceu antecedente ao longa Os Vingadores, que a galera do Cinema Com Rapadura organizou no Shopping Benfica. Meus amigos Raphael Gomes (PH) e Pedro Henrique me acompanharam nessa “loucura cinematográfica” que começou a exibir Homem de Ferro as 23:00 e seguiu madrugada a dentro com O Incrível Hulk, Homem de Ferro 2, Thor  e Capitão América: O Primeiro Vingador que terminou as 10:00. Por incrível que pareça foram 11 horas seguidas de filmes. Loucura? Alguns podem achar que sim, mas para mim e meus amigos foi uma experiência incrível. Ainda em 2012, a galera do Cinema Com Rapadura também fez a Maratona Batman, e mais uma vez, eu e PH estávamos lá.

O dia 03/07/2013 marcava 10 anos da minha primeira sessão. Então escolhi o mesmo dia e Cinema onde aconteceu a primeira sessão para comemorar esta data. O filme escolhido foi Guerra Mundial Z, um bom filme que acabou ficando marcado nessa minha caminhada pela paixão cinematográfica.

O bom de completar essa marca de 500 sessões dentro de uma sala de Cinema, foi me fazer lembrar muitas histórias que aconteceram antes, durante e depois das sessões. Eu dividi essas histórias em momentos.

Momentos cômicos:

Como duas senhoras sentadas ao meu lado na sessão de A Paixão de Cristo que xingavam fervorosamente a figura de Satanás;

No dia 28/05/2009 fui com meu amigo Manoel assistir Uma Noite no Museu 2 em Maracanaú. Precisaríamos ir de trem e fomos. A sessão terminou faltando 10 minutos para o último trem partir para Fortaleza. O jeito foi dar aquela “carrera” para a estação.

Momentos tensos:

Mais uma vez acompanhado do meu grande amigo Manoel, fomos assistir À Profecia. Aquele mesmo do garotinho que tem no couro cabeludo o 666, em pleno dia 06/06/2006. Coincidência ou não, o cinema do North Shopping teve uma queda de energia;

Outro momento tenso foi quando o meu amigo Samuel Matos pediu (já um pouco irritado) para um grupo de jovens calarem a boca durante a sessão de Hancock.

Momento Cara de Pau:

Em outra sessão, dessa vez de Jogos Mortais 2, meu amigo Clayton Carvalho se enganou com o preço do ingresso e não tinha todo o dinheiro para comprar, antes que eu oferecesse pagar a sua entrada, ele foi ao rapaz que liberava a entrada para as salas e conversou. E acredite, o cara o deixou entrar;

Nove pessoas foram comigo curtir Homem de Ferro 2, Fabrícia Silva, Thiago Silva, Fabrício Silva e Keliane Abreu eram algumas dessas pessoas. Comprei o ingresso de todos, porém, esqueci de um, o meu. Voltei a bilheteria, no mesmo caixa em que comprei e expliquei a situação. Porém, a sessão já tinha lotado. Então, pedi um ingresso para assistir outro filme (não lembro qual). E na maior cara dura, entrei na sessão de Homem de Ferro 2, e com certeza, alguém (que eu não conheço) assistiu a esse filme sentado nos degraus da escada… ou no colo de alguém, nunca se sabe. Mas o que importa é que eu assisti a esse filme com os meus amigos.

Momento Solitário:

Apenas eu tinha comprado ingresso para assistir Nova York, Eu Te Amo no Cine São Luiz que tem capacidade para mais de mil pessoas. É ou não é amar muito cinema?

A mesma coisa aconteceu em 2009 na sessão de X-Men Origens: Wolverine, no recém-inaugurado Centerplex Via Sul, onde eu mais uma vez tive a sorte de ter uma sala de cinema só para mim.

Momento Inesperado:

Com tantas idas ao Cinema, uma delas me reservou um encontro inesperado. Eu e meu amigo Manoel fomos conferir Trapaça no Shopping Iguatemi. Ao final do filme, enquanto o público saía da sala, Manoel reparou em uma senhora baixa e com os cabelos bem penteados, como aqueles que as mulheres usam em festa. Brincando, ele falou: “Olha ali, parece a Yolanda Queiroz”. Quando íamos descendo as escadas, olhamos rumo ao elevador e para a nossa surpresa, era sim a Yolanda Queiroz! Hoje falecida, a mulher mais rica do Ceará, dona do Grupo Edson Queiroz, esteve na mesma sessão que nós. Ela estava acompanhada de sua filha, Renata Jereissati, mulher do político Tasso Jereissati. Eu e Manoel desistimos de pegar a escada e fomos pegar o elevador junto com elas. Enquanto descíamos, o elevador parou em um piso que eu pensava que era o que nós iríamos descer, porém, vi que não era e voltei para dentro. Foi nesse momento que uma mão tocou minha cintura, e quando olhei para trás, para a minha surpresa, era Renata Jereissati. Ela falou: “Com licença”. Eu respondi: “Toda”. Ela saiu e quando sua mãe, a senhora Yolanda passou, toquei meu ombro no dela para ver se passava um pouco da riqueza dela para mim. Sempre que me lembro dessa história com o Manoel, falamos que essa foi e sempre será, a sessão mais rica que tivemos.

Momentos históricos:

As sessões foram passando e eu cheguei na 100°. E por ser um momento especial, uma marca importante, fui sozinho curtir O Gângster. Parece estranho, mas não queria estar rodeado de amigos naquele momento. Eu queria apenas eu e a enorme sala escura do Iguatemi para curtir a sessão 100;

Bem diferente da sessão 100, eu queria estar rodeado dos meus amigos quando a sessão 200 chegasse. Convidei alguns amigos e boa parte compareceu, entre eles, Fabrícia, Thiago, Fabrício, Keliane e alguns outros. E no dia 23/05/2010 curtimos Robin Hood, e pude aproveitar ao lado dos meus amigos uma marca que eu nunca pensei alcançar;

Fabrícia e Thiago me acompanharam na sessão 300, no dia 26/02/2012 e conferimos A Invenção de Hugo Cabret, um filme que fala justamente sobre cinema, do amor que essa arte causa em tanta gente;

A sessão 400 aconteceu no dia 23/02/2014 com o filme Ela, e assim como na sessão 100, comemorei sozinho, até mesmo porque o tema do longa se referia a solidão;

Antes de contar qual foi à sessão 500, uma pausa para falar sobre a sessão 463 com o filme Divertida Mente, que foi muito especial para mim, pois foi o primeiro cinema junto da minha amiga, companheira e namorada Tacy Santos. Minha eterna parceira de idas e vindas do cinema que já acumulamos mais de 20 sessões juntos onde partilhamos essa paixão por cinema. E foi com ela que aconteceu a sessão 500, no dia 16/07/2016 com o belo filme Procurando Dory no Shopping Iguatemi.

Frases que ficaram na história:

Eu não acredito que esse robozinho vai fazer a gente chorar”, meu amigo Marnando Júnior na sessão de Wall E;

Cadê o rabo do Goku!!!”, gritou meu amigo Anderson Brasil na sessão do HORRÍVEL Dragonball: Evolution;

“O Dumbledore morreu?!”, atônito e emocionado Thiago Silva não acreditava na morte do mentor de Harry, na sessão de Harry Potter e o Enigma do Príncipe;

O pessoal caprichou no material de divulgação do filme Noé”, escrevi no Twitter ironizando o fato da enorme chuva que caía aqui em Fortaleza justamente quando eu estava a caminho da sessão de Noé.

Depois de tantas lembranças, resta agora agradecer a tantas pessoas que estiveram comigo em várias sessões de cinema. Gostaria de agradecer ao Manoel Delmino que já me acompanhou em 32 sessões (é o recordista até agora), a Fabrícia Silva que me acompanhou em 31 e também ao Thiago Silva, Raphael Gomes, Clayton Carvalho, Marnando Júnior, Fabrício Silva, Keliane Abreu, Nayara Torres, Aricélia Carvalho, Pedro Henrique, Paula Santiago, Jhonathas Marreira, as irmãs Paixão (Cinthya e Jéssica), Samuel Matos, as irmãs Negreiros (Larissa e Beatriz), Diana Lima, Luiza Carolina, Lúcia Karine, Lya Késsia, Tania Regina, Renata Tavares, Gabriela Moura, Livia Sibelly, Wanessa Caitano e muitas outras pessoas que já foram comigo no cinema. Um obrigado especial a minha amada Tacy Santos, que além de viajar comigo nessas histórias, me ajudou a juntar essas lembranças. Obrigado a todos, vocês fazem parte desta história. Da minha história.

Cinema é acompanhar histórias e registrar momentos que nunca serão esquecidos.
Evilmar Almeida

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Cinema: Procurando Dory

Procurando Dory

Chega aos cinema a tão esperada sequência de Procurando Nemo (2003), Procurando Dory (2016). Essa demora de mais de 10 anos é explicada pelo diretor Andrew Stanton que ainda se recupera do fracasso do filme live action John Carter: Entre Dois Mundos. Antes de ser adquirida pela Disney, a Pixar tinha uma política de não fazer sequência de seus filmes (exceção apenas para Toy Story), para que fossem produzidos apenas filmes brilhantes e originais, sem perder a originalidade e não correr o risco de produzir animações inferiores. Segundo Andrew, a longa espera se deu pelo fato que só agora houve a história certa para enfim a Pixar continuar a sequência dos nossos tão queridos personagens Marlin, Nemo e Dory. O diretor já conseguiu ganhar dois Oscar por animações produzidas anteriores (o primeiro com a aventura do peixe palhaço Marlin a procura de seu filho, Procurando Nemo, e o segundo com o fantástico Wall-e)

A premissa dessa história se assemelha muito com a anterior, Dory, que sofre de perda de memória recente, começa a ter pequenos flash de memórias sobre seus pais e a sua origem, fazendo com que Nemo e Marlin a ajudem nessa jornada novamente pelo gigantesco oceano. Dessa vez não é mais para P Sherman, 42, Wallaby Way-Sydney, e sim para o Instituto da Vida Marinha (IVM) na California.

Somos novamente apresentados a personagens tão queridos da primeira sequência, à arraia que é professor de Nemo e à tartaruga de pente com seus filhotes. Porém, o longa conta com novos personagens que ganham um certo espaço na trama. Todos são bem arquitetados e com personalidades marcantes, que transformam essa nova jornada em um passeio divertido e emocionante. Podemos destacar alguns, como o Polvo Hank que ajuda Dory a se orientar no Instituto; Bailey, uma baleia branca que está convencida que suas habilidades de ecolocalização não funcionam mais e Destiny, um tubarão baleia míope que foi quem ensinou o tão famoso baleiês a Dory.

O padrão Pixar nos é apresentado novamente. A narrativa vai além da busca da peixinha por seus pais, aborda também a questão da aceitação de deficiências e personalidades, além, claro, da família (mostrando a importância não apenas da genética, mas também da família de coração). O humor próprio do estúdio continua lá, porém com piadas não tão originais assim, que o público já teve a oportunidade de ouvi-las no primeiro longa.

O estúdio continua surpreendendo o público com a questão estética. A evolução nas ferramentas de animação é de um primor aos olhos, os movimentos, a luz e a realidade da água, mudando de cor de acordo com a profundidade que os protagonistas estavam é surpreendente para o público. A construção de cada personagem, trazendo com ele as características da espécie em cada detalhe é outro acerto para o longa.

Mesmo com todo esse destaque, Procurando Dory falha em se tornar memorável. Para os jovens de plantão acima de 13 que puderam assistir ao primeiro sucesso da saga, é notório que o estúdio, a pedido da Disney, tentou tirar o máximo possível de um sucesso que não foi criado para ter sequência. É competente, mas não acrescenta em nada ao universo original de filmes. Serve como nostalgia para os fãs ver os tão queridos personagens, com risadas e uma pitada de emoção, além de citar a excelente dublagem na versão brasileiro, que nos arrancou gargalhadas com piadas exclusivamente nossas encaixadas na trama.

Apesar desses deslizes na narrativa, a animação já bateu recordes de bilheterias de grandes animações do estúdio Disney, como O Rei Leão, e isso só aponta para o grande acerto comercial.

Procurando Dory é uma boa pedida para assistir, divertido, visualmente lindo e que pode até arrancar lagrimas de alguns telespectadores. Pode não ser o destaque do estúdio desse ano, mas com certeza vale muito a pena ser conferido.

Nota 8

Finding Dory, 2016. Direção: Andrew Stanton e Angus MacLane. Com as vozes originais de: Ellen DeGeneres, Albert Brooks, Ed O`Neill, Kaitlin Olson, Hayden Rolence, Ty Burrell, Diane Keaton, Eugene Levy, Sloane Murray, Sigourney Weaver. 97 Min. Animação.

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Cinema: Como Eu Era Antes de Você

Como Eu Era Antes de Você

Histórias originais estão cada vez mais escassas em Hollywood. Remakes, adaptações de livros e blockbusters invadem cada vez mais as salas de cinema. Como Eu Era Antes de Você apresenta elementos que já vimos em outros filmes, como A Teoria de Tudo e Meu Pé Esquerdo, além do francês, Intocáveis, porém, muito bem conduzido e executado pela dupla de atores que movem o longa metragem.

O filme nos apresenta Louisa Clark, interpretada por Emilia Clarke, do seriado Game of Thrones. Uma jovem sem muitas pretensões grandiosas em sua vida, que vive enfrentando problemas financeiros, mas que está sempre com um sorriso cativante no rosto. Suas roupas bregas e extravagantes mostram como ela é, digamos, um pouco largada neste mundo de aparências. Uma oportunidade de emprego surge para ela, cuidar do tetraplégico Will, interpretado por Sam Caflin, da Saga Jogos Vorazes.

Um dos fatores mais interessantes do filme é o contraste entre os dois personagens. Enquanto Louisa sempre está sorridente, Will é sempre sarcástico devido às circunstâncias que a vida lhe trouxe. O clima entre os dois que é de rejeição no início, vai deliciosamente se transformando durante o decorrer da história para algo maior. Louisa vai perceber que a sua tarefa é muito maior do que cuidar de Will, e o amor que nasce dentro dela é lindo, tamanha simplicidade e humildade que seu personagem carrega.

Com roteiro de Jojo Moyes que também é a autora do livro que deu origem ao filme e dirigido por Thea Sharrock, o longa consegue transitar muito bem entre o drama, a comédia e o romance. Esse equilíbrio é fundamental para o andamento da história, que nos faz refletir o quanto é importante viver a vida intensamente, ao lado de pessoas que realmente querem nos ver bem. O bom do filme é que ele foca mais nisso precisamente, do que no romance entre os dois personagens. A diretora consegue criar cenas lindas entre eles, em especial uma cena de dança, que de tão singela, é emocionante.

Para viver Louisa Clark, uma Emilia Clarke fofa e cativante foi escolhida. Apresentada com roupas estranhas, a personagem logo conquista a nossa atenção pelo seu modo de viver. Sempre alegre, apesar das dificuldades, Emilia foi a escolha perfeita para viver a personagem. Ela é a alma do filme. Sam Caflin, que vive Will, também está muito bem em seu papel. Impossibilitado pela deficiência, o ator coloca muito bem em cena as características do personagem. Merece destaque também Janet McTeer e Charles Dance que interpretam os pais de Will. O filme ainda conta com Matthew Lewis, o Neville da Saga Harry Potter, aqui interpretando o namorado chato e sem graça de Louisa.

A linda trilha sonora ajuda a conduzir o filme. Músicas doces e arrebatadoras, como uma canção da Adele, trás emoção no momento certo, sem parecer piegas.

Não é original. Possui clichês? Sim. Mas são muito bem utilizados no filme. Como Eu Era Antes de Você tem a principal virtude do cinema, que é emocionar. E como diria Lisbela, “A graça não é saber o que acontece, é saber como acontece e quando acontece”.

Nota 9

Me Before You, 2016. Direção: Thea Sharrock. Com: Sam Caflin, Emilia Clarke, Vanessa Kirby, Pablo Raybould, Jenna Coleman, Matthew Lewis, Janet McTeer, Charles Dance. 110 Min. Drama.

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Cinema: Invocação do Mal 2

Invocação do Mal 2

Quando Invocação do Mal estreou em 2013, o cinema de terror estava em crise devido à falta de boas produções dos gêneros. Lampejos como o terror espanhol [REC] e O Exorcismo de Emily Rose salvaram a primeira década dos anos 2000, mas é pouco para um gênero que possui grandes clássicos de décadas passadas. Invocação do Mal tinha a seu favor o fato da história ser baseada em fatos reais, isso, somado a qualidade da produção, resultou em um dos melhores filmes do gênero nos últimos anos.

O filme fez tanto sucesso que acabou ganhando, além desta continuação, um spin-off em 2014, Anabelle, porém nem de longe o filme conseguiu o sucesso anterior de Invocação do Mal.

A história dessa continuação se passa sete anos após o primeiro filme. Lorraine Warren (Vera Farmiga) e Ed Warren (Patrick Wilson) estão abalados devido um caso que investigavam na cidade de Amityville, quando a igreja os contata para investigar um caso na cidade de Enfield, na Inglaterra, onde uma família é assombrada por um ser sobrenatural, que vem através de uma das filhas da matriarca. Enquanto isso, Lorraine também vem tendo premonições de acontecimentos relacionado a sua filha e marido, o que a deixa emocionalmente abalada.

Dirigido pelo malaio James Wan, criador do ótimo primeiro filme da franquia Jogos Mortais, do espetacular Velozes e Furiosos 7, além do primeiro Invocação do Mal, aqui ele consegue utilizar elementos simples em cena e causar muita tensão. James deixa de lado sustos bobos e coloca muito mais profundidade na sua história. Ele faz com que você se sinta um morador da casa, devido a narrativa que ele emprega em cena. O diretor entrega um filme de terror com bastante personalidade.

Outro ponto forte da história é a forma como o diretor trata os personagens. Alguns vivem dramas que nos faz querer mais sobre eles. Desde o drama de Lorraine que a deixa atormentada com visões de morte na sua família, até a mãe da família que além de ter que cuidar sozinha dos quatro filhos, ainda precisa lidar com o sobrenatural. Nesse ponto, onde os personagens são tão profundos, Invocação do Mal nos faz lembrar o grande clássico O Exorcista. O tratamento e o cuidado que o diretor tem com o casal Lorraine e Ed é impecável. Você consegue sentir toda a cumplicidade e amor que eles têm um pelo outro. Além da ótima direção de James Wan, a dupla de atores Patrick Wilson e Vera Farmiga dão muita credibilidade aos personagens. Farmiga inclusive tem uma interpretação fantástica, precisando mesclar sentimentos, ela está boa parte do tempo abalada e precisando ser forte ao mesmo tempo. Ela tem uma das melhores interpretações da carreira. Quem merece destaque também é o elenco infantil, todos muito bem, em especial Madison Wolfe, que interpreta Janet, a garota atormentada pelo ser sobrenatural.

Um dos pontos mais importantes que cercam a história do filme é a entidade que assombra e possui Janet. O demônio Valak, que já era mostrado até nos trailers, tem uma caracterização impressionante, o que o torna um dos personagens mais bem construídos no cinema de terror em termos de aparência. Seu fantasmagórico rosto branco, acompanhado de sua roupa de freira preta, é de causar arrepios em todo o público. O personagem é tão bem elaborado, que mesmo sendo visto no trailer, não estragou em nada o seu objetivo, que é o de assustar. O longa ainda conta com uma trilha sonora que remete aos filmes de terror antigos e que contribui muito para o clima assustador da história.

Uma boa história nas mãos de um bom diretor que gosta de trabalhar com o gênero, e que resultou em um ótimo filme. James Wan nos deixa ansiosos para mais algum caso dos Warren, desde que com a mesma qualidade dos dois primeiros longas.

Nota 9

The Conjuring 2, 2016. Direção: James Wan. Com: Patrick Wilson, Vera Farmiga, Madison Wolfe, Frances O`Connor, Lauren Esposito, Benjamin Haigh, Patrick McAuley, Simon McBurney, Frana Potente. 134 Min. Terror.

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Cinema: X-Men – Apocalipse

A Odisseia Perdida de Bryan Singer

X-Men Apocalipse

Definitivamente, não tem nenhuma importância quais truques se escondam no genoma dos X-Men, há uma coisa que não se altera: o quanto esses mutantes são deliciosamente, enfurecedoramente, trágica e magnificamente humanos. De todos os diversos personagens de quadrinhos que já chegaram ao cinema nessa última década, não há outros que se pareçam mais com você e eu. Ciúme, mau-humor, teimosia, ingenuidade, tolice, pessimismo – os X-Men compõem um catálogo tão vívido dos defeitos universais ao Homo sapiens, e às vezes são capazes de uma generosidade e uma lealdade tão autenticamente humanas também, que é obrigatório reconhecer: não existe gente mais comum do que eles. Foi sempre nisso que Bryan Singer, como diretor e/ou produtor da série, se ancorou: o público vai ao cinema pelos poderes especiais dos X-Men, mas fica porque se reconhece neles. Singer levou tão a sério esse preceito que pode-se argumentar que ele trata as características mais extraordinárias dos mutantes quase que como alegorias – como se elas fossem a expressão em forma bruta dos traços de caráter preponderantes de cada um dos X-Men. Dou um exemplo: Eric Lensherr/Magneto foi tão traumatizado por Auschwitz que, quando perde a compostura, vira a esquina – ou seja, reproduz no seu comportamento a agressividade e a megalomania de que ele próprio foi vítima. É uma ideia robusta, e por isso ela foi sempre cuidadosamente protegida e mantida em todos os filmes. Até aqui: X-Men: Apocalipse, abandona essa lógica. E, apesar de suas inegáveis qualidades como entretenimento, ele mais desvia a série do caminho do que a faz avançar. Dá vontade de fazer como Mercúrio (o ótimo Evan Peters) na única sequência verdadeiramente excepcional do filme: congelar a ação, ajeitar tudo que está meio fora de lugar, dar um retoque aqui e ali, por pura diversão, e só então fazer o tempo andar novamente.

O longa tem como tônica Apocalipse, En Sabah Nur (Oscar Isaac) é o mutante original. Após milhares da anos, ele volta a vida disposto a garantir sua supremacia e acabar com a humanidade. Ele seleciona quatro Cavaleiros nas figuras de Magneto (Michael Fassbender), Psylocke (Olivia Munn), Anjo (Ben Hardy) e Tempestade (Alexandra Shipp). Do outro lado, o professor Charles Xavier (James McAvoy) conta com uma série de novos alunos, como Jean Grey (Sophie Turner), Ciclope (Tye Sheridan) e Noturno (Kodi Smit-McPhee), além de caras conhecidas como Mística (Jennifer Lawrence), Fera (Nicholas Hoult) e Mercúrio (Evan Peters), para tentar impedir o vilão.

A estratégia do roteiro é até um pouco emblemática na rusga ideológica entre o conciliador Professor Xavier e o vingativo Magneto. Mas digamos que o problema é precisamente Apocalipse, o primeiro mutante e o mais estrondosamente poderoso de todos eles, já que desde tempos imemoriais vem acumulando habilidades. Há quase cinquenta séculos Apocalipse estava adormecido, nos subterrâneos da cidade do Cairo. Mas, ao despertar, quer pegar a coisa do ponto em que a deixou – preparando uma nova hecatombe para destruir a humanidade e a civilização e, assim, galgar mais um degrau na sua ascensão divina.

Bryan Singer dirige com muita competência e mais uma vez acerta na sua assinatura visual, deixando o longa visualmente inspirado nos desenhos de televisão dos anos 1990 e em algumas edições dos quadrinhos, mas ao colocar entre os X-Men o tão repisado megavilão que quer massacrar e destruir, ele vai contra o que pregou até aqui. Uma das melhores sacadas da série foi rejeitar os vilões “de quadrinhos” e preferir figuras facilmente encontráveis na geopolítica contemporânea: um senador que quer registrar os portadores de mutações da mesma forma como se registram os criminosos sexuais, um industrial do setor de Defesa que fomenta uma guerra para ganhar com ela, um cientista que quer curar mutantes (pressupondo, portanto, que ser X-Men é uma doença), militares que querem “weaponizar” os mutantes ou conspiram para criar um clamor popular em favor de sua erradicação. Quase sempre, também, as tramas de X-Men se desenrolaram em cenários que poderiam ter sido tirados do noticiário, ou de fato o foram – da II Guerra Mundial à Crise dos Mísseis de Cuba de 1962, da derrocada americana no Vietnã à opressão no Bloco Comunista, os filmes já se aproveitaram de uma infinidade de eventos históricos nos quais imbricar o enredo (até para a bala maluca que matou John Kennedy já se deu uma explicação). Aqui, porém, Singer transplanta a série para o território da fantasia, onde ela nunca teve raízes – e onde ela é só mais uma entre tantas outras.

Nota 6

X-Men: Apocalypse, 2016. Direção: Bryan Singer. Com: James McAvoy, Michael Fassbender, Jennifer Lawrence, Nicholas Hoult, Oscar Isaac, Evan Peters, Sophie Turner, Tye Sheridan, Lucas Till, Kodi Smit-McPhee. 144 Min. Ação.

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