Cinema: Eu, Tonya

A geração de hoje em dia pouco ouviu falar da patinadora Tonya Harding. Talentosa, Tonya viu sua difícil carreira tomar rumos problemáticos a mais de vinte anos atrás, pouco antes das Olimpíadas de Inverno de 1994, quando foi acusada de mandar quebrar a perna de sua principal rival.

Margot Robbie que interpreta Tonya Harding comprou os direitos da história que há muito tempo estava esquecida em Hollywood e produziu a história. Acompanhamos Tonya desde os seus primeiros passos na patinação, logo com 3 anos de idade, até culminar no envolvimento do crime, quando a atleta tinha 23 anos. Durante esse tempo, Tonya viveu além do esporte, uma infância e adolescência marcada por abusos, o que deixou marcas na sua personalidade.

Empurrada pela mãe para o ringue de patinação, o esporte foi a única coisa que Tonya sabia fazer na vida. Sem os estudos terminados, mas com um talento enorme, ela foi a primeira patinadora na história a fazer o Axel Triplo, um salto composto por três giros no ar seguido de pisar no gelo já patinando e com os braços abertos. Porém, Tonya não se “encaixava” nos “padrões” que os americanos queriam como representante de seu país no esporte.

Tonya vinha de família pobre, além de ter sido abandonada pelo pai e de sofrer abuso da mãe LaVona Golden (Allison Janney). Quando arranjou um marido, Tonya também era espancada por ele. O foco do filme é no abuso. Tudo isso formou uma mulher de personalidade forte, que não conhecia a felicidade fora dos ringues de patinação. Após uma saída do esporte, ela vê a chance de retornar nas Olimpíadas, porém seus resultados não são bons, e o seu ex-marido que, depois se torna marido de novo, acaba tentando tirar sua concorrente da disputa.

A grande sacada do diretor Craig Gillespie foi desenvolver uma narrativa bastante envolvente com o telespectador. O filme tem um jeito de documentário, sem ser. Craig refaz entrevistas da época, sem trazer imagens antigas, a mesma coisa ele faz com algumas cenas do filme. Se você for atrás de vídeos sobre Tonya Harding, poderá ver como ele foi fiel em coisas simples.

Craig Gillespie também merece destaque nas cenas de patinação. Nessas cenas o trabalho de montagem e fotografia é absurdo de tão perfeito. A câmera patina junto com o que acontece em cena. O movimento de câmera é perfeito ao focar os pés na parte onde a dublê de Margot Robbie atua e a combinação é perfeita ao mostrar a parte de cima do corpo na pirueta final já sendo de Margot.

Outra coisa genial no filme é a quebra da quarta parede (quando os personagens conversam com o público). Aqui vemos várias versões para o ataque a rival de Tonya, com cada personagem dando sua versão. E o fato da quarta parede ser quebrada, deixa o filme mais pessoal, mais próximo da gente. A única coisa que o filme não acerta, é quando a maquiagem tenta deixar Margot Robbie mais jovem. Ela que já é jovem, fica é mais envelhecida ao invés de se parecer com uma menina de 14, 15 anos. Por outro lado, a maquiagem acerta quando precisa deixar Margot Robbie com mais de 40 anos.

Margot Robbie está sensacional. Um personagem complexo, cheio de feridas e que foi composto de forma brilhante pela atriz. Até agora é o papel da vida dela. Agora Allison Janney está simplesmente soberba. Repleta de sarcasmo e humor negro a personagem é o reflexo de quem não está nem aí para a vida. O que refletiu na infância de Tonya, e o fato de não mostrar nenhum pingo de arrependimento deixa a personagem mais fantástica ainda devido a frieza que ela entrega.

Em um determinado momento do filme, Tonya chega para os juízes e pergunta o que falta para ela conseguir notas melhores, já que as notas não condizem com a sua apresentação. É essa mesma pergunta que deveria ter sido feita para os votantes da Acadêmia. O que faltou para Eu, Tonya conseguir mais indicações ao Oscar?

I, Tonya, 2017. Direção: Craig Gillespie. Com: Margot Robbie, Sebastian Stan, Allison Janney, Julianne Nicholson, Paul Walter Hauser. 120 Min. Drama.

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Cinema: Esquadrão Suicida

Esquadrão Suicida

Vamos falar a verdade. A DC não vive um bom momento em adaptações de suas histórias para o Cinema. Depois da fantástica trilogia Batman de Christopher Nolan, tivemos o bom O Homem de Aço, o mediano Batman vs Superman: A Origem da Justiça; e agora o bagunçado (isso mesmo):  Esquadrão Suicida. O filme que apresentou um trailer muito bom, entrega um longa cheio de erros em que poucas coisas se aproveitam. Parece clichê, mas é o famoso caso do trailer melhor que o filme.

O filme começa exatamente onde Batman vs Superman: A Origem da Justiça terminou. Com isso, o governo americano teme ameaças do mesmo poderio de um Superman ou do vilão de BvS, o Apocalypse, e decide pôr em prática um plano audacioso de colocar nas ruas vários vilões para combater essas ameaças sobre-humanas.

Assim, o Esquadrão Suicida é formado por Pistoleiro (Will Smith), Arlequina (Margot Robbie), Bumerangue (Jai Courtney), Diablo (Jay Hernandez), Crocodilo (Adewale Akinnuoye-Agbaje) e Magia (Cara Delevingne), e se juntam a eles dois membros do governo, Rick Flag (Joel Kinnaman) e Katana (Karen Fukuhara).

Esquadrão Suicida passou por muitos conflitos em seus bastidores. Após o fracasso de críticas de Batman vs Superman: A Origem da Justiça, novas cenas foram filmadas, além de Jared Leto ter divulgado que não gostou dos cortes em algumas de suas cenas. Essas novas cenas possivelmente seriam para tirar o tom um pouco mais sério que BvS teve, para dar um pouco mais de humor à história, uma coisa no estilo Guardiões da Galáxia. Porém, ficou apenas na tentativa. Toda essa bagunça nos bastidores deixou o filme parecido com uma colcha de retalhos, com um roteiro meia boca, uma péssima montagem e uma trilha sonora deslocada de sua história.

O diretor e roteirista David Ayer realiza um filme sobre uma equipe, porém, só dá destaque praticamente a dois personagens. É lógico que Will Smith e Margot Robbie são os mais conhecidos e talentosos, mas era de se esperar que o diretor criasse cenas mais elaboradas para conhecermos melhor alguns dos outros personagens, e não ficar jogando na tela sem nenhuma introdução considerável.

Três personagens merecem destaque: Arlequina, Pistoleiro e Amanda Waller (membro do governo). Para dar vida a Arlequina, foi escolhida Margot Robbie. Talentosa e linda, a atriz está com o humor apurado e certeiro em suas cenas. Com certeza Arlequina é uma das melhores coisas do filme. Will Smith interpreta Pistoleiro, um personagem com uma carga dramática alta, e que mais uma vez, o ator faz muito bem. As cenas de ação envolvendo o seu personagem também são as melhores do filme. Viola Davis dá vida a agente do governo Amanda Waller e coloca em cena uma postura rígida de uma mulher firme em suas decisões e que não tem medo de impôr o seu poder em personagens tão mais perigosos do que ela. Perfeita.

Agora vamos falar do Coringa. Desde que foi escolhido para interpretar o personagem, Jared Leto viu de perto a sombra de Heath Ledger. Mas algumas pessoas apostavam que sua interpretação seria do mesmo calibre que a de Ledger (inclusive era a opinião desse que vos fala). Porém, o que vimos no filme é de dar pena. Ver um ator da versatilidade de Jared Leto sofrendo com um péssimo roteiro e entregando uma atuação tão ruim, é realmente lastimável.

Ben Affleck também dá as caras no filme, em algumas pequenas participações (inclusive na cena pós-créditos). Uma dessas cenas foi criticada por alguns, em que Batman deixa uma garotinha ser escudo dele, enquanto uma arma é apontada para ele. Conhecendo o passado do personagem e os princípios dele, o Batman jamais deixaria isso acontecer. Mas como a bagunça já estava feita[…] A cena pós-crédito é importante tendo em vista os planos futuros da DC nos cinemas.

Outros personagens mereciam mais destaque em cena, como Crocodilo e Diablo. Outros carecem de talento como é o caso de Magia, interpretada por uma insossa Cara Delevingne.

A DC e a Warner derraparam muito com Esquadrão Suicida. Agora é esperar para ver se alguma coisa mudará nos próximos longas, da Mulher Maravilha e da Liga da Justiça.

Nota 4

Suicide Squad, 2016. Direção: David Ayer. Com: Will Smith, Margot Robbie, Jai Courtney, Jay Hernandez, Adewale Akinnuoye-Agbaje, Cara Delevingne, Joel Kinnaman, Karen Fukuhara, Viola Davis, Ben Affleck. 108 Min. Ação.

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