Cinema: Como Eu Era Antes de Você

Como Eu Era Antes de Você

Histórias originais estão cada vez mais escassas em Hollywood. Remakes, adaptações de livros e blockbusters invadem cada vez mais as salas de cinema. Como Eu Era Antes de Você apresenta elementos que já vimos em outros filmes, como A Teoria de Tudo e Meu Pé Esquerdo, além do francês, Intocáveis, porém, muito bem conduzido e executado pela dupla de atores que movem o longa metragem.

O filme nos apresenta Louisa Clark, interpretada por Emilia Clarke, do seriado Game of Thrones. Uma jovem sem muitas pretensões grandiosas em sua vida, que vive enfrentando problemas financeiros, mas que está sempre com um sorriso cativante no rosto. Suas roupas bregas e extravagantes mostram como ela é, digamos, um pouco largada neste mundo de aparências. Uma oportunidade de emprego surge para ela, cuidar do tetraplégico Will, interpretado por Sam Caflin, da Saga Jogos Vorazes.

Um dos fatores mais interessantes do filme é o contraste entre os dois personagens. Enquanto Louisa sempre está sorridente, Will é sempre sarcástico devido às circunstâncias que a vida lhe trouxe. O clima entre os dois que é de rejeição no início, vai deliciosamente se transformando durante o decorrer da história para algo maior. Louisa vai perceber que a sua tarefa é muito maior do que cuidar de Will, e o amor que nasce dentro dela é lindo, tamanha simplicidade e humildade que seu personagem carrega.

Com roteiro de Jojo Moyes que também é a autora do livro que deu origem ao filme e dirigido por Thea Sharrock, o longa consegue transitar muito bem entre o drama, a comédia e o romance. Esse equilíbrio é fundamental para o andamento da história, que nos faz refletir o quanto é importante viver a vida intensamente, ao lado de pessoas que realmente querem nos ver bem. O bom do filme é que ele foca mais nisso precisamente, do que no romance entre os dois personagens. A diretora consegue criar cenas lindas entre eles, em especial uma cena de dança, que de tão singela, é emocionante.

Para viver Louisa Clark, uma Emilia Clarke fofa e cativante foi escolhida. Apresentada com roupas estranhas, a personagem logo conquista a nossa atenção pelo seu modo de viver. Sempre alegre, apesar das dificuldades, Emilia foi a escolha perfeita para viver a personagem. Ela é a alma do filme. Sam Caflin, que vive Will, também está muito bem em seu papel. Impossibilitado pela deficiência, o ator coloca muito bem em cena as características do personagem. Merece destaque também Janet McTeer e Charles Dance que interpretam os pais de Will. O filme ainda conta com Matthew Lewis, o Neville da Saga Harry Potter, aqui interpretando o namorado chato e sem graça de Louisa.

A linda trilha sonora ajuda a conduzir o filme. Músicas doces e arrebatadoras, como uma canção da Adele, trás emoção no momento certo, sem parecer piegas.

Não é original. Possui clichês? Sim. Mas são muito bem utilizados no filme. Como Eu Era Antes de Você tem a principal virtude do cinema, que é emocionar. E como diria Lisbela, “A graça não é saber o que acontece, é saber como acontece e quando acontece”.

Nota 9

Me Before You, 2016. Direção: Thea Sharrock. Com: Sam Caflin, Emilia Clarke, Vanessa Kirby, Pablo Raybould, Jenna Coleman, Matthew Lewis, Janet McTeer, Charles Dance. 110 Min. Drama.

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Cinema: O Quarto de Jack

O Quarto de Jack

Baseado no livro da escritora Emma Donoghue, O Quarto de Jack é bastante desafiador para quem o assiste. Claustrofóbico por boa parte da trama se passar dentro de um quarto, e com uma linha narrativa a partir do ponto de vista de uma criança de cinco anos, o longa acabou sendo uma das grandes surpresas do ano, revelando uma história forte e arrebatadora.

O filme conta a história de Joy (Brie Larson) que vive com seu filho Jack (Jacob Tremblay) dentro de um quarto, aprisionados. Os dois são mantidos em cárcere privado pelo homem que sequestrou Joy quando ela tinha 17 anos. Sete anos se passaram, mas ambos continuam sem poder ver o mundo a sua volta. Enclausurados, eles só veem a luz do dia através de uma claraboia. O pequeno Jack não conhece o mundo fora do quarto, até os quatro anos ele nem sabia que o nosso mundo existia. Mas sua coragem é fundamental para que ambos consigam escapar do quarto depois de um plano.

Fora do quarto é como se o filme fosse uma poesia. A primeira vez que Jack vê o céu é emocionante. A forma como o garoto contempla aquela imensidão azul, combinada com a trilha sonora, é impossível segurar as lágrimas. A partir desta cena, tudo é novidade para Jack, e aí entra em cena a delicadeza da direção de Lenny Abrahamson. O diretor conduz com perfeição tudo ao redor de Jack, e a forma de focar a câmera no olhar forte do garoto é excepcional.  O diretor também merece elogios por tocar de forma tão suave em um tema tão espinhoso como é o cárcere privado.

Quando tudo parecia resolvido e os dois viveriam felizes para sempre fora do quarto, é aí que o filme guardava para a sua metade final o show de Brie Larson, que recentemente ganhou merecidamente o Oscar de Melhor Atriz por sua performance como Joy. Longe do quarto, podemos perceber problemas entre Joy e os pais, e podemos perceber o quanto durona a vida a transformou. Estamos lidando com uma personagem que teve seu psicológico levado ao extremo, que passou por muita coisa e que mesmo assim conseguiu sobreviver a todos os obstáculos que apareciam em sua vida.

Brie Larson arrebenta em seu papel.  As expressões exercidas por ela durante toda a trama não deixam dúvidas de que o Oscar foi parar em boas mãos. A forte atuação de Brie anda lado a lado com a cativante e a apaixonante atuação do pequeno Jacob Tremblay. Olha, fazia muito tempo que um ser tão pequenino não fazia chorar, este que vos escreve agora. Você se emociona com tudo o que acontece ao seu redor, seja a falta de um bolo com velas, ou todas as emoções que ele transmite sem falar nada, ao ver ou sentir algo pela primeira vez. Pequeno no tamanho, mas com um coração gigante. Jacob exala emoção durante todo o filme. É um novo ator mirim para ficarmos de olho. Joan Allen e William H. Macy completam o elenco como os avós do garoto.

O roteiro do filme deixa algumas situações em aberto. O que aconteceu com o rapaz que mantinha Joy presa. Ele foi preso? Está foragido? Não sabemos. O personagem de William H. Macy também some da trama, após uma forte cena entre ele e Joy. Situações como essas, o filme não amarrou, mas nada que prejudique o resultado final deste maravilhoso longa.

O Quarto de Jack deve emocionar todos. Seja pela força da personagem de Brie Larson ou o carisma do pequeno Jacob. E após uma sessão tão emocionante, o que podemos fazer é nos despedir de Brie e Jacob com simples “tchau”.

Nota 9

Room, 2015. Direção: Lenny Abrahamson. Com: Brie Larson, Jacob Tremblay, Sean Bridgers, Wendy Crewson, Joan Allen, William H. Macy, Amanda Brugel, Joe Pingue. 118 Min. Drama.

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Cinema: Brooklin

Brooklin

Esqueça todos aqueles filmes de romance melosos descartáveis, onde os protagonistas apenas tentam ficar uns com os outros sem haver escolhas e decisões importantes a serem tomadas. Brooklin vai muito além do apenas conquistar a pessoa amada. O filme chega aos cinemas repleto de qualidades e nos leva a uma verdadeira história de amor.

No longa somos guiados pela protagonista Saoirse Ronan. A garotinha que vimos em Desejo e Reparação e Um Olhar do Paraíso cresceu, assim como o seu talento. Aqui em Brooklin ela dá um show de atuação, fazendo por merecer a sua indicação ao Oscar de Melhor Atriz. No filme, a personagem de Saoirse, Eilis Lacey, deixa a sua mãe, irmã e terra natal, a Irlanda, para trás e viaja para os Estados Unidos no início dos anos 50, buscando ter uma vida melhor. Apesar de já ter um emprego, que o Padre Father Flood, vivido por Jim Broadbent, conseguiu, o começo da sua estadia na América é complicado. Eilis sente saudade da família, amigos e da Irlanda, essa saudade é um pouco amenizada graças às cartas que ela troca com a irmã. Porém, não demora muito para o destino de Eilis mudar ao conhecer o jovem italiano Tony Fiorello (Emory Cohen).

Os dois se apaixonam e logo começam a paquerar. O termo é antigo, mas lembre-se, estamos falando de um filme que se passa no início dos anos 50. A trajetória de romance dos dois é lindamente conduzida pelo diretor John Crownley, que nos emociona por diversas vezes com cenas do casal. Com o romance, Eilis fica mais segura de viver na América, e até começa a render mais no trabalho e nos estudos. Até que, após devido a uma fatalidade, ela é obrigada a voltar à Irlanda e passar um tempo com a mãe e deixar para trás por um instante o seu amor. Chegando à Irlanda, a nossa protagonista começa a viver uma série de conflitos dentro dela.

Talvez o ponto chave para Brooklin ter dado tanto certo seja o fato dos conflitos da personagem se passar em dois países. Presente de um lado está o passado e futuro do outro. Aparentemente um é mais fácil de escolher. Mas nem sempre o que é mais fácil é melhor, e nossa protagonista tem que escolher o que ela quer para a vida dela.

É a partir daí que Saoirse Ronan começa a dar um show. A atriz consegue passar uma veracidade monstruosa com tudo o que acontece ao redor dela. O medo de ir para um país novo; de se apaixonar; à volta para casa e deixar o amado para trás; e o principal conflito que eu não contarei aqui para não dar spoiler. Mas conseguimos sentir tudo o que sua personagem vive. Saoirse tem uma atuação fantástica. Brooklin é um filme que emociona e que em muitas cenas você vai ficar com os olhos marejados por tudo o que acontece com Eilis.

Além se Saoirse Ronan, o ator Emory Cohen, o italiano que ela se apaixona está ótimo em cena. O casal deixa transparecer a química em cenas doces e leves, e logo de cara somos pegues torcendo para que eles fiquem juntos. A sempre ótima Julie Walters também rouba a cena com a sua personagem Sra. Kehoe, a dona da pensão onde Eilis vai viver quando chega à América. E fiquem de olho também no garotinho que interpreta o irmão de Tony, o menino tem carisma.

O filme ainda tem detalhes técnicos como figurino, edição e direção de arte feitos com muito cuidado, tudo criado perfeitamente para contribuir com a história. A trilha sonora é tão linda e delicada como o romance de Eilis e Tony.

Brooklin fica marcado por não ser aquele romance água com açúcar. O filme resgata aquela alma do cinema clássico das décadas passadas. Consegue nos emocionar e nos faz refletir o quanto é importante arriscarmos na vida.

Nota 10

Brooklyn, 2015. Direção: John Crowley. Saoirse Ronan, Emory Cohen, Domhnall Gleeson, Jim Broadbent, Julie Walters, Jessica Paré, Fiona Glascott, Emily Bett Rickards. 111 Min. Drama.

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Cinema: O Regresso

O Regresso

O cinema tem o dom de nos fazer aproveitar cada filme de um jeito diferente. Muito além de fazer rir ou chorar, existem filmes que quando saímos da sessão nos fazem perceber que acabamos de passar por uma “experiência”. E filmes que causam essa “experiência” são raros. Para nossa sorte, O Regresso estrelado por Leonardo DiCaprio e dirigido por Alejandro Gonzáles Iñárritu é um desses filmes.

Baseado em fatos reais, Leonardo DiCaprio interpreta Hugh Glass, um guia para caçadores de animais que desbravam uma região bastante perigosa dos Estados Unidos, no longínquo ano de 1820. Hugh Glass é atacado ferozmente por um enorme urso, que o deixa mortalmente ferido. Glass acaba sendo deixado para trás pelo seu colega John Fitzgerald, interpretado por Tom Hard. E é com esse enredo que a “experiência” cinematográfica que envolve o extinto de sobrevivência e desejo de vingança começa.

Interessante analisar os últimos trabalhos de Alejandro Gonzáles Iñárritu. Ano passado o diretor venceu o Oscar por Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância), filmando de maneira magistral praticamente em um plano sequência. Lógico que é impossível se filmar com apenas um plano sequência, mas o trabalho do diretor aliado com a destreza de Stephen Mirrione, que montou o filme, nos deu esta impressão. Aqui em O Regresso, o diretor resolveu filmar com luz natural, um novo desafio para Iñárritu e Mirrione. E o resultado é simplesmente brilhante. O diretor aproveita como poucos a beleza do local, e nos faz contemplar paisagens belíssimas. O trabalho do diretor de fotografia Emmanuel Lubezki, vencedor duas vezes do Oscar por Birdman e Gravidade, foi genial. A beleza das paisagens com o toque da luz natural faz do filme um dos mais belos da história. Em certos momentos o longa nos faz lembrar de filmes como Árvore da Vida e Gladiador, graças a algumas cenas que remetem a eles. Com certeza O Regresso será sempre lembrado, tamanho a sua beleza.

Leonardo DiCaprio consegue a sua quinta indicação ao Oscar. Em O Lobo de Wall Street com uma atuação impecável ele passou perto, mas não levou. Em O Regresso, o ator se despe de seu rosto bonito, com cabelos e barba grandes, e mortalmente ferido após o ataque do urso. DiCaprio está totalmente destruído, e a Academia do Oscar ama quando um ator está assim, por isso ele é forte candidato a ganhar a sua primeira estatueta dourada. A sua atuação é uma das coisas mais poderosas que o cinema já viu. Cada close de Iñárritu em seu rosto, mostra a dedicação do ator em compor um papel difícil, mas que só um ator com a sua qualidade poderia interpretá-lo tão bem. DiCaprio conquista o público com uma atuação arrebatadora, o que deve fazer ele ganhar finalmente o Oscar. Outro destaque do filme é Tom Hardy. Em um personagem bastante complexos, Hardy consegue nos entregar um homem cheio de medos, mas que coloca seus objetivos sempre a frente, não deixando o medo transparecer. É um personagem composto com muito cuidado, olhar e ações se destacam em sua atuação.

Alejandro Gonzáles Iñárritu se firma como um dos grandes nomes do cinema, e sua maneira de filmar nos deixa ansiosos por seus próximos trabalhos. Brilhante em Birdman e estupendo em O Regresso, o diretor nos entrega cada vez mais trabalhos primorosos. A veracidade das cenas em O Regresso, nos deixa boquiabertos em vários momentos. Sejam cenas envolvendo flechas, facadas, ou o impressionante ataque do urso, o modo do diretor filmar sem cortar o plano sequência é de se perguntar: Como ele consegue isso? Porque chega a assustar a veracidade imposta nas cenas de ação. Por isso o cinema é tão lindo e mágico, graças a gênios como Iñárritu.

Impressionante. Essa palavra define bem O Regresso. Um dos mais belos filmes das últimas décadas. Assista e aproveite uma das grandes experiências em termo de luta de sobrevivência.

Nota 10

The Revenant, 2015. Direção: Alejandro Gonzáles Iñárritu. Com: Leonardo DiCaprio, Tom Hardy, Domhnall Gleeson, Will Poulter, Forrest Goodluck, Paul Anderson, Kristoffer Joner, Joshua Burge, Christopher Rosamund. 156 Min. Drama.

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Cinema: Creed – Nascido Para Lutar

Creed - Nascido Para Lutar

Após seis filmes e a idade pesando nas costas de Sylvester Stallone, a pergunta que todos faziam era: Creed: Nascido Para Lutar seria realmente necessário? A pergunta ficava muito mais intrigante, principalmente depois do ótimo sexto filme, que parecia ter encerrado a franquia Rocky. Para alegria dos fãs do clássico personagem, este novo filme é uma grande homenagem a toda a saga, e porque não dizer, que também pode significar um rito de passagem.

O filme começa com uma briga de crianças em um orfanato. Logo descobrimos que uma das crianças envolvidas é Adonis Creed, filho do lendário Apollo Creed, rival e grande amigo de Rocky Balboa. Adonis é filho de um caso que Apollo teve fora do casamento. O garoto não conheceu o pai, que morreu em uma luta. A viúva de Apollo resgata o menino do orfanato, participa do crescimento dele, consegue um emprego, porém, o boxe está em suas veias, e o jovem começa a praticar boxe sozinho, preferindo não carregar o o nome da família, assim, lutará para vencer na vida, sem depender do sobrenome do pai.

Rocky Balboa surge na história quando Adonis decide entrar com tudo no mundo das lutas. Após abandonar o emprego, e a casa em que cresceu, Adonis sabendo de todo o histórico passado do pai, vai procurar Balboa para pedir que ele o treine. De início Rocky reluta no pedido. Sabe que a idade o castiga, porém, acaba aceitando o pedido do garoto e passa a treiná-lo.

A partir daí, uma série de clichês da franquia começam a ser utilizados, mas diga-se de passagem, muito bem utilizados. Cenas de treinamento acelerados, ótimas cenas de luta, discursos de motivação de Balboa, tudo está lá, e muito bem posicionado. O diretor Ryan Coogler utiliza de maneira estupenda todos os elementos que ficaram marcados na franquia. E ainda vai criando um caminho para Adonis Creed ter algumas continuações em outros filmes. Como eu falei no início, o filme serve como um rito de passagem. E isso fica nítido em vários momentos do longa. Rocky Balboa já fez muito pelo cinema, e agradecemos muito por isso.

Uma coisa interessante ao longo do filme está relacionada ao tema clássico do personagem Rocky. Eu que escrevo estas linhas, como fã da franquia, não via a hora de escutá-lo. Porém, o tempo foi passando, e nada do tema clássico. Isso anda muito junto ao fato do personagem de Adonis não querer o sobrenome do pai. Ele quer vencer na vida com suas próprias forças. Ou seja, para que tocar o tema clássico, se nem no título aparece o nome de Balboa? Ao pensar dessa forma, percebi que fazia total sentido a música tema dos filmes anteriores não estar presente. Durante todo o longa, um fragmento da música toca, que é durante um certo momento da luta principal de Adonis, mas que faz um sentido espetacular para a cena e para a história. É um daqueles raros momentos que você percebe que o diretor estava iluminado para poder criá-lo.

O roteiro tem algumas falhas, como o rápido envolvimento entre Adonis e sua vizinha, que logo estão namorando. O filme não se preocupa em desenvolver a relação. Talvez essa seja a única falha de um roteiro que sabe emocionar, fazer rir, vibrar e arrancar uma lágrima no momento certo. Sylvester Stallone e Michael B. Jordan merecem aplausos e mais aplausos devido as suas grandes atuações. Michael assumiu como ninguém o espírito Rocky de ser.

Creed: Nascido Para Lutar pode ter sido um encerramento para o personagem de Rocky Balboa. Caso seja uma despedida, nos alegra saber que o bom e velho Rocky sempre estará por perto quando precisarmos de uma palavra amiga, uma motivação, alguém que sempre nos fará acreditar em nós mesmos. Alguém que nos ensinará sempre que o certo é um degrau de cada vez.

Nota 9

Creed, 2015. Direção: Ryan Coogler. Com: Michael B. Jordan, Sylvester Stallone, Tessa Thompson, Phylicia Rashad, Tony Bellew, Ritchie Coster, Graham McTavish. 133 Min. Drama.

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Cinema: A Grande Aposta

A Grande Aposta

A crise vivida pelos Estados Unidos em 2008 virou filme nas mãos de Adam McKay. Estrelado por um grande elenco, divididos em quatro núcleos, o longa mostra o capitalismo de maneira nua e crua, aconteça o que acontecer.

O filme fica centrado nos personagens de Steve Carell, Ryan Gosling, Christian Bale e Brad Pitt. Todos eles têm objetivos em comum, lucrar com a crise que vai estourar.  Independente das classes sociais que vão arcar com o prejuízo. O quarteto que em poucas cenas contracenam juntos, ficam fazendo projeções e esperando a crise chegar para colher os frutos. Cabe a nós acompanharmos todo esse jogo envolvendo muito dinheiro e que ainda tem tempo para colocar muita cultura atual, seja com músicas ou personalidades desta época aparecendo em cena.

Mesmo com um elenco estelar, o filme tem um roteiro confuso em seu início. Se você, assim como eu, não estiver acostumado a esse tipo de assunto, como ações da bolsa, hipoteca e um monte de outras siglas que eles tratam, vai achar a história um pouco desinteressante. O filme melhora muito na sua reta final, próximo de acontecer toda a crise que eles preverão.

Steve Carell tem a melhor atuação entre os quatro protagonistas. Seu personagem tem a aparência cansada e confusa no meio de tanta informação que é lançada. Brad Pitt tem uma atuação normal, que não exige dele nada demais. Ryan Gosling é uma cópia de Jordan Belfort, que Leonardo DiCaprio interpretou em O Lobo de Wall Street, porém, seu personagem não tem o mesmo carisma que o de DiCaprio. Christian Bale tem um ótimo início, com seus trejeitos, porém seu personagem vai perdendo espaço conforme a história avança.

A trilha sonora do filme merece destaque. Músicas atuais de cantores americanos, até clássicas fazem parte do filme. O rock também está presente graças ao personagem de Christian Bale. O filme também tem uma ótima montagem. No mais, o longa vai muito bem.

A Grande Aposta é um filme que tem um enredo difícil de se deixar conquistar. Envolvendo números, projeções, crises, entre outras coisas, foi um filme lembrado pela Academia, mas que não deve fazer nada demais na noite do Oscar.

Nota 7

The Big Short, 2015. Direção: Adam McKay. Com: Ryan Gosling, Christian Bale, Steve Carell, Brad Pitt, Shauna Rappold, John Magaro, Melissa Leo, Marisa Tomei. 130 Min. Drama.

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Cinema: Spotlight – Segredos Revelados

Spotlight - Segredos Revelados

De vez em quando o cinema gosta de retratar histórias de jornalismo investigativo. De roteiros originais, como Intrigas de Estado, a baseado em fatos reais, como Zodíaco, o certo é que quase todos geram ótimos filmes. Spotlight: Segredos Revelados é um filme baseado em fatos reais, envolvendo abuso sexual infantil partindo de uma das instituições mais poderosas do mundo: a Igreja Católica.

Para entender o filme somos jogados dentro da redação do jornal Boston Globe e conhecemos a equipe editorial chamada Spotlight. Essa equipe trabalha em matérias investigativas, na qual demoram muito tempo para serem publicadas devido a todo o tramite que uma matéria dessas tem: levantamento de dados, entrevistas, apuração dos fatos, investigações etc. O jornal recebe um novo editor-chefe, Marty Baron (Liev Schreiber), que, ao chegar, pede para a equipe Spotlight investigar um caso de pedofilia na cidade de Boston, em que o acusado é um padre.

A partir daí a equipe encabeçada por Walter Robinson (Michael Keaton) começa as investigações. Mike Rezendes (Mark Ruffalo), Sacha Pfeiffer (Rachel McAdams) e Matt Caroll (Brian d’Arcy) se debruçam no assunto a ponto de não dormirem direito. A cada descoberta, outra coisa vai aparecendo e eles percebem que aquele padre que eles começaram a investigar é apenas a ponta do iceberg, numa trama que envolve poder e dinheiro.

O maior acerto de Spotlight: Segredos Revelados é porque o filme fica centrado na instituição da igreja católica. Em nenhum momento o filme questiona a fé, o filme apenas vai mostrando a caça a pessoas que estariam envolvidas em pedofilia. Isso fica mais claro quando um dos personagens diz: “A igreja católica é uma instituição e uma instituição é formada por homens, logo, pode cair”. Os dados informados durante o longa são assustadores. A cada nova descoberta ficamos mais surpresos. Na sessão em que eu estava, era notório ver o público se espantando com cada nova descoberta revelada pela equipe Spotlight.

O filme é uma aula de jornalismo investigativo, com todo aquele charme de ir atrás da notícia. Nada de sangue e tiro. É nítido no roteiro o uso de teorias como gatekeeper, newsworthness, entre outras. Observamos de perto o nascimento de uma notícia, desde seu início.

Para dar vida a esses personagens, um grande elenco foi reunido. Michael Keaton está ótimo como o chefe da equipe Spotlight. O ator que renasceu na carreira graças ao sucesso de Birdman ano passado, aqui dá prosseguimento a ótima fase em que vive. Ele entrega um personagem que consegue tirar o melhor da sua equipe. Rachel McAdams tem a sua melhor atuação da carreira, mostrando em sua personagem uma força incrível, apesar de parecer frágil. Por fim, temos a melhor atuação do filme, a de Mark Ruffalo, em que percebemos que ele é quem mais fica envolvido e tocado com a história. Mark inclusive tem uma cena impecável, na qual ele esbraveja com seu chefe. É por essas e outras que Spotlight: Segredos Revelados vai forte para o Oscar.

O filme é dirigido por Tom McCarthy que não tinha feito nada de relevante até aqui. Seu filme mais famoso foi Trocando os Pés, estrelado por Adam Sandler. Aqui em Spotlight ele tem uma direção impressionante, com planos e tomadas perfeitas, o diretor consegue fazer passar tanta coisa na nossa cabeça, em cenas que mostram crianças cantando em coral de igreja ou crianças que foram abusadas. Simplesmente fantástica a sua direção. O filme também tem uma trilha sonora ótima e um design de produção que recriou o início dos anos 2000 perfeitamente bem.

Essa matéria investigativa foi vencedora de um Pulitzer, o Oscar do Jornalismo americano. A própria equipe da Spotlight escreveu um livro e que virou este filmaço que agora caminha para a maior premiação do Cinema.

Um soco no estomago até nos créditos finais. Spotlight: Segredos Revelados é corajoso ao mostrar o lado podre de algumas pessoas envolvidas na instituição igreja. Um filme visceral que nos faz perder um pouco mais de fé na humanidade.

Nota 10

Spotlight, 2015. Direção: Tom MacCarthy. Com: Mark Ruffalo, Michael Keaton, Rachel McAdams, Liev Schreiber, John Slattey, Brian d’Arcy, Stanley Tucci. 128 Min. Drama.

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