Cinema: O Shaolin do Sertão

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Quando Cine Holliúdy estreou em 2014, surpreendeu todo o país ao levar as gírias e falas comuns ao povo cearense para todas as salas de cinema do país. Para um total entendimento, na maioria dos outros estados, o filme precisou ser legendado. Projeto arriscado do diretor Halder Gomes e do ator Edmilson Filho, mas que foi sucesso por onde passou. Agora a dupla volta a trabalhar junta e trás aos cinemas O Shaolin do Sertão, um filme de artes marciais no sertão do Ceará.

Na história, conhecemos Aloísio ‘Li’ (Edmilson Filho), um tímido padeiro que é apaixonado por artes marciais, mas que acaba virando piada na cidade de Quixadá devido essa paixão. A sorte (ou seria azar?) dele começa a mudar quando um famoso lutador, Toni Tora Pleura (Fábio Goulart), desafia um lutador da cidade. Aloísio recebe treinamento de um estranho mestre chinês (Falcão) para se preparar para a luta. Ele divide a expectativa da luta com a paixão que ele tem por Anésia Shirley (Bruna Hamú), filha do seu patrão, Seu Zé (Dedé Santana) e prometida para Armandinho (Marcos Veras).

Se em Cine Holliúdy foi possível notar as referências ao clássico italiano Cinema Paradiso, aqui Halder Gomes se inspira muito em Rocky: Um Lutador – rapaz desacreditado que tem um oponente quase impossível de se vencer; Karatê Kid: A Hora da Verdade – toda a preparação e treinamento para a grande luta; e todos os outros filmes de artes marciais das décadas passadas. Só uma pessoa tão apaixonada por cinema, principalmente cinema antigo, poderia utilizar tão bem essas referências em meio ao cenário do sertão nordestino.

Passado na década de 80 na cidade de Quixadá, o roteiro do longa é recheado de falas e gírias comuns ao povo cearense (assim como em Cine Holliúdy). O que torna o filme uma experiência mais especial ainda para o povo do nosso estado. Halder mais uma vez homenageia o povo cearense, o povo nordestino. É como se o filme fosse feito pelo povo, para o povo. A cada fala dita, é como se o diretor conseguisse nos transportar da sala de cinema para dentro da história.

A beleza das serras de Quixadá, do açude do Cedro, do sertão, de uma paisagem interiorana foram bem captadas pelo diretor que conseguiu criar cenas belíssimas, inclusive a do treinamento de Aloísio ‘Li’. A fotografia que compõe todo o filme é linda e vai emocionar aqueles que têm um vínculo com a cidade que a história do longa se passa.

Edmilson Filho mais uma vez está ótimo, aqui ele consegue fazer rir com suas fisionomias e lutas corporais. Agora, um dos personagens que mais merece destaque é o jovem garoto Igor Jansen, que interpreta Piolho. Talvez o personagem mais carismático de todo o filme. A forma com que ele consegue nos tirar risadas é tão simples e natural que é impossível você não se apegar ao personagem. Marcos Veras consegue incorporar bem o cearense, reproduzindo sotaque e trejeitos do nosso povo, e também está ótimo no filme. O longa apresenta a jovem Bruna Hamu, e nomes conhecidos, como Fafy Siqueira e Dedé Santana.

O Shaolin do Sertão não é um filme perfeito, em minha opinião, possui um erro em seu roteiro que foi o mal desenvolvimento que é do romance entre Aloísio ‘Li’ e Anésia Shirley. Faltou mais capricho nessa parte, mesmo não sendo o ponto principal do filme. No mais, o filme tem alguns erros de edição, mas nada que prejudique o resultado final da história.

Halder Gomes se mostra um diretor inventivo, criador de ótimos personagens e que consegue extrair um humor bem diferente dos outros filmes de comédias feitos aqui no Brasil. É um humor legítimo que com talento e personalidade consegue divertir a todos.

Nota 9

O Shaolin do Sertão, 2016. Direção: Halder Gomes. Com: Edmilson Filho, Bruna Hamu, Dedé Santana, Fábio Goulart, Fafy Siqueira, Falcão, Igor Jansen, Marcos Veras, Bolachinha, Haroldo Guimarães, João Inácio Júnior, Lailtinho Brega, Tirulipa. 100 Min. Comédia.

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Cinema: Ave, César!

Ave Cesar

O que tem nessa cabeça? “Ave, César!” e o poder da história.

De inúmeras virtudes (e são muitas) que os bons filmes têm, poucas são as obras audiovisuais de mercado que atacam de frente a questão mais fascinante de todas as que o cinema pode propor: como nós, na plateia, vemos, compreendemos e adicionamos significado àquela sucessão de imagens em movimento? Que maravilhosa engenharia (ou arquitetura, para repetir um conceito coenesco) nos possibilita criar histórias a partir daquilo que vemos, e dar a essas histórias elementos de emoção, memória e até paixão que trazemos do fundo de nossa alma e colocamos, como uma oferenda a um deus antigo, no altar da tela?

Ave, César!/Hail, Caesar!, dos irmãos Coen, faz exatamente isso. Nem mais, nem menos.

A história é simples, se passa no lapso de um dia, no clima da paranoia anti-comunista da década de 1950, data em que a principal estrela dos estúdios Capitol Pictures, Baird Whitlock (George Clooney, que aqui está excepcional) – não tão bom ator assim –, é sequestrada bem no meio das filmagens da superprodução de época chamada… “Ave, César!”. Caberá ao leão-de-chácara da companhia, Edward Mannix (Josh Brolin) – cuja função é proteger os atores da empresa, desde fazer com que eles cumpram seus compromissos profissionais a abafar escândalos –, trazer o artista são e salvo de volta ao set no decurso deste dia terrível, horrível, espantoso e horroroso.

Na Hollywood de 2016, onde é impossível recusar um convite dos irmãos Coen, fica fácil encontrar nomes de peso no elenco formado apenas por estrelas. Que vai de Scarlett Johansson, Channing Tatum, passando por Tilda Swinton (essa última em uma participação memorável).

Muito embora Ave, César! possa ser um filme de narrativa bagunçada, ele pretende mostrar essa adorável bagunça de Hollywood que nós adoramos. É o inverso do francês O Artista, onde lá o pretendido era fazer uma carta de amor incondicional a Hollywood. Aqui os Coen preferem mergulhar na loucura de Hollywood com seus escândalos, egos e absurdos em geral.

A narrativa perde um pouco o fio da meada no final do segundo ato, dando um tom mais lento ao desenrolar de algumas histórias centrais. Mas longe de tirar o brilho do conjunto da obra.

E impressionante como Ave, César! traça um paralelo interessante e criativo entre o calvário e a indústria cinematográfica americana, sem abrir mão do bom humor.  É um filme que possui história para mais do que suas 1h40 de duração.

Se eu fosse fazer uma ressalva à tremenda viagem que é Ave, César! eu diria isso – que é fácil se perder nele. Mas considerando o nível de idiotice da maioria dos filmes este ano, estou achando ótimo.

É muito importante prestar atenção às paisagens. Prestar atenção à água, aos espelhos, ao trem que tão frequentemente parte a tela em dois. Prestar atenção ao que as pessoas dizem, e quando elas dizem. São chaves para o labirinto.

Se esta obra singular dos Coen não é a vocação mais profunda da imagem em movimento, então não sei qual é.

Nota 10

Hail, Caesar!, 2016. Direção: Ethan Coen e Joel Coen. Com: Josh Brolin, George Clooney, Alden Ehrenreich, Ralph Fiennes, Scarlett Johansson, Tilda Swinton, Frances McDormand, Channing Tatum, Jonah Hill. 106 Min. Comédia.

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Cinema: Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)

Michael Keaton renasce na carreira com uma direção mágica de Iñárritu em Birdman

Michael Keaton renasce na carreira com uma direção mágica de Iñárritu em Birdman

Luz, câmera, ação! Hollywood e o universo cinematográfico são rodeados por essas palavras, e juntas a elas vem o sucesso e o fracasso em meio a críticas que podem destruir ou glorificar um projeto. Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância), dirigido por Alejandro Gonzáles Iñárritu, é corajoso e realista ao mergulhar a fundo nesse meio do entretenimento. Aqui, Iñárritu mescla o mundo do cinema com o do teatro e cria um dos melhores filmes do ano.

O filme é fácil de entender: Riggan Thomson (Michael Keaton) é um ator que anos atrás foi sucesso ao viver no Cinema o super-herói Birdman, porém, agora o ator não faz mais o mesmo sucesso, está esquecido e tenta reerguer a carreira, dirigindo e atuando em um espetáculo para o Teatro. É aí que Iñárritu dá um show de direção, mostrando de maneira crua e verdadeira o que o ser humano é capaz de fazer para ter fama e status. O diretor também conduz a trama de maneira fantástica, e dirige o filme de maneira praticamente sequencial. Isso mesmo. É como se ele gravasse tudo em sequência, sem montagem, isso da um ar visceral ao filme.

Ao redor de Riggan Thomson, temos o ator estrela (Edward Norton) que gosta de dar chiliques; Brandon (Zach Galifianakis), o empresário que só pensa em lucrar, nem que seja com tragédias; Lesley (Naomi Watts), uma atriz que tenta se encontrar depois de relacionamentos desastrosos; Sam (Emma Stone), filha de Riggan, e que podemos até dizer que ela é misantropa, isso pode até se dar ao fato da relação que ela tem com o pai, uma relação que falta carinho e uma presença paterna a qual ela não teve; e fechando o círculo, Tabitha (Lindsay Duncan), crítica de jornal que tem nas palavras o poder de enterrar ou consagrar a carreira dos atores.

Além da genial direção de Iñárritu, Birdman tem atuações poderosas com seu elenco escolhido a dedo. Nem é preciso falar que Michael Keaton foi perfeito para o papel. O ator que viveu o herói Batman nas telonas e que depois entrou em ostracismo na carreira tem em Riggan a sua persona. Isso com certeza influenciou para que Keaton tivesse a atuação poderosa que teve. Edward Norton está genial no seu papel. O ator se mostra bastante a vontade, e da um show em cena. Enquanto Naomi Watts tem mais uma ótima atuação na carreira, quem surpreende é Zach Galifianakis que atua tão bem, que esquecemos até que ele era o gordinho bobo em Se Beber, Não Case! E Emma Stone rouba a cena, com uma atuação penetrante, tão forte como suas palavras em cena. É interessante observar, que muitos do elenco tiveram a melhor atuação da carreira aqui em Birdman, o que dá um toque mais especial ainda ao longa.

O roteiro sarcástico escrito pelo próprio Iñárritu combina perfeitamente com o plano sequencial utilizado pelo diretor. A fotografia e cores utilizada pelo diretor são perfeitas, principalmente nas cenas em que Emma Stone participa. A beleza da atriz nunca foi tão bem capturada em tela. E a trilha não poderia ser mais apropriada para a história.

Corajoso em sua história, soberbo nas atuações e brilhante na direção. Assim é Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância), que vem colhendo vários prêmios por todos os festivais que passa, e eles são mais do que merecidos!

Nota 10

Birdman, 2014. Direção: Alejandro Gonzáles Iñárritu. Com: Michael Keaton, Emma Stone, Edaward Norton, Zach Galifianakis, Naomi Watts, Andrea Riseborough, Amy Ryan, Lindsay Duncan. 119 Min. Comédia Dramática.

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Cinema: Debi & Lóide 2

Carrey e Daniels: dupla não perde química e eles divertem tanto quanto o primeiro filme.

Carrey e Daniels: dupla não perde química e eles divertem tanto quanto o primeiro filme.

Lembro que quando assisti Débi & Lóide: Dois Idiotas em Apuros pela primeira vez ri como poucas vezes na vida. Achei toda a atuação de Jim Carrey impecável e aquilo fez com que o ator se tornasse um dos meus preferidos. Revi o filme poucos dias antes de ver a sequência e as mesmas risadas voltaram, provando o quanto o desempenho tanto de Jeff Daniels e principalmente de Jim Carrey eram fantásticas. Porém, por mais que eu estivesse animado com a continuação, algo me preocupava: e se essa sequência não fosse boa, e sim causasse vergonha alheia?

Digo isso porque depois do primeiro Debi & Lóide, a carreira de Daniels e Carrey não se resumiram apenas a comédias. Daniels se arriscou em filmes mais inteligentes como: Boa Noite e Boa Sorte, A Lula e a Baleia e Intrigas de Estado, e também faz sucesso no seriado The Newsroom. Já Jim Carrey fez filmes que ficam até hoje na memória de cada cinéfilo, como O Show de Truman Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças, além das comédias Ace Ventura, O Maskára e O Mentiroso. Mas felizmente, Debi & Lóide 2 passa longe de ser vergonha alheia.

Na trama, Lóide está internado em uma clínica há 20 anos. Isso se deve por ele nunca ter esquecido sua paixão do primeiro filme, Mary. Mesmo assim, Debi o visita sempre. Logo depois Lóide revela que tudo isso não passou de uma grande brincadeira. Na volta para casa, Debi encontra uma carta que lhe foi enviada há mais de 20 anos. Nessa carta, lhe é dito que ele é pai. Ao descobrir quem é a garota, Debi parte para encontrá-la, enquanto Lóide quer encontrá-la porque se apaixonou por ela vendo apenas a foto da garota.

Essa história até lembra um pouco a do primeiro filme. E não é só isso, muitas coisas do primeiro filme estão de volta. O garoto cego que comprou o periquito morto, a van em forma de cachorro, algumas cenas que são uma clara referência ao filme de 1994, a trilha sonora e até os créditos finais. Enfim, muitas coisas. Mas isso não é ruim, serve para reverenciar um dos clássicos da comédia, além de ser mais uma chance de ver a dupla de atores bem afiada na química e com um humor de qualidade.

Jim Carrey e Jeff Daniels estão muito a vontade nos seus papéis. É notável como os atores gostam desses personagens, e não ficaram com receio nenhum de voltarem a interpretá-los. No mundo de hoje, onde a maioria das comédias são de adolescentes e se apoiam em palavrões e humor descartável, é louvável quando vemos dois atores que fazem rir com o simples, apenas com seus trejeitos. Jim Carrey que em outras comédias se mostrou hilário com suas caras e bocas, aqui não é diferente e ele prova que ainda sabe fazer isso muito bem.

Os irmãos Farrelly não trazem nada de novo nessa sequência, o show mesmo fica por conta de Carrey e Daniels. Por vezes algumas comédias querem se passar por inteligentes, mas me desculpem: comédia não precisa ser inteligente, precisa divertir e é isso que Debi & Lóide 2 faz. Um filme que veio para divertir, e cumpre isso muito bem.

Nota 8

Dumb and Dumber To, 2014. Direção: Bobby Farrelly e Peter Farrelly. Com: Jim Carrey, Jeff Daniels, Rob Riggle, Laurie Holden, Rachel Melvin, Steve Tom, Don Lake, Kathleen Turner, Bill Murray. 110 Min. Comédia.

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Cinema: Os Estagiários

Novos ares: Billy e Nick se arriscam em um emprego no Google.

Novos ares: Billy e Nick se arriscam em um emprego no Google.

Em Os Estagiários, acompanhamos dois amigos de quarenta e poucos anos que decidem voltar a trabalhar como estagiários após cansarem de seus empregos.

Muitos podem achar que Os Estagiários é o maior merchandising da história do cinema, já que praticamente todo o filme, fala e se passa na empresa Google. Mas cá entre nós, em pleno 2013 o Google realmente ainda precisa fazer propaganda da sua marca? Eu acho que não. Por isso não vejo o filme como merchandising (que isso seria promover a marca), vejo mais como inserir o conceito do Google nos dias de hoje.

Dois sujeitos calejados no mercado de trabalho, Billy (Vince Vaughn) e Nick (Owen Wilson), perdem seus empregos… e mesmo já passando dos quarenta anos, eles decidem procurar novos horizontes, e decidem se arriscar tentando um estágio… nada mais, nada menos do que na empresa Google. Esse é o pontapé inicial para termos situações hilárias dos dois dentro da empresa, com o convívio com os nerds mergulhados na tecnologia, e eles digamos “de gaiato no návio”.

Com uma equipe de estagiários bastante eclética, o mérito do diretor Shawn Levy é dar espaço para cada personagem se destacar em momentos determinados do filme. O filme não é centrado apenas em Vince Vaughn e Owen Wilson, a história foca na equipe a qual eles fazem parte. Vince e Owen se mostram tanto um peixe fora d’água, para isso, basta vermos o momento em que Vince tenta fazer com que os membros da equipe criem um aplicativo que tira fotos e as coloca automaticamente “on the line“.

Além de atuar, Vince Vaughn também ajudou a escrever o roteiro. Roteiro esse, que diga-se de passagem que o fã de cinema vai adorar, já que faz inúmeras referências a outros filmes, tanto antigos, como novos. Filmes como Flashdance, Harry Potter, Jogos Vorazes e De Volta Para o Futuro são alguns dos citados. Inclusive, o filme tem uma cena de quadribol hilária… isso mesmo, quadribol!

Shawn Levy consegue uma ótima direção, e deixa seu filme com um ótimo ritmo, já que em nenhum momento nos cansamos de ver os corredores do Google, muito pelo contrário, gostaríamos de estar lá, e poder usufruir tudo o que essa grande empresa disponibiliza para seus funcionários.

Nota: 8,5

The Internship, 2013. Direção: Shawn Levy. Com: Vince Vaughn, Owen Wilson, Rose Byrne, Aasif Mandvi, Max Minghella, Josh Brener, Dylan O’Brien, Tiya Sircar, Tobit Raphael, Josh Gad, Jessica Szohr, Rob Riggle, Eric André. 119 Min. Comédia.

Evilmar S. de Almeida é comentarista de cinema do Claquetes. Instrutor de Informática por profissão e cinéfilo por natureza, é fundador e Editor Chefe do Claquetes desde 2011.

Cinema: RED 2 – Aposentados e Ainda Mais Perigosos

Experientes, Astutos e Rodados…

Willis e Malkovich lideram o elenco estelar.

Willis e Malkovich lideram o elenco estelar.

Frank Moses (Bruce Willis), agente aposentado da CIA, reúne seu time para uma busca global por um dispositivo nuclear desaparecido. Para ter sucesso em sua missão, eles precisarão sobreviver a um exército de assassinos, terroristas e oficiais do governo, todos buscando a próxima geração de armas. A missão leva o grupo a Paris, Londres e Moscou, sempre contando com seu estilo “velha guarda” para salvar o mundo e pra se manterem vivos.

Confesso que estava com um pouco de medo para ver esta segunda parte. Isso porque o primeiro filme foi ótimo em todos os aspectos, e gostei muito. O medo ficava por conta de que nesta segunda parte, tudo poderia ser exagerado demais, e assim comprometer no resultado final do filme. Mas ainda bem que o diretor Dean Parisot soube balancear muito bem as coisas, e o resultado final é um longa bem divertido.

Nesta segunda parte acompanhamos o personagem de Bruce Willis, Frank Moses viajando pelo mundo em busca de uma arma nuclear. A situação é ótima para que todos os aposentados (entre outros) usem de muita ação quando necessário, e também algumas piadas na medida certa; piadas estas, mais uma vez por conta principalmente de John Malkovich, que continua hilário como no primeiro filme. Anthony Hopkins é o “novato” no elenco, mas como sempre, está ótimo. Destaque também para Helen Mirren e Mary-Louise Parker, esta última finalmente colocando mãos a obra na ação junto com os agentes.

O diretor Dean Parisot conseguiu manter a química do elenco, e a aparência que da ao longo do filme, é de que todos estão se divertindo, fazendo o que mais gostam. A edição do filme é muito bem feita, e mesmo com muitos personagens e viagens ao redor do mundo, em momento algum fica confuso. Destaque também para a trilha sonora. A cena final mostra toda a experiência do time de Moses. E o filme ainda aproveita para deixar um gancho para uma possível parte 3, o que seria muito bem vindo… desde que, mantenha sempre essa qualidade…

Nota: 8,0

RED 2, 2013. Direção: Dean Parisot. Com: Bruce Willis, John Malkovich, Mary-Louise Parker, Helen Mirren, Anthony Hopkins, Byung-hun Lee, Catherine Zeta-Jones, David Thewlis, Brian Cox. 116 Min. Comédia / Ação.

Evilmar S. de Almeida é comentarista de cinema do Claquetes. Instrutor de Informática por profissão e cinéfilo por natureza, é fundador e Editor Chefe do Claquetes desde 2011.

Cinema: Cine Holliúdy

Belezura, Arrumado e Joiado… 

Francisgleydisson e Maria das Graças: Paixão pelo cinema.

Francisgleydisson e Maria das Graças: Paixão pelo cinema.

No interior cearense, em meados dos anos 1970, Francisgleydisson (Edmilson Filho) é um pequeno exibidor que luta para manter sua sala aberta, a despeito da chegada das TVs. Após fracassar em uma cidade, ele e sua família se mudam para o município de Pacatuba, onde encontra uma plateia deveras pitoresca para seus filmes.

Expectativa. Essa é a palavra que mais cercava (e cerca, para quem não viu), o longa Cine Holliúdy. Principalmente para o povo Cearense (inclusive eu, que escrevo essas palavras). O filme tem um trailer que conquista o espectador, fora todo o material de divulgação em redes sociais, e matérias em programas de TV aqui no estado do Ceará. Mas duas perguntas ficavam no ar: Conseguiria o filme manter a qualidade do trailer? Ou seria mais um caso de trailer maior do que o filme?

Felizmente, a resposta é positiva. E sim, o filme mantém a qualidade. Cine Holliúdy não é perfeito, como todo filme tem falhas, mas essas falhas em nada atrapalha o andamento da história. Os destaques mesmo ficam para os pontos positivos, que olha, são muitos.

Ver na tela, dizeres cearenses, é mais do que se divertir. É nos sentirmos dentro da história. Fazendo parte da trajetória de Francisgleydisson. Ouvir coisas como: “ande, tonha“; “cara de chibata“; “leruaite“; “prega rainha” é reconhecer o que estamos vendo. A fotografia do filme é marcante com as imagens do interior do Ceará, além de uma trilha sonora bem bacana, que casa perfeitamente com as
cenas que vemos na tela.

Agora, o destaque principal, fica mesmo para o roteiro. Escrito pelo diretor Halder Gomes, além de todas as “marmotas” cearenses, o roteiro toca em um ponto importante da história, como a chegada da televisão no interior, e assim a possível falência das salas exibidoras de filmes. Esse é o gancho para percebermos que além de ser o seu ganha pão, Francisgleydisson é apaixonado por cinema. E assim ele vai tentando driblar todas as barreiras para conseguir prosseguir com a sua paixão. Halder Gomes também aproveita para mostrar como anda essa situação no estado, já que dos 184 municípios que tem no Ceará, apenas 5 tem cinema. Sendo que um deles, a capital Fortaleza.

Personagens “estribados” (tradução de “ricos”, em cearense… haha), o filme tem muitos. Mas não ricos em dinheiro, e sim em presença de tela. Edmilson Filho que vive Francisgleydisson é o principal, aquele que se “garante“, que chama a responsabilidade pra si, e que na hora H consegue ser desenrolado. Sua esposa Maria das Graças, é interpretada por Miriam Freeland, o alicerce da família. Ela é quem segura as pontas e resolve as coisas quando Francisgleydisson parece sem rumo. O público cearense também vai rir com muitos artistas famosos aqui no estado, como Falcão, Bolachinha, João Netto, Karla Kareninna… entre outros.

No final, Cine Holliúdy ainda deixa no ar uma mensagem positiva: se temos um sonho, devemos acreditar e ter esperança até o fim, porque eles podem se realizar. E é sempre bom, ter esperança.

Nota: 9,0

Cine Holliúdy, 2013. Direção Halder Gomes. Com: Edmilson Filho, Roberto Bomtempo, Miriam Freeland, Karla Karenina, Joel Gomes, Falcão, Bolachinha, João Netto, Fiorella Mattheis. 91 Min. Comédia.

Evilmar S. de Almeida é comentarista de cinema do Claquetes. Instrutor de Informática por profissão e cinéfilo por natureza, é fundador e Editor Chefe do Claquetes desde 2011.