Cinema: Jurassic World – Reino Ameaçado

Em 2015 o mundo jurássico retornou aos cinemas com Jurassic World: O Mundo dos Dinossauros. O papel de trazer nostalgia para os mais antigos e apresentar este mundo para a nova geração, foi bem feito pelo diretor Colin Trevorrow, que entregou um longa repleto de ação. Nessa nova aventura, Trevorrow assume a cadeira de roteirista e passa para a de direção para J. A. Bayona (O Impossível).

Jurassic World: Reino Ameaçado se passa três anos após o fechamento do Jurassic Park, em que um vulcão está prestes a entrar em erupção e acabar com todos os dinossauros. E o debate que fica é: os dinossauros que lá vivem, devem ser salvos ou precisam cumprir sua sina e morrerem quando o vulcão acordar?

O roteiro em si não apresenta nada de muito novo, fora o fato de um vulcão entrar em erupção. No mais, temos a mesma estrutura de personagens dos outros filmes, dinossauros mudados geneticamente, pessoas poderosas querendo lucrar com isso, tudo isso sem se esquecer de entregar mais nostalgia e sempre homenagear o clássico da década de 90.

O diretor J. A. Bayona consegue entregar um mix de ótimas cenas. Algumas delas bastante tensas, na verdade. Uma dessas cenas, que acontece num quarto de uma criança, é uma referência a outro clássico do cinema, Alien. O diretor trabalha muito bem cenas onde podemos apreciar o fascínio pelos dinossauros, apreciarmos a sua estrutura e camadas, afinal de contas, eles são os verdadeiros protagonistas dessa franquia clássica. Cenas bem construídas, como a de um dinossauro morrendo devido à lava do vulcão, conseguem comover, por mais que esse não seja o real sentido do filme. Outra cena bem legal, por mais que seja curta, é no final quando um leão e o T-Rex rugem frente a frente. Aquela cena nos da uma dimensão de tanta coisa, se pararmos pra pensar. Particularmente, eu achei uma das melhores.

Os personagens Owen (Chris Pratt) e Claire (Bryce Dallas Howard) retornam para esta sequência, e é justamente neles que acontecem um dos poucos problemas do filme (e da franquia). No filme de 2015, foi insinuado um possível par romântico para a dupla, porém, pareceu forçado. A mesma coisa acontece neste novo filme, em que ficamos sabendo (rapidamente) que eles tentaram se envolver, não deram certo e cada um foi para o seu lado. Para lá no final do filme, uma cena forçada de beijo com os dois. A impressão que dá, é que é “só pra ter” a cena de beijo. O “romance” dos dois não é bem trabalhado em nenhum dos dois filmes, não é aprofundado. E sendo assim, fica difícil comprarmos um romance que não é bem desenvolvido em tela. Chris Pratt e Bryce Dallas Howard estão ótimos e funcionam muito bem juntos, como dupla. Mas como par amoroso, ficam forçados na tela.

J. A. Bayona aproveita para referenciar e “brincar” com o anterior. Ao apresentar a personagem Claire, o diretor começa mostrando o salto com que está calçada e vai subindo até mostrar o seu rosto. Vale lembrar que em Jurassic World: O Mundo dos Dinossauros, Claire foi o alvo de uma polêmica cena, ao correr de um T-Rex de salto alto. Boa sacada de Bayona.

Jurassic World: Reino Ameaçado é divertido, repleto de ação e muito tenso. O longa tem um desfecho bastante interessante que nos deixa curiosos para saber como será aproveitado em uma futura sequência. E que venha mais filmes desse universo jurássico, afinal de contas, sempre é bom ver um T-Rex rugir na telona.

Jurassic World: Fallen Kingdom, 2018. Direção: J. A. Bayona. Com: Chris Pratt, Bryce Dallas Howard, Rafe Spall, Justice Smith, Daniella Pineda, James Cromwell, Toby Jones, Jeff Goldblum, BD Wong, Isabella Sermon. 128 Min. Ação.

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Cinema: Círculo de Fogo – A Revolta

Em 2013 Guillermo del Toro criou um filme que virou um presente para os nerds de todo o mundo. Círculo de Fogo é reverenciado até hoje pelo conceito criado por del Toro e pela forma criativa e inteligente que o diretor deu à sua criação. Escrito e dirigido pelo cineasta, o primeiro filme trouxe aquele espírito de cinemão pipoca, porém, com conteúdo. Nesta continuação, del Toro entra apenas como produtor, e isso fez muita diferença para o resultado final do filme.

Círculo de Fogo: A Revolta acompanha Jake Pentecost (John Boyega) filho de Stacker Pentecost (Idris Elba), que no primeiro filme era o responsável pelo programa Jaeger. Jake não seguiu bem os passos do pai, abandonou o treinamento e entrou no mundo do crime, atuando no mercado negro vendendo peças de robôs abandonadas. Após uma perseguição, ele encontra a jovem Amara (Cailee Spaeny) que construiu um Jaeger pirata. Eles acabam sendo capturados, e para evitar a prisão, eles acabam entrando no programa Jaeger.

Ocupado na produção do filme que lhe rendeu o Oscar, A Forma da Água, Guillermo del Toro sai da criação e direção para dar lugar a Steven S. DeKnight, que faz a sua estreia na direção de um filme. E o grande problema do filme se encontra no roteiro, na criação, pois, tudo o que del Toro criou no primeiro filme, é esquecido e jogado no ralo. Todo o conceito criado por ele dos Jaeger aqui não é utilizado, e a verossimilhança que del Toro utilizou aqui é trocada por uma aventura fraca, sem um pingo de inteligência, que acaba dando prioridade a destruição.

Aqui os Jaegers são mais rápidos, conseguem fazer acrobacias. O conceito de movimentos lentos que del Toro empregou, nem de longe é utilizado no longa. Del Toro se preocupa com as suas criações, e empregou o fato da lentidão, porque os Jaegers são grandes e pesados. Ele deu alma as suas criações. Aqui na continuação, Steven S. DeKnight não quis nem saber, e acabou trocando o peso e a cadência que del Toro empregou por velocidade e agilidade. Com isso, as sequências de ação lembram muito mais os filmes da franquia Transformers, do que o próprio Círculo de Fogo. O roteiro também falha feio quando encontra uma solução em seu final, que podemos classificar de, no mínimo, “absurda”. Sem falar que a montagem do filme também é falha, principalmente nessa parte final. O que acontece, pode se dizer que, é até um desrespeito a inteligência de quem está assistindo. Apesar disso tudo, o filme consegue divertir em alguns momentos, mas o principal problema é porque não temos como não comparar com o primeiro filme, e quando fazemos essa comparação, os erros são gritantes.

O filme acerta em escalar John Boyega, é um ator do momento e tem cara de filme de ação, mesmo que ele não chegue nem perto do papel de Idris Elba no primeiro filme. Porém, John tem muita química com a melhor coisa do filme, que com certeza é Cailee Spaeny. Carismática, ela se mostra muito talentosa e se destaca em um elenco que é quase todo descartável. Scott Eastwood, que vive Nate Lambert, em certo momento do filme chegamos a nos perguntar se realmente é necessário o personagem dele. O diretor tenta criar uma rivalidade entre o seu personagem e o de Jake, porém, rapidamente essa rivalidade é descartada. Três personagens retornam do primeiro Círculo de Fogo. Rinko Kikuchi volta com a personagem Mako Mori, porém, fica pouco tempo em tela. Burn Gorman que vive o Dr. Hermann Gottlieb está bem no filme, o mesmo não se pode dizer da volta de Charlie Day, na pele do Dr. Newton Geiszier. Charlie Day está péssimo no filme, longe de convencer alguém como um vilão. Tirando isso, o filme tem mais meia dúzia de personagens jovens, que estão sendo preparados para pilotarem Jaegers, na qual a existência deles é apenas para justificar a pancadaria e a destruição de Tóquio na parte final do filme.

A trilha sonora também está deslocada no filme. Enquanto no primeiro filme a trilha de Ramin Djawadi deixava você todo no clima dos personagens e da ação que estava por vir, a trilha desta continuação de John Paesano não acerta.

Círculo de Fogo: A Revolta chega a ser divertido, mesmo com absurdos no roteiro e personagens totalmente sem importância alguma. Mas passa longe de ficar no imaginário, como o primeiro filme de del Toro. Um filme esquecível, uma pena.

Pacific Rim: Uprising, 2018. Direção: Steven S. DeKnight. Com: John Boyega, Scott Eastwood, Cailee Spaeny, Burn Gorman, Charlie Day, Tian Jing, Rinko Kikuchi, Karan Brar, Wesley Wong, Ivanna Sakhno, Lily Ji. 111 Min. Ação.

Cinema: Com Amor, Simon

Com Amor, Simon é um filme mainstream adolescente de estilo convencional que usa todos os clichês do livro no qual ele foi adaptado. Há o vice-diretor nerd, a festa bacana da escola secundária, os pais solidários mas um pouco sem noção, as vozes espirituosas do protagonista, as declarações públicas de amor em frente a toda a escola, todas mantidas juntas por um fluxo de músicas pop cativantes. Mas o uso desses clichês em Com Amor, Simon, representa um ineditismo, porque é a história de uma difícil e muitas vezes divertida marcha de jovens gays para “sair do armário”.

O diretor Greg Berlanti, que dirigiu uma série de programas de sucesso como produtor e roteirista, usa o familiar romance adolescente para contar uma história LGBTQ e, ao fazê-lo, faz com que esses clichês se sintam novos, divertidos e inteligentes. Baseado no romance “Simon Vs. A Agenda Homo Sapiens”, Com Amor, Simon é um ato radicalmente inclusivo.

Como Simon (Nick Robinson) nos diz em sua voz de abertura, ele vive uma vida normal “assim como você”. Ele mora em uma bela casa, tem dois pais de apoio (Jennifer Garner e Josh Duhamel) e uma jovem irmã obcecada com “Top Chef” (Talitha Eliana Bateman). Ele é um bom aluno e participa do Drama Club. Seus melhores amigos são Leah (Katherine Langford ), Nick (Jorge Lendeborg Jr) e Abby ( Alexandra Shipp). Nada está errado, exceto, como Simon diz na narração: “Eu tenho um grande segredo”. Seu segredo é que ele é gay. Ele tem certeza que seus pais ficariam bem com isso e seus amigos também estariam bem. Ele tem medo, de como isso vai mudar tudo, como as pessoas podem percebê-lo de forma diferente. Ele também se ressente de ter que “sair do armário” (o que leva a uma sequência muito engraçada imaginando crianças heterossexuais “saindo do armário”). Por que sou “fora do padrão”, ele pergunta.

Quando alguém com o pseudônimo “Blue” escreve um post em um quadro de mensagens local popular sobre ter medo de ser gay, Simon vai até ele em particular, usando o pseudônimo “Jacques”. Os dois começam uma correspondência, hesitantes no início e depois aumentando de intensidade. A identidade de “Blue” é o grande gancho de Com Amor, Simon, e Berlanti tem muita diversão nos mantendo em suspense. Há muitos candidatos em potencial, e Simon vai de um para o outro, perguntando: “Você é Blue?” Pode ser qualquer um deles. Um dos aspectos mais bonitos de Com Amor, Simon é que a intimidade que floresce entre os dois personagens é baseada no quanto eles se preocupam um com o outro, o quanto eles apoiam a jornada um do outro.

As coisas ficam estranhas quando Martin (Logan Miller), membro do Drama Club, entra em cena. Ele descobre sobre a correspondência secreta de Simon e chantageia Simon para ajudá-lo a conseguir um encontro com Abby, que não quer nada com ele. Simon se torna um marionetista oculto e relutante da paisagem extremamente mutável de vários romances do ensino médio envolvendo Leah, Nick e Abby, pessoas que deveriam ser seus melhores amigos. Suas manipulações levam a uma enorme confusão, sentimentos feridos, caos emocional, com Simon racionalizando tudo para si mesmo, fazendo o que ele tem que fazer para proteger a identidade de Blue. Se Martin revela a correspondência para a escola, como ele ameaça fazer, então Blue será afugentado para sempre. As apostas não poderiam ser maiores.

Berlanti, que também dirigiu Dawson’s Creek e Riverdale, conhece muito bem esse território adolescente. Ele entende as neuroses adolescentes, e se preocupa com a experiência adolescente, suas intensidades, suas profundezas, quão importante é o romance para os adolescentes envolvidos nisso. Há uma cena em que Lea compartilha com Simon como ela sempre se sente como se estivesse do lado de fora olhando para dentro. Ela diz, em uma das muitas linhas maravilhosas do filme, “Eu sou o tipo de pessoa destinada a se importar tanto com uma pessoa”. Isso quase me mata. ” É assim que adolescentes inteligentes e sensíveis falam. As Roteiristas Elizabeth Berger e Isaac Aptaker (cujos créditos compartilhados incluem This Is Us e About a Boy) tem um ótimo ouvido para os ritmos ondulantes da comédia. Com Amor, Simon é cheio de humor – em seus personagens, diálogos e situações – mas não sacrifica a profundidade emocional. Os dois trabalham em conjunto.

Historicamente, as histórias de “sair do armário” nos filmes envolveram seus próprios tipos de clichês: tormento, tragédia, raiva dos pais/sociedade, medo às vezes até da morte. Tais filmes sublinham os perigos de viver em um mundo homofóbico, de estar “fora do armário” em uma atmosfera não apenas hostil, mas mortal. Essas histórias também são importantes e foram avanços na representação. Mas em filmes mainstream, que são exibidos nos multiplex, os personagens gays ainda são, com mais frequência, parceiros para os protagonistas héteros. Filmes recentes como Me Chame Pelo Seu Nome e O Azul é a Cor Mais Quente mostram personagens que não são punidos por sua sexualidade pelo mundo, seus pais, seus colegas. Esses filmes são enormes passos à frente, mas Com Amor, Simon cumpre outro papel – ser um filme mainstream para adolescentes.

Eu não vi o filme em uma sessão de imprensa cercada por críticos. Fui a um cinema de bairro e a empolgação quando as luzes se apagaram era palpável. Não notei nenhuma verificação sub-reptícia de celulares durante o filme, apenas uma energia de engajamento completo. As pessoas falavam de volta para a tela ou ofegavam em compaixão ou uivavam de tanto rir. Quando a paixão anônima de Simon finalmente revelou sua identidade, o público explodiu em gritos e aplausos. Havia uma sensação de liberação catártica na sala de cinema, única na minha experiência.

Em uma cena comovente, a mãe de Simon diz para ele: “Você pode expirar agora, Simon”. Foi o que eu senti na exibição de Com Amor, Simon, e é isso que o filme é: uma expiração há muito esperada.

Love Simon, 2018. Direção: Greg Berlanti. Com: Nick Robinso, Jennifer Garner, Josh Duhamel, Katherine Langford, Alexandra Shipp, Logan Miller, Keiynan Lonsdale, Jorge Lendeborg Jr. 110 Min. Drama.

Cinema: Operação Red Sparrow

Filmes de espionagem possuem certo charme por ter elementos que instigam o público a se sentir atraído pela história. Além do dever de ter boas cenas de ação, é importantíssimo que um filme de espionagem possua uma linha narrativa interessante. Infelizmente todos os elementos importantes não são vistos na nova parceria entre Frances Lawrence e Jennifer Lawrence em Operação Red Sparrow.

Jennifer Lawrence interpreta Dominika Egorova, uma bailarina do ballet Bolshoi que quebra a perna durante uma apresentação. Devido ao acidente, ela abandona a carreira, o que a faz perder os benefícios que o ballet a proporcionava e também a ajuda com a mãe doente. Dominika então recebe um convite do seu tio, um membro do governo russo, para integrar o programa Sparrow, no qual as pessoas são treinadas para usar as artimanhas da sexualidade para obter tudo o que quer.

O filme até tem pontos e cenas interessantes, porém o longa peca em direção e roteiro. A direção preguiçosa de Frances Lawrence fracassa ao criar uma trama confusa que faz o público perder totalmente o interesse pela história. O roteiro de Justin Haythe é pobre, repleto de clichês que não funciona. Ao longo de seus 140 minutos, o que percebemos é que o filme tem muitas cenas desnecessárias, principalmente o treinamento que a personagem de Jennifer Lawrence passa. Um treinamento que ela não termina, e que não utiliza muito do que aprendeu quando está tentando obter alguma informação. O filme poderia ter tirado 40 minutos fáceis em sua ilha de edição, talvez tivesse até melhorado o resultado final do longa.

A intenção que fica ao término do filme, é que ele quis se apoiar puro e simplesmente na beleza de Jennifer Lawrence. A atriz faz até cenas de nudez e de sexo, mas não convence como um russa, apresentando um sotaque falso quando fala o idioma. Jennifer inclusive parece apática em quase todo o filme, com uma atuação estranha. Se você comparar com Atômica, que saiu ano passado, aí é que você percebe como Operação Red Sparrow é fraco.

O filme acerta nas cenas de ação, quando Jennifer Lawrence está em sua primeira missão, e uma sequência perto do fim do filme. Pouco, para um filme que gerou muito mais expectativa.

O design de produção do filme é um pouco estranho. O filme se passa nos dias atuais, porém quer lembrar aquele clima de Guerra Fria entre Estados Unidos e Rússia. Ainda existe outra coisa que incomoda, um detalhe: no meio de tantos veículos atuais e notebooks, utilizar disquetes como elemento de busca da personagem principal, fica deslocado. Não se sabe o que a direção de arte e o diretor Frances Lawrence quis dizer com isso, mas ficou estranho. Destoante.

No fim, o sentimento que fica é que faltou algo ao filme. No papel parecia todo perfeito, porém na prática, Operação Red Sparrow deixa a desejar em quase tudo.

Red Sparrow, 2018. Direção: Frances Lawrence. Com: Jennifer Lawrence, Joel Edgerton, Matthias Schoenaerts, Charlotte Rampling, Mary-Louise Parker, Ciarán Hinds, Jeremy Irons, Douglas Hodge. 140 Min. Ação.

Cinema: Thor – Ragnarok

Após quatro anos desde o seu segundo filme solo, o Deus do Trovão retorna para uma terceira empreitada em Thor: Ragnarok. Apostando em um jeito bem peculiar, com o estilo de seu diretor, Taika Waititi, o filme está dividindo opiniões.

No filme, após a morte de Odin, Asgard recebe Hela, irmã de Thor, que veio para assumir o trono. Após uma batalha, Thor e Loki acabam indo parar em outro mundo e precisam retornar para evitar a destruição do mundo e do povo de Argard.

O longa precisa ser avaliado em diferentes partes. Se você estiver esperando um filme repleto de ação, vai encontrar, porém, vai se incomodar com as várias (eu disse, várias) cenas de comédia, e em sua grande maioria, comédia pastelão. Mas Thor: Ragnarok foi honesto com o público, pois já apresentava esse tipo de humor nos materiais que eram divulgados. Diferente de Homem de Ferro 3, que entregava um trailer carregado no drama, e quando chegou o filme foi um desastre.

Que todos os filmes da Marvel tem uma pontinha no humor, todos sabemos. Mas aqui está muito exagerado. Em algumas horas chega a ser chato, porque as vezes, logo após uma sequencia de drama, vem uma piada. Algumas são sem graça, e outras totalmente desnecessárias, como em certa cena que eles inserem a palavra “ânus”. Por outro lado, todas as piadas inseridas que envolvem o personagem Hulk funcionam. Aliás, Hulk é um dos destaques do filme.

O filme possui um visual deslumbrante e as cenas de ação feitas de dia, inclusive o clímax final é perfeito. A trilha sonora muitas vezes parece deslocada, apenas em alguns momentos, não em todo o filme. A música “Immigrant Song” de Led Zeppelin é bem utilizada nas cenas de ação, mas é pouco para uma série de filmes que sempre teve uma trilha incidental de muita qualidade.

Chris Hemsworth e Tom Hiddleston continuam com uma química incrível. Chris continua perfeito como Thor e Tom continua entregando um dos personagens mais incríveis da Marvel, Loki. Seu personagem continua aquele tipo dúbio, hora ajuda, hora é vilão. Mas nunca deixa de lado seus interesses. Mark Ruffalo está muito bem como Hulk. Agora um pouco mais controlado, Hulk está muito bem inserido nesse universo de Asgard. Tessa Thompson está incrível como uma guerreira Valquiria. Agora, o principal destaque do filme é Cate Blanchett. Seu visual, por vezes exagerado quando ela está com aqueles chifres, revela uma mulher poderosa, capaz de destruir um item muito importante do herói Thor. De todos os filmes que a Marvel nos entregou, não é exagero dizer que Hela foi a vilã mais poderosa.

Thor: Ragnarok parece meio deslocado do universo Marvel, talvez pelo humor ter passado da conta. Mas o filme é divertido. Mesmo com algumas piadas desnecessárias, o filme entrega uma aventura divertida, mas que não faz muita diferença para o universo que a Marvel cria no cinema.

Thor: Ragnarok, 2017. Direção: Taika Waititi. Com: Chris Hemsworth, Tom Hiddleston, Cate Blanchett, Idris Elba, Jeff Goldblum, Tessa Thompson, Karl Urban, Mark Ruffalo, Anthony Hopkins, Benedict Cumberbatch. 130 Min. Ação.

Cinema: Doutor Estranho

APERTEM OS CINTOS, O MISTICISMO VOLTOU!

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Entre as diversas cenas dos 115 minutos de Doutor Estranho capazes de causar surtos de alegria, há uma que é uma joia: a doutora Christine (Rachel McAdams) tem de ressuscitar, sozinha na sala cirúrgica, um paciente em parada cardíaca. Só que o paciente tem a habilidade incomum de separar seu corpo astral de seu corpo físico e, enquanto Christine lida afobada com o desfibrilador, a projeção astral do paciente aproveita para se engalfinhar numa briga de bar com a projeção astral de um vilão. Rola sopapo esotérico para todo lado, alguns tão violentos que dão trancos na desesperada Christine, ou fazem soprar o cabelo dela, ou chacoalhar os equipamentos. Eu não sabia o que fazer primeiro, se roer as unhas ou gargalhar – e descobri que fazer as duas coisas ao mesmo tempo pode não ser fácil, mas é muito compensador. Essa junção de imaginação, ação, efeito, tensão, pastelão e até romance (a ressurreição do paciente é um legítimo gesto de amor por parte de Christine) é dosada com tanta felicidade, e resulta tão embriagante, que só por uma sequência assim um filme já justificaria sua existência.

Doutor Estranho conta a história de Stephen Strange (Benedict Cumberbatch), um neurocirurgião que leva uma vida bem sucedida, mas as coisas começam a mudar completamente quando ele sofre um acidente de carro e fica com as mãos debilitadas. Devido a falhas da medicina tradicional, ele parte para um lugar inesperado em busca de cura e esperança, um misterioso enclave chamado Kamar-Taj, localizado em Katmandu. Lá descobre que o local não é apenas um centro medicinal, mas também a linha de frente contra forças malignas místicas que desejam destruir nossa realidade. Ele passa a treinar e adquire poderes mágicos, mas precisa decidir se vai voltar para sua vida comum ou defender o mundo.

Doutor Estranho é o décimo quarto filme do Universo Cinematográfico Marvel, tem identidade e personalidade de sobra, mas é bem verdade que possui um roteiro não linear com algumas falhas evidentes. Porém, como já falei acima, Doutor Estranho tem muito a justificar em relação a sua existência: Benedict Cumberbatch é um ator frequentemente muito inspirado, mas aqui tem mais espaço para brincar até do que em Sherlock Holmes – e ele o aproveita tudo, e tira o sumo de cada cena e cada diálogo (o mesmo, aliás, vale para o restante do elenco). Tilda Swinton, esse ser vindo de alguma galáxia ofuscante, me deixou de joelhos como a Anciã (e não venham me dizer que é absurdo trocar um velhinho oriental por uma escocesa de meia-idade, porque absurdo seria não poder trocar o previsível pelo inesperado). O vilão Kaecelius é assim-assim, mas como quem o interpreta é Mads Mikkelsen vou fingir que não percebi; em Mads eu perdoo tudo. E esse clima viajandão é uma delícia: até os personagens parecem meio intoxicados com as coisas lisérgicas que são capazes de fazer (Londres girando como um cubo mágico, e dobrando-se sobre si mesma? Só assim Londres fica melhor do que já é). Nota 10, então, para Scott Derrickson, que faz aqui uma das transições mais elegantes que já vi, do terror de O Exorcismo de Emily Rose e Livrai-nos do Mal para o lado reverso do universo Marvel.

Quer mais encanto? Dentro de Derrickson, aparentemente, vivem também Moe, Larry e Curly, mais o Gordo e o Magro e a trupe inteira do Monty Python. A cena em que a Capa da Levitação escolhe Estranho como seu novo mestre? Brilhante. E ainda não acabou. Há um momento de beleza verdadeira, no qual a Anciã contempla o mundo e constata que qualquer vida, por mais longa que seja, é sempre muito curta (Tilda consegue transformar qualquer lugar-comum em revelação). Cuidado: se você não estiver preparado para sair de uma sessão de cinema em um estado inebriado, ou até eufórico, passe longe de Doutor Estranho.

Nota 9

Doctor Strange, 2016. Direção: Scott Derrickson. Com: Benedict Cumberbatch, Chiwetel Ejiofor, Rachel McAdams, Mads Mikkelsen, Tilda Swinton, Benjamin Bratt. 115 Min. Ação.

Cinema: Esquadrão Suicida

Esquadrão Suicida

Vamos falar a verdade. A DC não vive um bom momento em adaptações de suas histórias para o Cinema. Depois da fantástica trilogia Batman de Christopher Nolan, tivemos o bom O Homem de Aço, o mediano Batman vs Superman: A Origem da Justiça; e agora o bagunçado (isso mesmo):  Esquadrão Suicida. O filme que apresentou um trailer muito bom, entrega um longa cheio de erros em que poucas coisas se aproveitam. Parece clichê, mas é o famoso caso do trailer melhor que o filme.

O filme começa exatamente onde Batman vs Superman: A Origem da Justiça terminou. Com isso, o governo americano teme ameaças do mesmo poderio de um Superman ou do vilão de BvS, o Apocalypse, e decide pôr em prática um plano audacioso de colocar nas ruas vários vilões para combater essas ameaças sobre-humanas.

Assim, o Esquadrão Suicida é formado por Pistoleiro (Will Smith), Arlequina (Margot Robbie), Bumerangue (Jai Courtney), Diablo (Jay Hernandez), Crocodilo (Adewale Akinnuoye-Agbaje) e Magia (Cara Delevingne), e se juntam a eles dois membros do governo, Rick Flag (Joel Kinnaman) e Katana (Karen Fukuhara).

Esquadrão Suicida passou por muitos conflitos em seus bastidores. Após o fracasso de críticas de Batman vs Superman: A Origem da Justiça, novas cenas foram filmadas, além de Jared Leto ter divulgado que não gostou dos cortes em algumas de suas cenas. Essas novas cenas possivelmente seriam para tirar o tom um pouco mais sério que BvS teve, para dar um pouco mais de humor à história, uma coisa no estilo Guardiões da Galáxia. Porém, ficou apenas na tentativa. Toda essa bagunça nos bastidores deixou o filme parecido com uma colcha de retalhos, com um roteiro meia boca, uma péssima montagem e uma trilha sonora deslocada de sua história.

O diretor e roteirista David Ayer realiza um filme sobre uma equipe, porém, só dá destaque praticamente a dois personagens. É lógico que Will Smith e Margot Robbie são os mais conhecidos e talentosos, mas era de se esperar que o diretor criasse cenas mais elaboradas para conhecermos melhor alguns dos outros personagens, e não ficar jogando na tela sem nenhuma introdução considerável.

Três personagens merecem destaque: Arlequina, Pistoleiro e Amanda Waller (membro do governo). Para dar vida a Arlequina, foi escolhida Margot Robbie. Talentosa e linda, a atriz está com o humor apurado e certeiro em suas cenas. Com certeza Arlequina é uma das melhores coisas do filme. Will Smith interpreta Pistoleiro, um personagem com uma carga dramática alta, e que mais uma vez, o ator faz muito bem. As cenas de ação envolvendo o seu personagem também são as melhores do filme. Viola Davis dá vida a agente do governo Amanda Waller e coloca em cena uma postura rígida de uma mulher firme em suas decisões e que não tem medo de impôr o seu poder em personagens tão mais perigosos do que ela. Perfeita.

Agora vamos falar do Coringa. Desde que foi escolhido para interpretar o personagem, Jared Leto viu de perto a sombra de Heath Ledger. Mas algumas pessoas apostavam que sua interpretação seria do mesmo calibre que a de Ledger (inclusive era a opinião desse que vos fala). Porém, o que vimos no filme é de dar pena. Ver um ator da versatilidade de Jared Leto sofrendo com um péssimo roteiro e entregando uma atuação tão ruim, é realmente lastimável.

Ben Affleck também dá as caras no filme, em algumas pequenas participações (inclusive na cena pós-créditos). Uma dessas cenas foi criticada por alguns, em que Batman deixa uma garotinha ser escudo dele, enquanto uma arma é apontada para ele. Conhecendo o passado do personagem e os princípios dele, o Batman jamais deixaria isso acontecer. Mas como a bagunça já estava feita[…] A cena pós-crédito é importante tendo em vista os planos futuros da DC nos cinemas.

Outros personagens mereciam mais destaque em cena, como Crocodilo e Diablo. Outros carecem de talento como é o caso de Magia, interpretada por uma insossa Cara Delevingne.

A DC e a Warner derraparam muito com Esquadrão Suicida. Agora é esperar para ver se alguma coisa mudará nos próximos longas, da Mulher Maravilha e da Liga da Justiça.

Nota 4

Suicide Squad, 2016. Direção: David Ayer. Com: Will Smith, Margot Robbie, Jai Courtney, Jay Hernandez, Adewale Akinnuoye-Agbaje, Cara Delevingne, Joel Kinnaman, Karen Fukuhara, Viola Davis, Ben Affleck. 108 Min. Ação.

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