R.I.P.: Wes Craven

Morre Wes Craven, criador de Freddy Krueguer e diretor da Franquia Pânico.

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Faleceu neste domingo (30/08), na cidade de Los Angeles, o diretor Wes Craven, famoso por diversos filmes de terror. Ele morreu aos 76 anos, vítima de um câncer no cérebro.

Conhecido como “mestre do terror” graças a reinvenção do gênero com duas de suas criações, os filmes A Hora do Pesadelo e a franquia Pânico. Em A Hora do Pesadelo, criou um personagem que é cultuado até hoje, Freddy Krueguer. Na franquia Pânico, fez surgir uma máscara que até hoje é lembrada pelos cinéfilos. Pânico ficou reconhecido mundialmente, por uma estética nova no terror e por um roteiro inovador. Wes, recriava ali, pela segunda vez o gênero que o consagrou.

Wes Craven revelou atores que até hoje fazem sucesso. Johnny Deep foi descoberto por ele em A Hora do Pesadelo (1984) e Sharon Stone teve seu primeiro papel de protagonista em Bênção Mortal (1981). Bruce Willis por sua vez ganhou de Wes, um papel na série Além da Imaginação na década de 1970.

Seus principais filmes são: Aniversário Macabro (1972), Quadrilha de Sádicos (1977), Bênção Mortal (1981), A Hora do Pesadelo (1984), A Maldição de Samantha (1986), As Criaturas Atrás das Paredes (1991), Pânico (1996), Música do Coração (1999) e Voo Noturno (2005).

Wes Craven nasceu em 2 de agosto de 1939 e seu último trabalho no cinema foi Pânico 4 em 2011.

Obrigado pelos pesadelos…

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Memorável: A Hora do Pesadelo

Em 1984 nasce um dos ícones do Cinema de terror: Freddy Krueguer.

Um, dois… o Freddy vem te pegar… três, quatro… a porta é bom trancar… na década de 80 esta “música” virou sinônimo de medo, arrepio e… pesadelo. A Hora do Pesadelo chegava aos cinemas com uma ideia pra lá de original e incrível, e virou um dos filmes mais cultuados da história do terror, e ainda transformou Freddy Krueguer em um dos maiores personagens da história do cinema.

Um dos pontos fortes de A Hora do Pesadelo é o seu início. Acompanhamos Freddy criando a sua arma, a famosa luva com garras, e logo depois somos jogados em um sonho da personagem Tina. Sabemos com isso que ele é o vilão, mas não sabemos as suas motivações, o porque que ele é assim. Isso saberemos mais adiante, graças a mãe da personagem Nancy que contará tudo sobre Freddy. A personagem de Tina, um pouco mais adiante no filme, protagoniza uma das cenas de morte mais angustiantes da história do cinema. Revi o filme para escrever este Memorável em seu áudio original, e é torturante escutar todos os gritos dela, enquanto agoniza até a morte.

Crianças cantam uma música de arrepiar.

Outra coisa que o diretor Wes Craven deixou bem assustador no filme, foi as crianças pulando corda e cantando a música que está no início deste post. A música deu tão certo, que está presente em toda a franquia A Hora do Pesadelo. O que deixa a elaboração das cenas com as crianças ainda mais aterrorizante, é pensar que aquelas meninas podem ser as crianças que o Freddy matou antes de ser queimado pelos pais da vizinhança. O fato das crianças estarem todas de branco e com uma roupa que parece aquelas usadas em mortos, aumentam esta possibilidade.

Nem sempre em um filme de terror mostrar o vilão abertamente é correto. Peguem por exemplo A Bruxa de Blair, que em nenhum momento aparece a Bruxa, mas mesmo assim é um dos filmes mais assustadores da história. Cloverfield caminhava muito bem, mas quando mostrou o monstro, o filme perdeu um pouco o encanto… Em A Hora do Pesadelo, Freddy Krueguer não é mostrado direto… muitas vezes (principalmente no início) o seu rosto fica no escuro, mostrando apenas o seu corpo, ou só o olho, ou só a boca… aumentando assim o medo que o personagem pode passar para a gente, aquele medo do desconhecido.

Na banheira: uma das cenas mais clássicas do cinema de terror.

O filme tem algumas cenas que ficam no nosso imaginário. A morte da Tina, já citada acima; a mão do Freddy aparecendo na banheira enquanto nancy toma um banho; A morte do personagem Glen, que fica tão destruído que quando o socorro chega, uma das pessoas diz: “não precisa de maca, e sim de um pano de chão…”. A cena final, até parece um Esqueceram de Mim, já que Nancy monta uma série de armadilhas para pegar o Freddy, uma coisa meio boba, mas se pensar que ela é apenas uma adolescente e com recursos limitados, até é compreensível.

Duelo final: Nancy consegue tirar Freddy do sonho.

Jhonny Depp: morte em seu primeiro filme.

No campo das atuações, A Hora do Pesadelo marca a estreia do mega astro Johnny Depp nos cinemas. Interpretando Glen, namorado da personagem principal, Nancy, Depp dura 68 minutos em cena até a sua morte chegar. Robert Englund da vida a Freddy Krueguer, e é impossível não imaginar ele fazendo o Freddy, prova disso foi o remake lançado a pouco tempo… Robert Englund fez falta… Heather Langenkamp é a personagem mais carismática que passou pela série, estando presente em algumas continuações.

Além de assustar, Freddy se mostra “nojento”.

Muitas histórias cercam a suposta fonte de ideia para a criação do personagem Freddy Krueguer. Uma delas é que Wes Craven tinha muitos pesadelos durante a sua infância, que foi contubarda. A outra (e mais interessante) é que Wes Craven ficou sabendo que em um determinado local, várias crianças morreram depois de ter tido o mesmo sonho. Sabendo disso, ele apenas inseriu um personagem serial killer, que na época estava fazendo sucesso nos cinemas, como Leatherface, Michael Myers, Jason.

A Hora do Pesadelo pode até ter alguns defeitos por conta da época, assistindo o filme percebemos que algumas cenas bonecos são utilizados, e dá até para ver um colchão sendo utilizado em uma escada, quando o Freddy cai de uma determinada altura no final do filme. Mas a atmosfera que Wes Craven criou com a sua ótima direção é fantástica. O filme tem uma trilha sonora de arrepiar em muitos momentos. Assistindo hoje, concentrado e esquecendo as continuações horríveis que o filme teve, ele ainda consegue meter medo.

Nota: 9,0

A Nightmare on Elm Street, 1984. Direção: Wes Craven. Com: John Saxon, Ronee Blakley, Heather Langenkamp, Amanda Wyss, Jsu Garcia, Johnny Depp, Robert Englund, Lin Shaye, Joe Unger. 91 Min. Terror.

Evilmar S. de Almeida é comentarista de cinema do Claquetes. Instrutor de Informática por profissão e cinéfilo por natureza, é fundador e Editor Chefe do Claquetes desde 2011.