Cinema: Annabelle 2 – A Criação do Mal

Annabelle nasceu para o cinema em 2013, ao aparecer na introdução de Invocação do Mal. Devido ao sucesso do filme, ganhou rapidamente um spin-off, lançado já em 2014. Um ano separou a criação de roteiro, gravação, edição e lançamento do filme, talvez isso seja a resposta para um filme tão abaixo da média que foi o Annabelle de 2014. Um longa que apresenta apenas sustos bobos e não cria em momento algum um clima de terror em torno da história.

Três anos se passaram entre o primeiro e esta sequência que chega aos cinemas. Três anos que fizeram muito bem ao produto que é Annabelle. Um longa superior em todos os quesitos ao seu antecessor. Annabelle 2: A Criação do Mal se passa antes do primeiro, e conta a história do casal Samuel Mullins (Anthony LaPaglia) e Esther Mullins (Miranda Otto) que perdem de maneira inesperada a sua filha. Alguns anos depois, eles passam a receber crianças órfãs em sua casa, por caridade, para preencher o vazio deixado pela filha. Aos poucos, segredos vão sendo descobertos pelas crianças, e elas precisaram lidar com Annabelle.

O grande acerto do diretor David F. Sandberg (roteirista e diretor de Quando as Luzes se Apagam) é conseguir criar um clima de tensão e horror durante todo o longa. As cenas são bem elaboradas e ele consegue equilibrar muito bem os momentos em que deve causar o susto e causar o terror. De todos os momentos assustadores do longa, apenas em dois eu acho que o diretor passou do ponto, mas nada que prejudique o filme.

Apesar do elenco ter nomes experientes como Anthony LaPaglia e Miranda Otto, a força do elenco está nas meninas órfãs, em especial Talitha Bateman que vive Janice, e Lulu Wilson que interpreta Linda. Lulu em especial consegue até nos divertir com suas caras de susto, mas nada que atrapalhe o clima do filme.

Outro ponto forte do filme é o design de produção responsável pela criação da casa onde todo o longa se passa. Como o filme é de época, a casa possui todos aqueles elementos antigos que funcionam bem em um filme de terror, junta-se a isso a sabedoria de David F. Sandberg em saber a hora certa de usar a luz a seu favor, e temos como resultado final a casa como personagem, o que é muito importante para um longa com essa proposta.

A trilha sonora também merece destaque, possui elementos que lembram muito filmes de décadas passadas, como produções mais recentes do gênero terror, como O Chamado.

Ah, e uma curiosidade para quem for ver o filme: Uma boneca de pano aparece já no final do filme, esta boneca é a verdadeira Annabelle, que o casal Ed e Lorraine Warren trataram do caso.

Apesar do público e da critica não terem gostado do primeiro filme, o final desta sequência se liga com o filme de 2014. Outro ponto interessante é ver a Freira demoníaca Valak que assombrou Lorraine Warren em Invocação do Mal 2, isso já para nos deixar na vontade de ver The Nun, que deve chegar aos cinemas no ano que vem.

Annabelle 2: A Criação do Mal não entrará para a galeria de clássicos do gênero terror, ainda está longe de ter a qualidade de um dos exemplares de Invocação do Mal, mas pelo menos ganhou um filme digno de ser assistido.

 

 


Annabelle: Creation, 2017. Direção: David F. Sandberg. Com: Anthony LaPaglia, Miranda Otto, Stephanie Sigman, Talitha Eliana Bateman, Lulu Wilson, Samara Lee, Grace Fulton, Philippa Coulthard. 109 Min. Terror.

Links relacionados:
– Annabelle (2014)

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Cinema: Doutor Estranho

APERTEM OS CINTOS, O MISTICISMO VOLTOU!

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Entre as diversas cenas dos 115 minutos de Doutor Estranho capazes de causar surtos de alegria, há uma que é uma joia: a doutora Christine (Rachel McAdams) tem de ressuscitar, sozinha na sala cirúrgica, um paciente em parada cardíaca. Só que o paciente tem a habilidade incomum de separar seu corpo astral de seu corpo físico e, enquanto Christine lida afobada com o desfibrilador, a projeção astral do paciente aproveita para se engalfinhar numa briga de bar com a projeção astral de um vilão. Rola sopapo esotérico para todo lado, alguns tão violentos que dão trancos na desesperada Christine, ou fazem soprar o cabelo dela, ou chacoalhar os equipamentos. Eu não sabia o que fazer primeiro, se roer as unhas ou gargalhar – e descobri que fazer as duas coisas ao mesmo tempo pode não ser fácil, mas é muito compensador. Essa junção de imaginação, ação, efeito, tensão, pastelão e até romance (a ressurreição do paciente é um legítimo gesto de amor por parte de Christine) é dosada com tanta felicidade, e resulta tão embriagante, que só por uma sequência assim um filme já justificaria sua existência.

Doutor Estranho conta a história de Stephen Strange (Benedict Cumberbatch), um neurocirurgião que leva uma vida bem sucedida, mas as coisas começam a mudar completamente quando ele sofre um acidente de carro e fica com as mãos debilitadas. Devido a falhas da medicina tradicional, ele parte para um lugar inesperado em busca de cura e esperança, um misterioso enclave chamado Kamar-Taj, localizado em Katmandu. Lá descobre que o local não é apenas um centro medicinal, mas também a linha de frente contra forças malignas místicas que desejam destruir nossa realidade. Ele passa a treinar e adquire poderes mágicos, mas precisa decidir se vai voltar para sua vida comum ou defender o mundo.

Doutor Estranho é o décimo quarto filme do Universo Cinematográfico Marvel, tem identidade e personalidade de sobra, mas é bem verdade que possui um roteiro não linear com algumas falhas evidentes. Porém, como já falei acima, Doutor Estranho tem muito a justificar em relação a sua existência: Benedict Cumberbatch é um ator frequentemente muito inspirado, mas aqui tem mais espaço para brincar até do que em Sherlock Holmes – e ele o aproveita tudo, e tira o sumo de cada cena e cada diálogo (o mesmo, aliás, vale para o restante do elenco). Tilda Swinton, esse ser vindo de alguma galáxia ofuscante, me deixou de joelhos como a Anciã (e não venham me dizer que é absurdo trocar um velhinho oriental por uma escocesa de meia-idade, porque absurdo seria não poder trocar o previsível pelo inesperado). O vilão Kaecelius é assim-assim, mas como quem o interpreta é Mads Mikkelsen vou fingir que não percebi; em Mads eu perdoo tudo. E esse clima viajandão é uma delícia: até os personagens parecem meio intoxicados com as coisas lisérgicas que são capazes de fazer (Londres girando como um cubo mágico, e dobrando-se sobre si mesma? Só assim Londres fica melhor do que já é). Nota 10, então, para Scott Derrickson, que faz aqui uma das transições mais elegantes que já vi, do terror de O Exorcismo de Emily Rose e Livrai-nos do Mal para o lado reverso do universo Marvel.

Quer mais encanto? Dentro de Derrickson, aparentemente, vivem também Moe, Larry e Curly, mais o Gordo e o Magro e a trupe inteira do Monty Python. A cena em que a Capa da Levitação escolhe Estranho como seu novo mestre? Brilhante. E ainda não acabou. Há um momento de beleza verdadeira, no qual a Anciã contempla o mundo e constata que qualquer vida, por mais longa que seja, é sempre muito curta (Tilda consegue transformar qualquer lugar-comum em revelação). Cuidado: se você não estiver preparado para sair de uma sessão de cinema em um estado inebriado, ou até eufórico, passe longe de Doutor Estranho.

Nota 9

Doctor Strange, 2016. Direção: Scott Derrickson. Com: Benedict Cumberbatch, Chiwetel Ejiofor, Rachel McAdams, Mads Mikkelsen, Tilda Swinton, Benjamin Bratt. 115 Min. Ação.

A Grande Beleza

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Bons atores e atrizes se constroem em ação. Trata-se de uma arte do fazer. Não é uma atividade intelectual, científica ou espiritual. É uma atividade prática. Uma técnica que se adquire à medida em que os trabalhos vão surgindo e as experiências de vida vão se acumulando. Claro que há atores instantâneos, que já nasceram praticamente prontos. Mas essa é a exceção que confirma a regra. E mesmo os talentos naturais podem ser aperfeiçoados com o tempo. Na maioria dos casos, o bom ator é fruto do tempo. E o mau ator também é fruto do tempo. Só saberemos se um ator ou atriz são bons após alguns anos.

No início, o narcisismo, gêmeo da insegurança, dificulta a boa atuação. A falta de confiança, aliada à vaidade excessiva, e uma descomunal necessidade de aprovação, minam a força do ator. Com o tempo, a tendência é ganhar confiança que, em equilíbrio com a onipresente insegurança de todo artista, transforma potência em ato. A confiança liberta e a insegurança humaniza. Aí o ator começa a ficar interessante. O perigo é quando a confiança se agiganta e a insegurança se camufla num estágio de vaidade agressiva. Estado muito comum quando atores se tornam celebridades. A despeito de uma insegurança sempre presente, o trabalho se torna um pretexto para uma relação narcísica e egocêntrica com o mundo, o que desumaniza até os maiores talentos.

E quando um ator pode ser considerado ruim? Se depois de várias experiências o ator ainda atua mal, aí sim podemos afirmar que é de fato ruim. Porém esta é uma avaliação sempre subjetiva. O que é considerado bom para “A”, pode ser considerado ruim para “B”. E assim sucessivamente. Sem falar nos altos e baixos inerentes à carreira de qualquer ator. Voltamos à estaca zero. Nenhum ator ou atriz jamais saberá se é de fato bom. Nunca haverá certezas. Essa é a grande beleza da arte do ator.

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Cinema: O Shaolin do Sertão

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Quando Cine Holliúdy estreou em 2014, surpreendeu todo o país ao levar as gírias e falas comuns ao povo cearense para todas as salas de cinema do país. Para um total entendimento, na maioria dos outros estados, o filme precisou ser legendado. Projeto arriscado do diretor Halder Gomes e do ator Edmilson Filho, mas que foi sucesso por onde passou. Agora a dupla volta a trabalhar junta e trás aos cinemas O Shaolin do Sertão, um filme de artes marciais no sertão do Ceará.

Na história, conhecemos Aloísio ‘Li’ (Edmilson Filho), um tímido padeiro que é apaixonado por artes marciais, mas que acaba virando piada na cidade de Quixadá devido essa paixão. A sorte (ou seria azar?) dele começa a mudar quando um famoso lutador, Toni Tora Pleura (Fábio Goulart), desafia um lutador da cidade. Aloísio recebe treinamento de um estranho mestre chinês (Falcão) para se preparar para a luta. Ele divide a expectativa da luta com a paixão que ele tem por Anésia Shirley (Bruna Hamú), filha do seu patrão, Seu Zé (Dedé Santana) e prometida para Armandinho (Marcos Veras).

Se em Cine Holliúdy foi possível notar as referências ao clássico italiano Cinema Paradiso, aqui Halder Gomes se inspira muito em Rocky: Um Lutador – rapaz desacreditado que tem um oponente quase impossível de se vencer; Karatê Kid: A Hora da Verdade – toda a preparação e treinamento para a grande luta; e todos os outros filmes de artes marciais das décadas passadas. Só uma pessoa tão apaixonada por cinema, principalmente cinema antigo, poderia utilizar tão bem essas referências em meio ao cenário do sertão nordestino.

Passado na década de 80 na cidade de Quixadá, o roteiro do longa é recheado de falas e gírias comuns ao povo cearense (assim como em Cine Holliúdy). O que torna o filme uma experiência mais especial ainda para o povo do nosso estado. Halder mais uma vez homenageia o povo cearense, o povo nordestino. É como se o filme fosse feito pelo povo, para o povo. A cada fala dita, é como se o diretor conseguisse nos transportar da sala de cinema para dentro da história.

A beleza das serras de Quixadá, do açude do Cedro, do sertão, de uma paisagem interiorana foram bem captadas pelo diretor que conseguiu criar cenas belíssimas, inclusive a do treinamento de Aloísio ‘Li’. A fotografia que compõe todo o filme é linda e vai emocionar aqueles que têm um vínculo com a cidade que a história do longa se passa.

Edmilson Filho mais uma vez está ótimo, aqui ele consegue fazer rir com suas fisionomias e lutas corporais. Agora, um dos personagens que mais merece destaque é o jovem garoto Igor Jansen, que interpreta Piolho. Talvez o personagem mais carismático de todo o filme. A forma com que ele consegue nos tirar risadas é tão simples e natural que é impossível você não se apegar ao personagem. Marcos Veras consegue incorporar bem o cearense, reproduzindo sotaque e trejeitos do nosso povo, e também está ótimo no filme. O longa apresenta a jovem Bruna Hamu, e nomes conhecidos, como Fafy Siqueira e Dedé Santana.

O Shaolin do Sertão não é um filme perfeito, em minha opinião, possui um erro em seu roteiro que foi o mal desenvolvimento que é do romance entre Aloísio ‘Li’ e Anésia Shirley. Faltou mais capricho nessa parte, mesmo não sendo o ponto principal do filme. No mais, o filme tem alguns erros de edição, mas nada que prejudique o resultado final da história.

Halder Gomes se mostra um diretor inventivo, criador de ótimos personagens e que consegue extrair um humor bem diferente dos outros filmes de comédias feitos aqui no Brasil. É um humor legítimo que com talento e personalidade consegue divertir a todos.

Nota 9

O Shaolin do Sertão, 2016. Direção: Halder Gomes. Com: Edmilson Filho, Bruna Hamu, Dedé Santana, Fábio Goulart, Fafy Siqueira, Falcão, Igor Jansen, Marcos Veras, Bolachinha, Haroldo Guimarães, João Inácio Júnior, Lailtinho Brega, Tirulipa. 100 Min. Comédia.

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Cinema: Esquadrão Suicida

Esquadrão Suicida

Vamos falar a verdade. A DC não vive um bom momento em adaptações de suas histórias para o Cinema. Depois da fantástica trilogia Batman de Christopher Nolan, tivemos o bom O Homem de Aço, o mediano Batman vs Superman: A Origem da Justiça; e agora o bagunçado (isso mesmo):  Esquadrão Suicida. O filme que apresentou um trailer muito bom, entrega um longa cheio de erros em que poucas coisas se aproveitam. Parece clichê, mas é o famoso caso do trailer melhor que o filme.

O filme começa exatamente onde Batman vs Superman: A Origem da Justiça terminou. Com isso, o governo americano teme ameaças do mesmo poderio de um Superman ou do vilão de BvS, o Apocalypse, e decide pôr em prática um plano audacioso de colocar nas ruas vários vilões para combater essas ameaças sobre-humanas.

Assim, o Esquadrão Suicida é formado por Pistoleiro (Will Smith), Arlequina (Margot Robbie), Bumerangue (Jai Courtney), Diablo (Jay Hernandez), Crocodilo (Adewale Akinnuoye-Agbaje) e Magia (Cara Delevingne), e se juntam a eles dois membros do governo, Rick Flag (Joel Kinnaman) e Katana (Karen Fukuhara).

Esquadrão Suicida passou por muitos conflitos em seus bastidores. Após o fracasso de críticas de Batman vs Superman: A Origem da Justiça, novas cenas foram filmadas, além de Jared Leto ter divulgado que não gostou dos cortes em algumas de suas cenas. Essas novas cenas possivelmente seriam para tirar o tom um pouco mais sério que BvS teve, para dar um pouco mais de humor à história, uma coisa no estilo Guardiões da Galáxia. Porém, ficou apenas na tentativa. Toda essa bagunça nos bastidores deixou o filme parecido com uma colcha de retalhos, com um roteiro meia boca, uma péssima montagem e uma trilha sonora deslocada de sua história.

O diretor e roteirista David Ayer realiza um filme sobre uma equipe, porém, só dá destaque praticamente a dois personagens. É lógico que Will Smith e Margot Robbie são os mais conhecidos e talentosos, mas era de se esperar que o diretor criasse cenas mais elaboradas para conhecermos melhor alguns dos outros personagens, e não ficar jogando na tela sem nenhuma introdução considerável.

Três personagens merecem destaque: Arlequina, Pistoleiro e Amanda Waller (membro do governo). Para dar vida a Arlequina, foi escolhida Margot Robbie. Talentosa e linda, a atriz está com o humor apurado e certeiro em suas cenas. Com certeza Arlequina é uma das melhores coisas do filme. Will Smith interpreta Pistoleiro, um personagem com uma carga dramática alta, e que mais uma vez, o ator faz muito bem. As cenas de ação envolvendo o seu personagem também são as melhores do filme. Viola Davis dá vida a agente do governo Amanda Waller e coloca em cena uma postura rígida de uma mulher firme em suas decisões e que não tem medo de impôr o seu poder em personagens tão mais perigosos do que ela. Perfeita.

Agora vamos falar do Coringa. Desde que foi escolhido para interpretar o personagem, Jared Leto viu de perto a sombra de Heath Ledger. Mas algumas pessoas apostavam que sua interpretação seria do mesmo calibre que a de Ledger (inclusive era a opinião desse que vos fala). Porém, o que vimos no filme é de dar pena. Ver um ator da versatilidade de Jared Leto sofrendo com um péssimo roteiro e entregando uma atuação tão ruim, é realmente lastimável.

Ben Affleck também dá as caras no filme, em algumas pequenas participações (inclusive na cena pós-créditos). Uma dessas cenas foi criticada por alguns, em que Batman deixa uma garotinha ser escudo dele, enquanto uma arma é apontada para ele. Conhecendo o passado do personagem e os princípios dele, o Batman jamais deixaria isso acontecer. Mas como a bagunça já estava feita[…] A cena pós-crédito é importante tendo em vista os planos futuros da DC nos cinemas.

Outros personagens mereciam mais destaque em cena, como Crocodilo e Diablo. Outros carecem de talento como é o caso de Magia, interpretada por uma insossa Cara Delevingne.

A DC e a Warner derraparam muito com Esquadrão Suicida. Agora é esperar para ver se alguma coisa mudará nos próximos longas, da Mulher Maravilha e da Liga da Justiça.

Nota 4

Suicide Squad, 2016. Direção: David Ayer. Com: Will Smith, Margot Robbie, Jai Courtney, Jay Hernandez, Adewale Akinnuoye-Agbaje, Cara Delevingne, Joel Kinnaman, Karen Fukuhara, Viola Davis, Ben Affleck. 108 Min. Ação.

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500 Sessões? Lembranças de Um Apaixonado por Cinema!

É curioso como uma paixão nasce dentro da gente. E lá se vão treze anos que o meu amor pelo Cinema foi à primeira vista. Confesso que comecei a frequentar tarde, minha primeira sessão eu já estava com 17 anos, mas lembro dela como se fosse hoje. O filme escolhido foi Premonição 2, e o Cinema foi o North Shopping. Comprei o ingresso meio que sem jeito na bilheteria, pois era a primeira vez que eu me encontrava ali. Fui sozinho. Parecia que o destino tinha marcado um encontro entre eu e aquela sala escura. Lembro que segui a fila de entrada da sala e me sentei, se não me falha a memória, na terceira fila. Era período de férias, dia 03/07/2003 e o Cinema estava lotado. Até aquela hora eu não sabia ao certo o que iria acontecer. Até que a sala ficou completamente escura e a tela foi ligada. Naquele momento eu me apaixonava pelo Cinema.

Saí da sessão de Premonição 2 totalmente extasiado. Sem acreditar na sensação que aquele momento me causou. Meu desejo era assistir um filme atrás do outro (e muitos outros vieram, afinal, lá se vão 500 sessões). Estava no meu último ano no colégio, mas o amor pelo Cinema era tão grande que cheguei a gazear aula. Sessões de Lisbela e o Prisioneiro, Identidade e Freddy x Jason, foram conferidas assim. O Cinema ia se tornando o meu lugar preferido.

Engraçado o poder que o Cinema tem sobre a gente. Esse poder de te transportar para outro lugar, para dentro de uma história nem que seja por um instante. Foi assim que eu me senti na sessão do épico O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei. Fui transportado para a Terra Média e vivi todas as emoções e dificuldades que Frodo e seus amigos passaram, como se eu também estivesse lá. Foi o primeiro filme que realmente me emocionou dentro do Cinema, o primeiro em que chorei.

Participei de grandes maratonas como em 2012 quando aconteceu antecedente ao longa Os Vingadores, que a galera do Cinema Com Rapadura organizou no Shopping Benfica. Meus amigos Raphael Gomes (PH) e Pedro Henrique me acompanharam nessa “loucura cinematográfica” que começou a exibir Homem de Ferro as 23:00 e seguiu madrugada a dentro com O Incrível Hulk, Homem de Ferro 2, Thor  e Capitão América: O Primeiro Vingador que terminou as 10:00. Por incrível que pareça foram 11 horas seguidas de filmes. Loucura? Alguns podem achar que sim, mas para mim e meus amigos foi uma experiência incrível. Ainda em 2012, a galera do Cinema Com Rapadura também fez a Maratona Batman, e mais uma vez, eu e PH estávamos lá.

O dia 03/07/2013 marcava 10 anos da minha primeira sessão. Então escolhi o mesmo dia e Cinema onde aconteceu a primeira sessão para comemorar esta data. O filme escolhido foi Guerra Mundial Z, um bom filme que acabou ficando marcado nessa minha caminhada pela paixão cinematográfica.

O bom de completar essa marca de 500 sessões dentro de uma sala de Cinema, foi me fazer lembrar muitas histórias que aconteceram antes, durante e depois das sessões. Eu dividi essas histórias em momentos.

Momentos cômicos:

Como duas senhoras sentadas ao meu lado na sessão de A Paixão de Cristo que xingavam fervorosamente a figura de Satanás;

No dia 28/05/2009 fui com meu amigo Manoel assistir Uma Noite no Museu 2 em Maracanaú. Precisaríamos ir de trem e fomos. A sessão terminou faltando 10 minutos para o último trem partir para Fortaleza. O jeito foi dar aquela “carrera” para a estação.

Momentos tensos:

Mais uma vez acompanhado do meu grande amigo Manoel, fomos assistir À Profecia. Aquele mesmo do garotinho que tem no couro cabeludo o 666, em pleno dia 06/06/2006. Coincidência ou não, o cinema do North Shopping teve uma queda de energia;

Outro momento tenso foi quando o meu amigo Samuel Matos pediu (já um pouco irritado) para um grupo de jovens calarem a boca durante a sessão de Hancock.

Momento Cara de Pau:

Em outra sessão, dessa vez de Jogos Mortais 2, meu amigo Clayton Carvalho se enganou com o preço do ingresso e não tinha todo o dinheiro para comprar, antes que eu oferecesse pagar a sua entrada, ele foi ao rapaz que liberava a entrada para as salas e conversou. E acredite, o cara o deixou entrar;

Nove pessoas foram comigo curtir Homem de Ferro 2, Fabrícia Silva, Thiago Silva, Fabrício Silva e Keliane Abreu eram algumas dessas pessoas. Comprei o ingresso de todos, porém, esqueci de um, o meu. Voltei a bilheteria, no mesmo caixa em que comprei e expliquei a situação. Porém, a sessão já tinha lotado. Então, pedi um ingresso para assistir outro filme (não lembro qual). E na maior cara dura, entrei na sessão de Homem de Ferro 2, e com certeza, alguém (que eu não conheço) assistiu a esse filme sentado nos degraus da escada… ou no colo de alguém, nunca se sabe. Mas o que importa é que eu assisti a esse filme com os meus amigos.

Momento Solitário:

Apenas eu tinha comprado ingresso para assistir Nova York, Eu Te Amo no Cine São Luiz que tem capacidade para mais de mil pessoas. É ou não é amar muito cinema?

A mesma coisa aconteceu em 2009 na sessão de X-Men Origens: Wolverine, no recém-inaugurado Centerplex Via Sul, onde eu mais uma vez tive a sorte de ter uma sala de cinema só para mim.

Momento Inesperado:

Com tantas idas ao Cinema, uma delas me reservou um encontro inesperado. Eu e meu amigo Manoel fomos conferir Trapaça no Shopping Iguatemi. Ao final do filme, enquanto o público saía da sala, Manoel reparou em uma senhora baixa e com os cabelos bem penteados, como aqueles que as mulheres usam em festa. Brincando, ele falou: “Olha ali, parece a Yolanda Queiroz”. Quando íamos descendo as escadas, olhamos rumo ao elevador e para a nossa surpresa, era sim a Yolanda Queiroz! Hoje falecida, a mulher mais rica do Ceará, dona do Grupo Edson Queiroz, esteve na mesma sessão que nós. Ela estava acompanhada de sua filha, Renata Jereissati, mulher do político Tasso Jereissati. Eu e Manoel desistimos de pegar a escada e fomos pegar o elevador junto com elas. Enquanto descíamos, o elevador parou em um piso que eu pensava que era o que nós iríamos descer, porém, vi que não era e voltei para dentro. Foi nesse momento que uma mão tocou minha cintura, e quando olhei para trás, para a minha surpresa, era Renata Jereissati. Ela falou: “Com licença”. Eu respondi: “Toda”. Ela saiu e quando sua mãe, a senhora Yolanda passou, toquei meu ombro no dela para ver se passava um pouco da riqueza dela para mim. Sempre que me lembro dessa história com o Manoel, falamos que essa foi e sempre será, a sessão mais rica que tivemos.

Momentos históricos:

As sessões foram passando e eu cheguei na 100°. E por ser um momento especial, uma marca importante, fui sozinho curtir O Gângster. Parece estranho, mas não queria estar rodeado de amigos naquele momento. Eu queria apenas eu e a enorme sala escura do Iguatemi para curtir a sessão 100;

Bem diferente da sessão 100, eu queria estar rodeado dos meus amigos quando a sessão 200 chegasse. Convidei alguns amigos e boa parte compareceu, entre eles, Fabrícia, Thiago, Fabrício, Keliane e alguns outros. E no dia 23/05/2010 curtimos Robin Hood, e pude aproveitar ao lado dos meus amigos uma marca que eu nunca pensei alcançar;

Fabrícia e Thiago me acompanharam na sessão 300, no dia 26/02/2012 e conferimos A Invenção de Hugo Cabret, um filme que fala justamente sobre cinema, do amor que essa arte causa em tanta gente;

A sessão 400 aconteceu no dia 23/02/2014 com o filme Ela, e assim como na sessão 100, comemorei sozinho, até mesmo porque o tema do longa se referia a solidão;

Antes de contar qual foi à sessão 500, uma pausa para falar sobre a sessão 463 com o filme Divertida Mente, que foi muito especial para mim, pois foi o primeiro cinema junto da minha amiga, companheira e namorada Tacy Santos. Minha eterna parceira de idas e vindas do cinema que já acumulamos mais de 20 sessões juntos onde partilhamos essa paixão por cinema. E foi com ela que aconteceu a sessão 500, no dia 16/07/2016 com o belo filme Procurando Dory no Shopping Iguatemi.

Frases que ficaram na história:

Eu não acredito que esse robozinho vai fazer a gente chorar”, meu amigo Marnando Júnior na sessão de Wall E;

Cadê o rabo do Goku!!!”, gritou meu amigo Anderson Brasil na sessão do HORRÍVEL Dragonball: Evolution;

“O Dumbledore morreu?!”, atônito e emocionado Thiago Silva não acreditava na morte do mentor de Harry, na sessão de Harry Potter e o Enigma do Príncipe;

O pessoal caprichou no material de divulgação do filme Noé”, escrevi no Twitter ironizando o fato da enorme chuva que caía aqui em Fortaleza justamente quando eu estava a caminho da sessão de Noé.

Depois de tantas lembranças, resta agora agradecer a tantas pessoas que estiveram comigo em várias sessões de cinema. Gostaria de agradecer ao Manoel Delmino que já me acompanhou em 32 sessões (é o recordista até agora), a Fabrícia Silva que me acompanhou em 31 e também ao Thiago Silva, Raphael Gomes, Clayton Carvalho, Marnando Júnior, Fabrício Silva, Keliane Abreu, Nayara Torres, Aricélia Carvalho, Pedro Henrique, Paula Santiago, Jhonathas Marreira, as irmãs Paixão (Cinthya e Jéssica), Samuel Matos, as irmãs Negreiros (Larissa e Beatriz), Diana Lima, Luiza Carolina, Lúcia Karine, Lya Késsia, Tania Regina, Renata Tavares, Gabriela Moura, Livia Sibelly, Wanessa Caitano e muitas outras pessoas que já foram comigo no cinema. Um obrigado especial a minha amada Tacy Santos, que além de viajar comigo nessas histórias, me ajudou a juntar essas lembranças. Obrigado a todos, vocês fazem parte desta história. Da minha história.

Cinema é acompanhar histórias e registrar momentos que nunca serão esquecidos.
Evilmar Almeida

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Cinema: Procurando Dory

Procurando Dory

Chega aos cinema a tão esperada sequência de Procurando Nemo (2003), Procurando Dory (2016). Essa demora de mais de 10 anos é explicada pelo diretor Andrew Stanton que ainda se recupera do fracasso do filme live action John Carter: Entre Dois Mundos. Antes de ser adquirida pela Disney, a Pixar tinha uma política de não fazer sequência de seus filmes (exceção apenas para Toy Story), para que fossem produzidos apenas filmes brilhantes e originais, sem perder a originalidade e não correr o risco de produzir animações inferiores. Segundo Andrew, a longa espera se deu pelo fato que só agora houve a história certa para enfim a Pixar continuar a sequência dos nossos tão queridos personagens Marlin, Nemo e Dory. O diretor já conseguiu ganhar dois Oscar por animações produzidas anteriores (o primeiro com a aventura do peixe palhaço Marlin a procura de seu filho, Procurando Nemo, e o segundo com o fantástico Wall-e)

A premissa dessa história se assemelha muito com a anterior, Dory, que sofre de perda de memória recente, começa a ter pequenos flash de memórias sobre seus pais e a sua origem, fazendo com que Nemo e Marlin a ajudem nessa jornada novamente pelo gigantesco oceano. Dessa vez não é mais para P Sherman, 42, Wallaby Way-Sydney, e sim para o Instituto da Vida Marinha (IVM) na California.

Somos novamente apresentados a personagens tão queridos da primeira sequência, à arraia que é professor de Nemo e à tartaruga de pente com seus filhotes. Porém, o longa conta com novos personagens que ganham um certo espaço na trama. Todos são bem arquitetados e com personalidades marcantes, que transformam essa nova jornada em um passeio divertido e emocionante. Podemos destacar alguns, como o Polvo Hank que ajuda Dory a se orientar no Instituto; Bailey, uma baleia branca que está convencida que suas habilidades de ecolocalização não funcionam mais e Destiny, um tubarão baleia míope que foi quem ensinou o tão famoso baleiês a Dory.

O padrão Pixar nos é apresentado novamente. A narrativa vai além da busca da peixinha por seus pais, aborda também a questão da aceitação de deficiências e personalidades, além, claro, da família (mostrando a importância não apenas da genética, mas também da família de coração). O humor próprio do estúdio continua lá, porém com piadas não tão originais assim, que o público já teve a oportunidade de ouvi-las no primeiro longa.

O estúdio continua surpreendendo o público com a questão estética. A evolução nas ferramentas de animação é de um primor aos olhos, os movimentos, a luz e a realidade da água, mudando de cor de acordo com a profundidade que os protagonistas estavam é surpreendente para o público. A construção de cada personagem, trazendo com ele as características da espécie em cada detalhe é outro acerto para o longa.

Mesmo com todo esse destaque, Procurando Dory falha em se tornar memorável. Para os jovens de plantão acima de 13 que puderam assistir ao primeiro sucesso da saga, é notório que o estúdio, a pedido da Disney, tentou tirar o máximo possível de um sucesso que não foi criado para ter sequência. É competente, mas não acrescenta em nada ao universo original de filmes. Serve como nostalgia para os fãs ver os tão queridos personagens, com risadas e uma pitada de emoção, além de citar a excelente dublagem na versão brasileiro, que nos arrancou gargalhadas com piadas exclusivamente nossas encaixadas na trama.

Apesar desses deslizes na narrativa, a animação já bateu recordes de bilheterias de grandes animações do estúdio Disney, como O Rei Leão, e isso só aponta para o grande acerto comercial.

Procurando Dory é uma boa pedida para assistir, divertido, visualmente lindo e que pode até arrancar lagrimas de alguns telespectadores. Pode não ser o destaque do estúdio desse ano, mas com certeza vale muito a pena ser conferido.

Nota 8

Finding Dory, 2016. Direção: Andrew Stanton e Angus MacLane. Com as vozes originais de: Ellen DeGeneres, Albert Brooks, Ed O`Neill, Kaitlin Olson, Hayden Rolence, Ty Burrell, Diane Keaton, Eugene Levy, Sloane Murray, Sigourney Weaver. 97 Min. Animação.

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