Cinema: Thor – Ragnarok

Após quatro anos desde o seu segundo filme solo, o Deus do Trovão retorna para uma terceira empreitada em Thor: Ragnarok. Apostando em um jeito bem peculiar, com o estilo de seu diretor, Taika Waititi, o filme está dividindo opiniões.

No filme, após a morte de Odin, Asgard recebe Hela, irmã de Thor, que veio para assumir o trono. Após uma batalha, Thor e Loki acabam indo parar em outro mundo e precisam retornar para evitar a destruição do mundo e do povo de Argard.

O longa precisa ser avaliado em diferentes partes. Se você estiver esperando um filme repleto de ação, vai encontrar, porém, vai se incomodar com as várias (eu disse, várias) cenas de comédia, e em sua grande maioria, comédia pastelão. Mas Thor: Ragnarok foi honesto com o público, pois já apresentava esse tipo de humor nos materiais que eram divulgados. Diferente de Homem de Ferro 3, que entregava um trailer carregado no drama, e quando chegou o filme foi um desastre.

Que todos os filmes da Marvel tem uma pontinha no humor, todos sabemos. Mas aqui está muito exagerado. Em algumas horas chega a ser chato, porque as vezes, logo após uma sequencia de drama, vem uma piada. Algumas são sem graça, e outras totalmente desnecessárias, como em certa cena que eles inserem a palavra “ânus”. Por outro lado, todas as piadas inseridas que envolvem o personagem Hulk funcionam. Aliás, Hulk é um dos destaques do filme.

O filme possui um visual deslumbrante e as cenas de ação feitas de dia, inclusive o clímax final é perfeito. A trilha sonora muitas vezes parece deslocada, apenas em alguns momentos, não em todo o filme. A música “Immigrant Song” de Led Zeppelin é bem utilizada nas cenas de ação, mas é pouco para uma série de filmes que sempre teve uma trilha incidental de muita qualidade.

Chris Hemsworth e Tom Hiddleston continuam com uma química incrível. Chris continua perfeito como Thor e Tom continua entregando um dos personagens mais incríveis da Marvel, Loki. Seu personagem continua aquele tipo dúbio, hora ajuda, hora é vilão. Mas nunca deixa de lado seus interesses. Mark Ruffalo está muito bem como Hulk. Agora um pouco mais controlado, Hulk está muito bem inserido nesse universo de Asgard. Tessa Thompson está incrível como uma guerreira Valquiria. Agora, o principal destaque do filme é Cate Blanchett. Seu visual, por vezes exagerado quando ela está com aqueles chifres, revela uma mulher poderosa, capaz de destruir um item muito importante do herói Thor. De todos os filmes que a Marvel nos entregou, não é exagero dizer que Hela foi a vilã mais poderosa.

Thor: Ragnarok parece meio deslocado do universo Marvel, talvez pelo humor ter passado da conta. Mas o filme é divertido. Mesmo com algumas piadas desnecessárias, o filme entrega uma aventura divertida, mas que não faz muita diferença para o universo que a Marvel cria no cinema.

Thor: Ragnarok, 2017. Direção: Taika Waititi. Com: Chris Hemsworth, Tom Hiddleston, Cate Blanchett, Idris Elba, Jeff Goldblum, Tessa Thompson, Karl Urban, Mark Ruffalo, Anthony Hopkins, Benedict Cumberbatch. 130 Min. Ação.

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Cinema: Doutor Estranho

APERTEM OS CINTOS, O MISTICISMO VOLTOU!

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Entre as diversas cenas dos 115 minutos de Doutor Estranho capazes de causar surtos de alegria, há uma que é uma joia: a doutora Christine (Rachel McAdams) tem de ressuscitar, sozinha na sala cirúrgica, um paciente em parada cardíaca. Só que o paciente tem a habilidade incomum de separar seu corpo astral de seu corpo físico e, enquanto Christine lida afobada com o desfibrilador, a projeção astral do paciente aproveita para se engalfinhar numa briga de bar com a projeção astral de um vilão. Rola sopapo esotérico para todo lado, alguns tão violentos que dão trancos na desesperada Christine, ou fazem soprar o cabelo dela, ou chacoalhar os equipamentos. Eu não sabia o que fazer primeiro, se roer as unhas ou gargalhar – e descobri que fazer as duas coisas ao mesmo tempo pode não ser fácil, mas é muito compensador. Essa junção de imaginação, ação, efeito, tensão, pastelão e até romance (a ressurreição do paciente é um legítimo gesto de amor por parte de Christine) é dosada com tanta felicidade, e resulta tão embriagante, que só por uma sequência assim um filme já justificaria sua existência.

Doutor Estranho conta a história de Stephen Strange (Benedict Cumberbatch), um neurocirurgião que leva uma vida bem sucedida, mas as coisas começam a mudar completamente quando ele sofre um acidente de carro e fica com as mãos debilitadas. Devido a falhas da medicina tradicional, ele parte para um lugar inesperado em busca de cura e esperança, um misterioso enclave chamado Kamar-Taj, localizado em Katmandu. Lá descobre que o local não é apenas um centro medicinal, mas também a linha de frente contra forças malignas místicas que desejam destruir nossa realidade. Ele passa a treinar e adquire poderes mágicos, mas precisa decidir se vai voltar para sua vida comum ou defender o mundo.

Doutor Estranho é o décimo quarto filme do Universo Cinematográfico Marvel, tem identidade e personalidade de sobra, mas é bem verdade que possui um roteiro não linear com algumas falhas evidentes. Porém, como já falei acima, Doutor Estranho tem muito a justificar em relação a sua existência: Benedict Cumberbatch é um ator frequentemente muito inspirado, mas aqui tem mais espaço para brincar até do que em Sherlock Holmes – e ele o aproveita tudo, e tira o sumo de cada cena e cada diálogo (o mesmo, aliás, vale para o restante do elenco). Tilda Swinton, esse ser vindo de alguma galáxia ofuscante, me deixou de joelhos como a Anciã (e não venham me dizer que é absurdo trocar um velhinho oriental por uma escocesa de meia-idade, porque absurdo seria não poder trocar o previsível pelo inesperado). O vilão Kaecelius é assim-assim, mas como quem o interpreta é Mads Mikkelsen vou fingir que não percebi; em Mads eu perdoo tudo. E esse clima viajandão é uma delícia: até os personagens parecem meio intoxicados com as coisas lisérgicas que são capazes de fazer (Londres girando como um cubo mágico, e dobrando-se sobre si mesma? Só assim Londres fica melhor do que já é). Nota 10, então, para Scott Derrickson, que faz aqui uma das transições mais elegantes que já vi, do terror de O Exorcismo de Emily Rose e Livrai-nos do Mal para o lado reverso do universo Marvel.

Quer mais encanto? Dentro de Derrickson, aparentemente, vivem também Moe, Larry e Curly, mais o Gordo e o Magro e a trupe inteira do Monty Python. A cena em que a Capa da Levitação escolhe Estranho como seu novo mestre? Brilhante. E ainda não acabou. Há um momento de beleza verdadeira, no qual a Anciã contempla o mundo e constata que qualquer vida, por mais longa que seja, é sempre muito curta (Tilda consegue transformar qualquer lugar-comum em revelação). Cuidado: se você não estiver preparado para sair de uma sessão de cinema em um estado inebriado, ou até eufórico, passe longe de Doutor Estranho.

Nota 9

Doctor Strange, 2016. Direção: Scott Derrickson. Com: Benedict Cumberbatch, Chiwetel Ejiofor, Rachel McAdams, Mads Mikkelsen, Tilda Swinton, Benjamin Bratt. 115 Min. Ação.

Cinema: Esquadrão Suicida

Esquadrão Suicida

Vamos falar a verdade. A DC não vive um bom momento em adaptações de suas histórias para o Cinema. Depois da fantástica trilogia Batman de Christopher Nolan, tivemos o bom O Homem de Aço, o mediano Batman vs Superman: A Origem da Justiça; e agora o bagunçado (isso mesmo):  Esquadrão Suicida. O filme que apresentou um trailer muito bom, entrega um longa cheio de erros em que poucas coisas se aproveitam. Parece clichê, mas é o famoso caso do trailer melhor que o filme.

O filme começa exatamente onde Batman vs Superman: A Origem da Justiça terminou. Com isso, o governo americano teme ameaças do mesmo poderio de um Superman ou do vilão de BvS, o Apocalypse, e decide pôr em prática um plano audacioso de colocar nas ruas vários vilões para combater essas ameaças sobre-humanas.

Assim, o Esquadrão Suicida é formado por Pistoleiro (Will Smith), Arlequina (Margot Robbie), Bumerangue (Jai Courtney), Diablo (Jay Hernandez), Crocodilo (Adewale Akinnuoye-Agbaje) e Magia (Cara Delevingne), e se juntam a eles dois membros do governo, Rick Flag (Joel Kinnaman) e Katana (Karen Fukuhara).

Esquadrão Suicida passou por muitos conflitos em seus bastidores. Após o fracasso de críticas de Batman vs Superman: A Origem da Justiça, novas cenas foram filmadas, além de Jared Leto ter divulgado que não gostou dos cortes em algumas de suas cenas. Essas novas cenas possivelmente seriam para tirar o tom um pouco mais sério que BvS teve, para dar um pouco mais de humor à história, uma coisa no estilo Guardiões da Galáxia. Porém, ficou apenas na tentativa. Toda essa bagunça nos bastidores deixou o filme parecido com uma colcha de retalhos, com um roteiro meia boca, uma péssima montagem e uma trilha sonora deslocada de sua história.

O diretor e roteirista David Ayer realiza um filme sobre uma equipe, porém, só dá destaque praticamente a dois personagens. É lógico que Will Smith e Margot Robbie são os mais conhecidos e talentosos, mas era de se esperar que o diretor criasse cenas mais elaboradas para conhecermos melhor alguns dos outros personagens, e não ficar jogando na tela sem nenhuma introdução considerável.

Três personagens merecem destaque: Arlequina, Pistoleiro e Amanda Waller (membro do governo). Para dar vida a Arlequina, foi escolhida Margot Robbie. Talentosa e linda, a atriz está com o humor apurado e certeiro em suas cenas. Com certeza Arlequina é uma das melhores coisas do filme. Will Smith interpreta Pistoleiro, um personagem com uma carga dramática alta, e que mais uma vez, o ator faz muito bem. As cenas de ação envolvendo o seu personagem também são as melhores do filme. Viola Davis dá vida a agente do governo Amanda Waller e coloca em cena uma postura rígida de uma mulher firme em suas decisões e que não tem medo de impôr o seu poder em personagens tão mais perigosos do que ela. Perfeita.

Agora vamos falar do Coringa. Desde que foi escolhido para interpretar o personagem, Jared Leto viu de perto a sombra de Heath Ledger. Mas algumas pessoas apostavam que sua interpretação seria do mesmo calibre que a de Ledger (inclusive era a opinião desse que vos fala). Porém, o que vimos no filme é de dar pena. Ver um ator da versatilidade de Jared Leto sofrendo com um péssimo roteiro e entregando uma atuação tão ruim, é realmente lastimável.

Ben Affleck também dá as caras no filme, em algumas pequenas participações (inclusive na cena pós-créditos). Uma dessas cenas foi criticada por alguns, em que Batman deixa uma garotinha ser escudo dele, enquanto uma arma é apontada para ele. Conhecendo o passado do personagem e os princípios dele, o Batman jamais deixaria isso acontecer. Mas como a bagunça já estava feita[…] A cena pós-crédito é importante tendo em vista os planos futuros da DC nos cinemas.

Outros personagens mereciam mais destaque em cena, como Crocodilo e Diablo. Outros carecem de talento como é o caso de Magia, interpretada por uma insossa Cara Delevingne.

A DC e a Warner derraparam muito com Esquadrão Suicida. Agora é esperar para ver se alguma coisa mudará nos próximos longas, da Mulher Maravilha e da Liga da Justiça.

Nota 4

Suicide Squad, 2016. Direção: David Ayer. Com: Will Smith, Margot Robbie, Jai Courtney, Jay Hernandez, Adewale Akinnuoye-Agbaje, Cara Delevingne, Joel Kinnaman, Karen Fukuhara, Viola Davis, Ben Affleck. 108 Min. Ação.

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Cinema: X-Men – Apocalipse

A Odisseia Perdida de Bryan Singer

X-Men Apocalipse

Definitivamente, não tem nenhuma importância quais truques se escondam no genoma dos X-Men, há uma coisa que não se altera: o quanto esses mutantes são deliciosamente, enfurecedoramente, trágica e magnificamente humanos. De todos os diversos personagens de quadrinhos que já chegaram ao cinema nessa última década, não há outros que se pareçam mais com você e eu. Ciúme, mau-humor, teimosia, ingenuidade, tolice, pessimismo – os X-Men compõem um catálogo tão vívido dos defeitos universais ao Homo sapiens, e às vezes são capazes de uma generosidade e uma lealdade tão autenticamente humanas também, que é obrigatório reconhecer: não existe gente mais comum do que eles. Foi sempre nisso que Bryan Singer, como diretor e/ou produtor da série, se ancorou: o público vai ao cinema pelos poderes especiais dos X-Men, mas fica porque se reconhece neles. Singer levou tão a sério esse preceito que pode-se argumentar que ele trata as características mais extraordinárias dos mutantes quase que como alegorias – como se elas fossem a expressão em forma bruta dos traços de caráter preponderantes de cada um dos X-Men. Dou um exemplo: Eric Lensherr/Magneto foi tão traumatizado por Auschwitz que, quando perde a compostura, vira a esquina – ou seja, reproduz no seu comportamento a agressividade e a megalomania de que ele próprio foi vítima. É uma ideia robusta, e por isso ela foi sempre cuidadosamente protegida e mantida em todos os filmes. Até aqui: X-Men: Apocalipse, abandona essa lógica. E, apesar de suas inegáveis qualidades como entretenimento, ele mais desvia a série do caminho do que a faz avançar. Dá vontade de fazer como Mercúrio (o ótimo Evan Peters) na única sequência verdadeiramente excepcional do filme: congelar a ação, ajeitar tudo que está meio fora de lugar, dar um retoque aqui e ali, por pura diversão, e só então fazer o tempo andar novamente.

O longa tem como tônica Apocalipse, En Sabah Nur (Oscar Isaac) é o mutante original. Após milhares da anos, ele volta a vida disposto a garantir sua supremacia e acabar com a humanidade. Ele seleciona quatro Cavaleiros nas figuras de Magneto (Michael Fassbender), Psylocke (Olivia Munn), Anjo (Ben Hardy) e Tempestade (Alexandra Shipp). Do outro lado, o professor Charles Xavier (James McAvoy) conta com uma série de novos alunos, como Jean Grey (Sophie Turner), Ciclope (Tye Sheridan) e Noturno (Kodi Smit-McPhee), além de caras conhecidas como Mística (Jennifer Lawrence), Fera (Nicholas Hoult) e Mercúrio (Evan Peters), para tentar impedir o vilão.

A estratégia do roteiro é até um pouco emblemática na rusga ideológica entre o conciliador Professor Xavier e o vingativo Magneto. Mas digamos que o problema é precisamente Apocalipse, o primeiro mutante e o mais estrondosamente poderoso de todos eles, já que desde tempos imemoriais vem acumulando habilidades. Há quase cinquenta séculos Apocalipse estava adormecido, nos subterrâneos da cidade do Cairo. Mas, ao despertar, quer pegar a coisa do ponto em que a deixou – preparando uma nova hecatombe para destruir a humanidade e a civilização e, assim, galgar mais um degrau na sua ascensão divina.

Bryan Singer dirige com muita competência e mais uma vez acerta na sua assinatura visual, deixando o longa visualmente inspirado nos desenhos de televisão dos anos 1990 e em algumas edições dos quadrinhos, mas ao colocar entre os X-Men o tão repisado megavilão que quer massacrar e destruir, ele vai contra o que pregou até aqui. Uma das melhores sacadas da série foi rejeitar os vilões “de quadrinhos” e preferir figuras facilmente encontráveis na geopolítica contemporânea: um senador que quer registrar os portadores de mutações da mesma forma como se registram os criminosos sexuais, um industrial do setor de Defesa que fomenta uma guerra para ganhar com ela, um cientista que quer curar mutantes (pressupondo, portanto, que ser X-Men é uma doença), militares que querem “weaponizar” os mutantes ou conspiram para criar um clamor popular em favor de sua erradicação. Quase sempre, também, as tramas de X-Men se desenrolaram em cenários que poderiam ter sido tirados do noticiário, ou de fato o foram – da II Guerra Mundial à Crise dos Mísseis de Cuba de 1962, da derrocada americana no Vietnã à opressão no Bloco Comunista, os filmes já se aproveitaram de uma infinidade de eventos históricos nos quais imbricar o enredo (até para a bala maluca que matou John Kennedy já se deu uma explicação). Aqui, porém, Singer transplanta a série para o território da fantasia, onde ela nunca teve raízes – e onde ela é só mais uma entre tantas outras.

Nota 6

X-Men: Apocalypse, 2016. Direção: Bryan Singer. Com: James McAvoy, Michael Fassbender, Jennifer Lawrence, Nicholas Hoult, Oscar Isaac, Evan Peters, Sophie Turner, Tye Sheridan, Lucas Till, Kodi Smit-McPhee. 144 Min. Ação.

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Cinema: Capitão América – Guerra Civil

Capitão América - Guerra Civil

E chega aos cinemas Capitão América: Guerra Civil, um dos filmes mais esperados do ano, não só por colocar o Capitão América e o Homem de Ferro frente a frente com suas divergências de pensamentos, mas também por mostrar pela primeira vez o Homem Aranha em um filme do universo cinematográfico da Marvel.

Os acontecimentos de Capitão América: Guerra Civil se passam logo depois de Vingadores: Era de Ultron. Depois da destruição do ataque de Ultron, que deixou um rastro de destruição, seguido de um erro cometido pela Feiticeira Escarlate, os políticos adotam como medida um acordo intitulado de Tratado de Sokóvia, nele os heróis precisariam se registrar para conter futuras catástrofes em grande escala envolvendo esse tipo de conflito e, é claro, responsabiliza-los em caso de erros. É nesse ponto que os dois principais heróis da história divergem em seus ideais e pensamento. De um lado temos Steve Rogers que não aceita se registrar, pois acredita que é bem melhor os heróis atuarem da forma em que estão; e do outro lado temos Tony Stark que acredita que se registrar junto ao governo seja o melhor que os heróis possam fazer. Esse conflito de pensamentos faz com que cada herói consiga adeptos para lutar por cada ideal. O que faz com que o filme seja uma overdose de heróis a todo momento.

Dois pontos merecem muito destaque no roteiro. O primeiro é o filme não mostrar nenhum dos dois heróis como vilão. Entre os conflitos deles, não existe bem ou mal, existe sim, como já falei acima, uma divergência de pensamentos. E isso faz com que seja bacana para o espectador escolher de qual lado ficar, criando assim uma interação bastante interessante entre filme-público. Até nas campanhas de marketing, a Marvel trabalhou muito bem isso, evidenciando muito na grande rede os Times de Capitão América e Homem de Ferro. Outro ponto bastante positivo foi o filme ter acertado na dramaticidade. Os diretores Anthony e Joe Russo entregam o filme mais maduro e dramático do universo Marvel. Aquele drama que Homem de Ferro 3 prometeu entregar, mas que ficou só no trailer, aqui é trabalhado de maneira cuidadosa pelos irmãos Russo. Aqui, vários personagens tem seus dramas internos, e acompanhar as tomadas de decisões de cada um deles, nos faz participar da história de uma maneira incrível. É muito bom, por exemplo, você ver um ator como Robert Downey Jr. trabalhando o seu ótimo lado dramático, como ele já fez muito bem em filmes mais antigos, como em Chaplin.

Apesar de ir fundo no drama, o filme tem seus momentos engraçados, não muitos, mas tem. E um fato muito bom é que essas piadas não ficam com Tony Stark. Homem Aranha e Homem Formiga são os responsáveis por diálogos e frases hilárias, que vão divertir e fazer rir no momento e na medida certa. Os irmãos Russo souberam dosar muito bem e equilibrar a história de maneira muito satisfatória para que essas piadas não estragassem o conteúdo dramático do filme.

Outro acerto dos irmãos Russo é a boa introdução que eles fazem com o personagem Pantera Negra, interpretado pelo ator Chadwick Boseman. Também com seus dramas internos, o personagem nos envolve de uma maneira muito interessante, a ponto de sua história e seu passado nos interessar mais do que suas habilidades como herói. Outro integrante que dispensa apresentações e que foi muito bem utilizado, foi o Homem Aranha. Interpretado pelo jovem Tom Holland, o garoto tem o carisma suficiente para fazer com que o seu Homem Aranha seja o melhor que o cinema já viu. Ele cai de paraquedas no meio do conflito entre Capitão América e Homem de Ferro, e é nesse momento que o personagem utiliza todo o humor característico do papel. A primeira aparição do Aranha no mundo Marvel nos cinemas foi inesquecível.

O filme possui pequenos erros, nada muito grave. Uma cena em especial, na minha opinião, ficou muito artificial. A cena em questão é uma de ação em uma rodovia. Fica claro que nas mãos de um diretor mais experiente como um Ridley Scott ou um George Miller, essa cena ficaria incrível. Outro ponto que me incomodou foi o vilão Zemo, interpretado por Daniel Bruhl. Considero um personagem fraco e um vilão apagado, sem brilho. Um personagem que está na história sustentando o papel de vilão, mas que no fim da história, se não estivesse lá não teria feito diferença nenhuma.

Capitão América: Guerra Civil mostra um amadurecimento nas histórias da Marvel, que nos remete a lembrar da excelente Trilogia Batman de Christopher Nolan. Agora é torcer que esse amadurecimento continue sendo bem utilizado nas próximas histórias do universo Marvel.

Nota 9

Captain America: Civil War, 2016. Direção: Anthony Russo e Joe Russo. Com: Chris Evans, Robert Downey Jr., Scarlett Johansson, Sebastian Stan, Anthony Mackie, Don Cheadle, Jeremy Renner, Chadwick Boseman, Paul Bettany, Elizabeth Olsen, Paul Rudd, Emily VanCamp, Tom Holland, Daniel Bruhl. 147 Min. Ação.

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“Capitão América: Guerra Civil”: Quando cinema é a melhor diversão

Confesso: estava com dois pés atrás com Capitão América: Guerra Civil (Captain America: Civil War, dir. Anthony Russo e Joseph V. Russo, 2016) e admiti isso francamente lá no meu Facebook. E tinha bons motivos:

  1. Aquele trailer. Imagino, aliás sei, que o marketing da Disney é danado de bom e mirou exato no alvo do público essencial do filme. Que não sou eu. Isso talvez explique porque, depois de ver algumas iterações do trailer, minha vontade de ver Guerra Civil chegou abaixo de zero.
  2. A overdose de filmes de super-herói. Neste último sábado, numa workshop de marketing e branding, a Marvel foi usada como case de uma grande virada de reposicionamento. E é mesmo – justo quando o consumo de seus quadrinhos estava em estagnação indo para a decadência, ela se reinventou desencarnando conteúdo de plataforma e invadindo cinema, TV e games. Palmas pra ela. Agora, que já esgotou minha paciência, ah isso já.

Tendo dito tudo isto, evitei como pude as sessões mornas e fui ver Guerra Civil como se deve – num cinemão de bairro lotado, com um balde de pipoca no colo e cercado pelo público-alvo por todos os lados. E adorei.

Alguns colegas apontaram – com razão – que Guerra Civil é um filme transnarrativa, ou meta-meta (termo que soa absolutamente pornográfico em nosso idioma, mas vá lá…). Ou seja, é um filme que prescinde de história, que se segura num fiapo de trama sem nenhum compromisso com fazer sentido ou apresentar grandes contornos dos personagens e seus dilemas. É um filme sobre uma experiência audiovisual. Quase, desculpem a blasfêmia, um Terrence Malick trincado depois de uma overdose de Red Bull.

Certo, existe um elemento disparador – um bando de políticos buscando algum meio de controlar os super-heróis (já que seus atos afetam toda a humanidade). Cada qual com sua agenda – mas isso é o de menor importância. Estudiosos e fiéis do cânon Marvel – no qual a saga Guerra Civil é decididamente um evangelho maior- poderão discorrer longamente sobre as motivações subjetivas do capitão Steve Rogers e Tony Stark, ou sobre a própria rota de colisão de ambos.

Para mim, e, pelo jeito, para quase todo mundo na sala de cinema superlotada, não fazia a menor diferença. O prazer do filme era seu ritmo exato, sua medida certa entre ação e aventura, seu grupo de adoráveis super-heróis no meio de tudo, a dinâmica de suas sequências de ação de lutas limpas. Tudo isso ao som da mais bonita trilha do ano e uma engenharia de som que beira ao exato.

Não é a toa que o cinema estava cheio de famílias completas, mães e pais e avós e avôs levando seus filhos e netos e divertindo-se com eles, possivelmente por motivos diferentes, cada qual criando sua própria história e referências em cima da experiência de ver o filme. Meta-meta. A obra é a história.

Então, Disney, desculpe a desconfiança. Eu devia ter lembrado que desde a aquisição da Marvel você já produziu o ótimo Soldado Invernal (Captain America: The Winter Soldier, 2014), o excelente Guardiões da Galáxia (Guardians of the Galaxy, 2014) e o “estranho” mas super interessante Homem-Formiga (Ant-Man, 2015). E qualquer filme que começa com uma tirinha de Henry Jackman já ganha meu coração logo na largada.

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Cinema: Batman vs Superman – A Origem da Justiça

Batman vs Superman - A Origem da Justiça

Desde que foi anunciado, Batman vs Superman: A Origem da Justiça já causava euforia no mundo dos cinemas por dois motivos: o primeiro era o embate entre o Morcego de Gotham e o Filho de Krypton e o outro era A Liga da Justiça começando a ganhar vida nas telonas. Mas nem tudo foram flores depois do filme lançado. A viagem que fazemos durante todo o longa é boa, mesmo que durante o percurso seja possível observar alguns erros.

O filme começa onde O Homem de Aço terminou. Bruce Wayne assiste ao confronto final entre Superman e o General Zod. Esse confronto fez com que a população mundial se dividisse acerca da presença do Homem de Aço aqui na Terra. Bruce começa a investigar o laboratório de Lex Luthor, que descobriu o poder da Kryptonita, na qual consegue eliminar e enfraquecer o Superman.

A missão de Batman vs Superman: A Origem da Justiça, além do embate entre os dois heróis, era de servir de introdução para o filme da Liga da Justiça. Durante o longa podemos observar heróis como Flash e Aquaman sendo mostrados, além da Mulher Maravilha que ganha mais destaque no longa. O diretor Zack Snyder tinha em mãos várias tramas e sub-tramas para montar o filme. Curiosamente o filme parece andar rápido demais com suas várias histórias, logo um filme do Snyder, conhecido por suas câmeras lentas, marca registrada do diretor.

O filme começa com a já conhecida cena da morte dos pais de Bruce Wayne. Por mais que a cena já seja conhecida por todos que acompanhem o homem morcego, o trabalho de Snyder com o tratamento da cena inicial foi espetacular. Sua câmera lenta utilizada na cena, junto a trilha de Hans Zimmer, fazem captarmos melhor sentimentos como o medo da situação, assim como a beleza estética da cena, culminando na descoberta da Batcaverna pelo pequeno Bruce.

A cena inicial nos deu uma impressão de que o filme seria todo ele espetacular, tamanha a qualidade. Daí somos apresentados aos personagens. Diga-se de passagem, durante a produção do filme, três atores foram muito criticados por serem escolhidos: Ben Affleck, Gal Gadot e Jesse Eisenberg. E para quem criticou os três estavam bem errados. Affleck entrega um Batman mais sisudo, mais centrado nos seus pensamentos. O ator em momento algum deixa a desejar. Gal Gadot se mostra fantástica nas cenas de ação em que a amazona participa nos deixando esperançosos de que o filme solo da Mulher Maravilha seja muito bom. E Jesse Eisenberg, na minha humilde opinião, é a melhor coisa do filme. Com sua fala rápida e diálogos muito bem colocados, ele entrega uma atuação com um tom um pouco doentio, que nos remete a lembrar do Coringa de Heath Ledger. Henry Cavill se mostra um pouco apático durante todo o filme, o herói parece acordar na atuação apenas quando a sua amada Lois, está correndo perigo. Se essa atuação fria se deve ao fato da população mundial estar dividida entre a sua presença na Terra, Snyder não trabalhou muito bem isso no longa.

Como falei antes, Snyder tinha em mãos muitas histórias para usar no filme, e essa colcha de retalhos começa a ser usada logo após a brilhante cena inicial. São tantas cenas aleatórias que você pode se sentir um pouco confuso com tanta coisa introduzida no filme. E por ter várias histórias, a direção de Snyder parece um pouco perdida. O diretor que sempre entregou ótimos filmes, como Madrugada dos Mortos, Sucker Punch: Mundo Surreal, O Homem de Aço, entre outros, aqui não está nem um pouco inspirado. A impressão que da é que ele foi montando o filme do jeito que dava, sem falar que algumas coisas poderiam nem ser utilizadas no longa, como por exemplo, os sonhos de Bruce Wayne ou a trama envolvendo Lex Luthor e a Senadora Finch, que praticamente ao final foi até deixada de lado.

O roteiro cheio de histórias e que prejudicou a direção de Snyder, acerta em cheio na trama que une Batman e Superman, que a deixa quase que em tom poético o envolvimento de homens e deuses. Os filmes da DC sempre foram conhecidos por carregar mais uma carga dramática do que os da Marvel, que é sempre muito colorido e recheado de cenas engraçadas. Aqui em Batman vs Superman é justamente um arco dramático que fará os dois heróis ficarem lutando do mesmo lado, já soltando um pouquinho de spoiler. Algo que está acontecendo no presente com Superman, que fará o Batman lembrar do seu passado, e assim unir forças junto ao Filho de Krypton na luta contra as loucuras de Lex Luthor.

Outro ponto acertado no filme foi o modo como a Mulher Maravilha foi introduzida. O trailer sempre me deixava inquieto como isso iria acontecer, pois no trailer ela aparecia de repente no meio da ação, fazendo o Batman e o Superman se olharem intrigados pela presença dela. Porém, logo fez sentido e a personagem de Gal Gadot é uma das melhores coisas no filme, quando se trata de ação.

Batman vs Superman: A Origem da Justiça tinha capacidade de ser muito mais do que foi. Infelizmente a direção de Snyder, junto com um roteiro repleto de tramas, faz com que o filme tenha um sério problema de estrutura, o que deixa o filme regular. Longe de ser épico, o filme conseguiu introduzir os heróis da liga nas telonas. Depois de uma trilogia Batman fantástica, e um O Homem de Aço ótimo, é torcer que o futuro dos heróis da DC retome o caminho certo, depois dessa pequena derrapada de Batman vs Superman.

Nota 7

Batman v Superman: Dawn of Justice, 2016. Direção: Zack Snyder. Com: Ben Affleck, Henry Cavill, Amy Adams, Jesse Eisenberg, Diane Lane, Laurence Fishburne, Jeremy Irons, Holly Hunter, Gal Gadot, Kevin Costner. 151 Min. Ação.

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