Cinema: Doutor Estranho

APERTEM OS CINTOS, O MISTICISMO VOLTOU!

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Entre as diversas cenas dos 115 minutos de Doutor Estranho capazes de causar surtos de alegria, há uma que é uma joia: a doutora Christine (Rachel McAdams) tem de ressuscitar, sozinha na sala cirúrgica, um paciente em parada cardíaca. Só que o paciente tem a habilidade incomum de separar seu corpo astral de seu corpo físico e, enquanto Christine lida afobada com o desfibrilador, a projeção astral do paciente aproveita para se engalfinhar numa briga de bar com a projeção astral de um vilão. Rola sopapo esotérico para todo lado, alguns tão violentos que dão trancos na desesperada Christine, ou fazem soprar o cabelo dela, ou chacoalhar os equipamentos. Eu não sabia o que fazer primeiro, se roer as unhas ou gargalhar – e descobri que fazer as duas coisas ao mesmo tempo pode não ser fácil, mas é muito compensador. Essa junção de imaginação, ação, efeito, tensão, pastelão e até romance (a ressurreição do paciente é um legítimo gesto de amor por parte de Christine) é dosada com tanta felicidade, e resulta tão embriagante, que só por uma sequência assim um filme já justificaria sua existência.

Doutor Estranho conta a história de Stephen Strange (Benedict Cumberbatch), um neurocirurgião que leva uma vida bem sucedida, mas as coisas começam a mudar completamente quando ele sofre um acidente de carro e fica com as mãos debilitadas. Devido a falhas da medicina tradicional, ele parte para um lugar inesperado em busca de cura e esperança, um misterioso enclave chamado Kamar-Taj, localizado em Katmandu. Lá descobre que o local não é apenas um centro medicinal, mas também a linha de frente contra forças malignas místicas que desejam destruir nossa realidade. Ele passa a treinar e adquire poderes mágicos, mas precisa decidir se vai voltar para sua vida comum ou defender o mundo.

Doutor Estranho é o décimo quarto filme do Universo Cinematográfico Marvel, tem identidade e personalidade de sobra, mas é bem verdade que possui um roteiro não linear com algumas falhas evidentes. Porém, como já falei acima, Doutor Estranho tem muito a justificar em relação a sua existência: Benedict Cumberbatch é um ator frequentemente muito inspirado, mas aqui tem mais espaço para brincar até do que em Sherlock Holmes – e ele o aproveita tudo, e tira o sumo de cada cena e cada diálogo (o mesmo, aliás, vale para o restante do elenco). Tilda Swinton, esse ser vindo de alguma galáxia ofuscante, me deixou de joelhos como a Anciã (e não venham me dizer que é absurdo trocar um velhinho oriental por uma escocesa de meia-idade, porque absurdo seria não poder trocar o previsível pelo inesperado). O vilão Kaecelius é assim-assim, mas como quem o interpreta é Mads Mikkelsen vou fingir que não percebi; em Mads eu perdoo tudo. E esse clima viajandão é uma delícia: até os personagens parecem meio intoxicados com as coisas lisérgicas que são capazes de fazer (Londres girando como um cubo mágico, e dobrando-se sobre si mesma? Só assim Londres fica melhor do que já é). Nota 10, então, para Scott Derrickson, que faz aqui uma das transições mais elegantes que já vi, do terror de O Exorcismo de Emily Rose e Livrai-nos do Mal para o lado reverso do universo Marvel.

Quer mais encanto? Dentro de Derrickson, aparentemente, vivem também Moe, Larry e Curly, mais o Gordo e o Magro e a trupe inteira do Monty Python. A cena em que a Capa da Levitação escolhe Estranho como seu novo mestre? Brilhante. E ainda não acabou. Há um momento de beleza verdadeira, no qual a Anciã contempla o mundo e constata que qualquer vida, por mais longa que seja, é sempre muito curta (Tilda consegue transformar qualquer lugar-comum em revelação). Cuidado: se você não estiver preparado para sair de uma sessão de cinema em um estado inebriado, ou até eufórico, passe longe de Doutor Estranho.

Nota 9

Doctor Strange, 2016. Direção: Scott Derrickson. Com: Benedict Cumberbatch, Chiwetel Ejiofor, Rachel McAdams, Mads Mikkelsen, Tilda Swinton, Benjamin Bratt. 115 Min. Ação.

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Cinema: X-Men – Apocalipse

A Odisseia Perdida de Bryan Singer

X-Men Apocalipse

Definitivamente, não tem nenhuma importância quais truques se escondam no genoma dos X-Men, há uma coisa que não se altera: o quanto esses mutantes são deliciosamente, enfurecedoramente, trágica e magnificamente humanos. De todos os diversos personagens de quadrinhos que já chegaram ao cinema nessa última década, não há outros que se pareçam mais com você e eu. Ciúme, mau-humor, teimosia, ingenuidade, tolice, pessimismo – os X-Men compõem um catálogo tão vívido dos defeitos universais ao Homo sapiens, e às vezes são capazes de uma generosidade e uma lealdade tão autenticamente humanas também, que é obrigatório reconhecer: não existe gente mais comum do que eles. Foi sempre nisso que Bryan Singer, como diretor e/ou produtor da série, se ancorou: o público vai ao cinema pelos poderes especiais dos X-Men, mas fica porque se reconhece neles. Singer levou tão a sério esse preceito que pode-se argumentar que ele trata as características mais extraordinárias dos mutantes quase que como alegorias – como se elas fossem a expressão em forma bruta dos traços de caráter preponderantes de cada um dos X-Men. Dou um exemplo: Eric Lensherr/Magneto foi tão traumatizado por Auschwitz que, quando perde a compostura, vira a esquina – ou seja, reproduz no seu comportamento a agressividade e a megalomania de que ele próprio foi vítima. É uma ideia robusta, e por isso ela foi sempre cuidadosamente protegida e mantida em todos os filmes. Até aqui: X-Men: Apocalipse, abandona essa lógica. E, apesar de suas inegáveis qualidades como entretenimento, ele mais desvia a série do caminho do que a faz avançar. Dá vontade de fazer como Mercúrio (o ótimo Evan Peters) na única sequência verdadeiramente excepcional do filme: congelar a ação, ajeitar tudo que está meio fora de lugar, dar um retoque aqui e ali, por pura diversão, e só então fazer o tempo andar novamente.

O longa tem como tônica Apocalipse, En Sabah Nur (Oscar Isaac) é o mutante original. Após milhares da anos, ele volta a vida disposto a garantir sua supremacia e acabar com a humanidade. Ele seleciona quatro Cavaleiros nas figuras de Magneto (Michael Fassbender), Psylocke (Olivia Munn), Anjo (Ben Hardy) e Tempestade (Alexandra Shipp). Do outro lado, o professor Charles Xavier (James McAvoy) conta com uma série de novos alunos, como Jean Grey (Sophie Turner), Ciclope (Tye Sheridan) e Noturno (Kodi Smit-McPhee), além de caras conhecidas como Mística (Jennifer Lawrence), Fera (Nicholas Hoult) e Mercúrio (Evan Peters), para tentar impedir o vilão.

A estratégia do roteiro é até um pouco emblemática na rusga ideológica entre o conciliador Professor Xavier e o vingativo Magneto. Mas digamos que o problema é precisamente Apocalipse, o primeiro mutante e o mais estrondosamente poderoso de todos eles, já que desde tempos imemoriais vem acumulando habilidades. Há quase cinquenta séculos Apocalipse estava adormecido, nos subterrâneos da cidade do Cairo. Mas, ao despertar, quer pegar a coisa do ponto em que a deixou – preparando uma nova hecatombe para destruir a humanidade e a civilização e, assim, galgar mais um degrau na sua ascensão divina.

Bryan Singer dirige com muita competência e mais uma vez acerta na sua assinatura visual, deixando o longa visualmente inspirado nos desenhos de televisão dos anos 1990 e em algumas edições dos quadrinhos, mas ao colocar entre os X-Men o tão repisado megavilão que quer massacrar e destruir, ele vai contra o que pregou até aqui. Uma das melhores sacadas da série foi rejeitar os vilões “de quadrinhos” e preferir figuras facilmente encontráveis na geopolítica contemporânea: um senador que quer registrar os portadores de mutações da mesma forma como se registram os criminosos sexuais, um industrial do setor de Defesa que fomenta uma guerra para ganhar com ela, um cientista que quer curar mutantes (pressupondo, portanto, que ser X-Men é uma doença), militares que querem “weaponizar” os mutantes ou conspiram para criar um clamor popular em favor de sua erradicação. Quase sempre, também, as tramas de X-Men se desenrolaram em cenários que poderiam ter sido tirados do noticiário, ou de fato o foram – da II Guerra Mundial à Crise dos Mísseis de Cuba de 1962, da derrocada americana no Vietnã à opressão no Bloco Comunista, os filmes já se aproveitaram de uma infinidade de eventos históricos nos quais imbricar o enredo (até para a bala maluca que matou John Kennedy já se deu uma explicação). Aqui, porém, Singer transplanta a série para o território da fantasia, onde ela nunca teve raízes – e onde ela é só mais uma entre tantas outras.

Nota 6

X-Men: Apocalypse, 2016. Direção: Bryan Singer. Com: James McAvoy, Michael Fassbender, Jennifer Lawrence, Nicholas Hoult, Oscar Isaac, Evan Peters, Sophie Turner, Tye Sheridan, Lucas Till, Kodi Smit-McPhee. 144 Min. Ação.

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Cinema: Capitão América – Guerra Civil

Capitão América - Guerra Civil

E chega aos cinemas Capitão América: Guerra Civil, um dos filmes mais esperados do ano, não só por colocar o Capitão América e o Homem de Ferro frente a frente com suas divergências de pensamentos, mas também por mostrar pela primeira vez o Homem Aranha em um filme do universo cinematográfico da Marvel.

Os acontecimentos de Capitão América: Guerra Civil se passam logo depois de Vingadores: Era de Ultron. Depois da destruição do ataque de Ultron, que deixou um rastro de destruição, seguido de um erro cometido pela Feiticeira Escarlate, os políticos adotam como medida um acordo intitulado de Tratado de Sokóvia, nele os heróis precisariam se registrar para conter futuras catástrofes em grande escala envolvendo esse tipo de conflito e, é claro, responsabiliza-los em caso de erros. É nesse ponto que os dois principais heróis da história divergem em seus ideais e pensamento. De um lado temos Steve Rogers que não aceita se registrar, pois acredita que é bem melhor os heróis atuarem da forma em que estão; e do outro lado temos Tony Stark que acredita que se registrar junto ao governo seja o melhor que os heróis possam fazer. Esse conflito de pensamentos faz com que cada herói consiga adeptos para lutar por cada ideal. O que faz com que o filme seja uma overdose de heróis a todo momento.

Dois pontos merecem muito destaque no roteiro. O primeiro é o filme não mostrar nenhum dos dois heróis como vilão. Entre os conflitos deles, não existe bem ou mal, existe sim, como já falei acima, uma divergência de pensamentos. E isso faz com que seja bacana para o espectador escolher de qual lado ficar, criando assim uma interação bastante interessante entre filme-público. Até nas campanhas de marketing, a Marvel trabalhou muito bem isso, evidenciando muito na grande rede os Times de Capitão América e Homem de Ferro. Outro ponto bastante positivo foi o filme ter acertado na dramaticidade. Os diretores Anthony e Joe Russo entregam o filme mais maduro e dramático do universo Marvel. Aquele drama que Homem de Ferro 3 prometeu entregar, mas que ficou só no trailer, aqui é trabalhado de maneira cuidadosa pelos irmãos Russo. Aqui, vários personagens tem seus dramas internos, e acompanhar as tomadas de decisões de cada um deles, nos faz participar da história de uma maneira incrível. É muito bom, por exemplo, você ver um ator como Robert Downey Jr. trabalhando o seu ótimo lado dramático, como ele já fez muito bem em filmes mais antigos, como em Chaplin.

Apesar de ir fundo no drama, o filme tem seus momentos engraçados, não muitos, mas tem. E um fato muito bom é que essas piadas não ficam com Tony Stark. Homem Aranha e Homem Formiga são os responsáveis por diálogos e frases hilárias, que vão divertir e fazer rir no momento e na medida certa. Os irmãos Russo souberam dosar muito bem e equilibrar a história de maneira muito satisfatória para que essas piadas não estragassem o conteúdo dramático do filme.

Outro acerto dos irmãos Russo é a boa introdução que eles fazem com o personagem Pantera Negra, interpretado pelo ator Chadwick Boseman. Também com seus dramas internos, o personagem nos envolve de uma maneira muito interessante, a ponto de sua história e seu passado nos interessar mais do que suas habilidades como herói. Outro integrante que dispensa apresentações e que foi muito bem utilizado, foi o Homem Aranha. Interpretado pelo jovem Tom Holland, o garoto tem o carisma suficiente para fazer com que o seu Homem Aranha seja o melhor que o cinema já viu. Ele cai de paraquedas no meio do conflito entre Capitão América e Homem de Ferro, e é nesse momento que o personagem utiliza todo o humor característico do papel. A primeira aparição do Aranha no mundo Marvel nos cinemas foi inesquecível.

O filme possui pequenos erros, nada muito grave. Uma cena em especial, na minha opinião, ficou muito artificial. A cena em questão é uma de ação em uma rodovia. Fica claro que nas mãos de um diretor mais experiente como um Ridley Scott ou um George Miller, essa cena ficaria incrível. Outro ponto que me incomodou foi o vilão Zemo, interpretado por Daniel Bruhl. Considero um personagem fraco e um vilão apagado, sem brilho. Um personagem que está na história sustentando o papel de vilão, mas que no fim da história, se não estivesse lá não teria feito diferença nenhuma.

Capitão América: Guerra Civil mostra um amadurecimento nas histórias da Marvel, que nos remete a lembrar da excelente Trilogia Batman de Christopher Nolan. Agora é torcer que esse amadurecimento continue sendo bem utilizado nas próximas histórias do universo Marvel.

Nota 9

Captain America: Civil War, 2016. Direção: Anthony Russo e Joe Russo. Com: Chris Evans, Robert Downey Jr., Scarlett Johansson, Sebastian Stan, Anthony Mackie, Don Cheadle, Jeremy Renner, Chadwick Boseman, Paul Bettany, Elizabeth Olsen, Paul Rudd, Emily VanCamp, Tom Holland, Daniel Bruhl. 147 Min. Ação.

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“Capitão América: Guerra Civil”: Quando cinema é a melhor diversão

Confesso: estava com dois pés atrás com Capitão América: Guerra Civil (Captain America: Civil War, dir. Anthony Russo e Joseph V. Russo, 2016) e admiti isso francamente lá no meu Facebook. E tinha bons motivos:

  1. Aquele trailer. Imagino, aliás sei, que o marketing da Disney é danado de bom e mirou exato no alvo do público essencial do filme. Que não sou eu. Isso talvez explique porque, depois de ver algumas iterações do trailer, minha vontade de ver Guerra Civil chegou abaixo de zero.
  2. A overdose de filmes de super-herói. Neste último sábado, numa workshop de marketing e branding, a Marvel foi usada como case de uma grande virada de reposicionamento. E é mesmo – justo quando o consumo de seus quadrinhos estava em estagnação indo para a decadência, ela se reinventou desencarnando conteúdo de plataforma e invadindo cinema, TV e games. Palmas pra ela. Agora, que já esgotou minha paciência, ah isso já.

Tendo dito tudo isto, evitei como pude as sessões mornas e fui ver Guerra Civil como se deve – num cinemão de bairro lotado, com um balde de pipoca no colo e cercado pelo público-alvo por todos os lados. E adorei.

Alguns colegas apontaram – com razão – que Guerra Civil é um filme transnarrativa, ou meta-meta (termo que soa absolutamente pornográfico em nosso idioma, mas vá lá…). Ou seja, é um filme que prescinde de história, que se segura num fiapo de trama sem nenhum compromisso com fazer sentido ou apresentar grandes contornos dos personagens e seus dilemas. É um filme sobre uma experiência audiovisual. Quase, desculpem a blasfêmia, um Terrence Malick trincado depois de uma overdose de Red Bull.

Certo, existe um elemento disparador – um bando de políticos buscando algum meio de controlar os super-heróis (já que seus atos afetam toda a humanidade). Cada qual com sua agenda – mas isso é o de menor importância. Estudiosos e fiéis do cânon Marvel – no qual a saga Guerra Civil é decididamente um evangelho maior- poderão discorrer longamente sobre as motivações subjetivas do capitão Steve Rogers e Tony Stark, ou sobre a própria rota de colisão de ambos.

Para mim, e, pelo jeito, para quase todo mundo na sala de cinema superlotada, não fazia a menor diferença. O prazer do filme era seu ritmo exato, sua medida certa entre ação e aventura, seu grupo de adoráveis super-heróis no meio de tudo, a dinâmica de suas sequências de ação de lutas limpas. Tudo isso ao som da mais bonita trilha do ano e uma engenharia de som que beira ao exato.

Não é a toa que o cinema estava cheio de famílias completas, mães e pais e avós e avôs levando seus filhos e netos e divertindo-se com eles, possivelmente por motivos diferentes, cada qual criando sua própria história e referências em cima da experiência de ver o filme. Meta-meta. A obra é a história.

Então, Disney, desculpe a desconfiança. Eu devia ter lembrado que desde a aquisição da Marvel você já produziu o ótimo Soldado Invernal (Captain America: The Winter Soldier, 2014), o excelente Guardiões da Galáxia (Guardians of the Galaxy, 2014) e o “estranho” mas super interessante Homem-Formiga (Ant-Man, 2015). E qualquer filme que começa com uma tirinha de Henry Jackman já ganha meu coração logo na largada.

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Cinema: Homem-Formiga

Homem-Formiga

Encolher personagens não é novidade no mundo do entretenimento. No final da década de 80, o filme Querida, Encolhi as Crianças realizou o feito, mas antes até Chapolin Colorado utilizava o recurso com as suas Pílulas de Nanicolina também conhecida como Pílulas de Polegarina. Em 2015 a Marvel resolve trazer aos cinemas o seu herói nanico, o Homem-Formiga.

No filme Paul Rudd vive o ex-presidiário Scott Lang, que assume o uniforme do herói depois de uma “armadilha” para que ele chegasse ao traje. Assumindo a persona do herói, ele tem que ajudar o inventor do traje e da fórmula, o Dr. Hank Pym, e sua filha Hope van Dyne a impedir que o ex-ajudante do Dr. Pym, Darren Cross, consiga elaborar a mesma fórmula e vende-la logo em seguida, e de quebra o herói ainda poderá limpar a sua imagem como pai da pequena Cassie e mostrar que está regenerado da vida de ex-presidiário.

Confesso que não conhecia o personagem, e que apesar de gostar de Paul Rudd desde a série Friends, achava complicado sair algo bacana deste filme (trauma desde Homem de Ferro 3), mas a surpresa foi muito agradável. Paul Rudd surpreende no personagem mostrando toda a surpresa, medo e a falta de experiência que o personagem necessita ao ver o que pode fazer com o novo traje. Rudd se sai muito bem nas cenas de ação e em algumas tiradas bem engraçadas. Michael Douglas dá muita credibilidade ao longa, é um acerto sua escolha para o papel de Dr. Pym. Quem merece muitos elogios é Michael Peña, no papel de Luís, amigo de Scott Lang. Peña tem aqui o seu melhor papel desde Crash: No Limite. O ator está com o humor bem afiado, e se destaca com o seu modo de contar histórias, além de algumas cenas onde ele encabeça o humor. Completam o elenco o excelente Corey Stoll e Evangeline Lilly, a eterna Kate do seriado LOST.

Peyton Reed teve uma direção bem dinâmica. Conhecido por comédias como Abaixo o Amor, Separados Pelo Casamento e Sim Senhor, aqui ele alterna muito bem a ação com o humor na medida certa. Nas cenas em que o herói está em seu tamanho menor, a utilização dos objetos em tamanho maior ficam muito bem utilizados. Efeitos especiais e efeitos de som estão adequados perfeitamente às cenas.

Para os amantes dos filmes da Marvel, o filme ainda tem uma hilária cena envolvendo Falcão, herói que foi apresentado em Vingadores: Era de Ultron. Como de praxe, o filme se liga a história dos Avengers, o que é um deleite para todos os fãs de quadrinhos. Assim é Homem-Formiga, surpreendente em todos os quesitos.

Nota 8

Ant-Man, 2015. Direção: Peyton Reed. Com: Paul Rudd, Michael Douglas, Evangeline Lilly, Corey Stoll, Bobby Cannavale, Anthony Mackie, Judy Greer, Abby Ryder Fortson, Michael Peña, Hayley Atwell. 117 Min. Ação.

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Cinema: Vingadores – Era de Ultron

Desequilíbrio entre ação desenfreada e drama dos personagens marcam Vingadores: Era de Ultron

Desequilíbrio entre ação desenfreada e drama dos personagens marcam Vingadores: Era de Ultron

E chega aos Cinemas Vingadores: Era de Ultron, mais uma peça do quebra-cabeça da Marvel na ligação das histórias entre seus filmes. O filme conta com muita ação do início ao fim, mas nem tudo sai perfeito nessa sequência. Esse segundo filme apresenta alguns defeitos, e quando o final chega, Vingadores: Era de Ultron acaba sendo um filme normal. Sem nada demais.

Como já fomos apresentados a praticamente todos os personagens, o filme já começa com muita ação. Os Vingadores, mostrando ser uma equipe, estão lutando juntos. Porém, aí reside o primeiro problema: essa sequência de ação não é bem elaborada. Os efeitos especiais estão fracos, e a aparência que temos é que estamos vendo cenas de um jogo de vídeo game. Felizmente durante o restante do filme os efeitos estão ótimos. E as outras sequências de ação estão bem melhores do que essa.

Se fizermos uma analise de 360º no roteiro de Vingadores: Era de Ultron, iremos encontrar pontos interessantíssimos. O arco que envolve o personagem Tony Stark é um dos principais. No passado, tanto Tony, como sua família, eram grandes vendedores de armas para todo o mundo, agora Tony luta por um mundo melhor, desenvolvendo robôs para a segurança das pessoas e na busca de uma inteligência artificial, na qual ele acredita que será a solução de uma vez por todas para a paz. Essa inteligência é o que ele chama de Ultron.

Bruce Banner e Viúva Negra também tem um arco muito interessante. Enquanto Bruce luta contra os seus demônios internos, um certo romance vai nascendo entre os dois. A trama entre eles é tão bem conduzida, que serve como respiração entre os momentos de ação.

Gavião Arqueiro também foi muito bem utilizado em cena. Sem nenhum poder, além de sua mira perfeita com flechas, Joss Whedon trabalhou muito bem com esse personagem, apresentando família e filhos, e nos fazendo cativar por ele. Esse envolvimento cai perfeitamente como uma luva em uma certa cena que acontece quase no final do filme, na batalha final.

James Spader deu vida ao vilão Ultron. Sarcástico e aterrorizante, Ultron se impõe como vilão mostrando ser páreo contra os Vingadores. James Spader trabalhou com captura de movimento, assim como Andy Serkys fez na Trilogia O Senhor dos Anéis para dar vida a Gollum, e em Planeta dos Macacos para criar o personagem Caezar. Vingadores: Era de Ultron precisa ser assistido legendado. O trabalho de voz de James Spader é incrível com o personagem Ultron.

Curiosamente, todos esses pontos fortes que citei não envolvem cenas de ação. E é aí que mora o desequilíbrio da trama de Vingadores: Era de Ultron. O longa exagera em algumas cenas de ação, que acaba indo contra esses arcos dramáticos que pontuei, que funcionam tão bem. A Marvel se rendeu aos blockbusters ao pé da letra, com cenas de ação megalomaníacas, independentemente do que a história queira dizer. Algo que os Transformers de Michael Bay fazem. Se olharmos para o vizinho ao lado, vemos que Christopher Nolan fez 3 filmaços do Batman, em que o arco dramático trabalha muito bem ao lado ação. Longe de mim querer comparar, estou só citando como exemplo. O roteiro do filme ainda tem tempo para o humor, porém, diferente de outros longas, o humor utilizado aqui é quase todo sem graça. Salvo por algumas falas de Tony Stark e pelo humor sarcástico de Ultron. No mais, é descartável.

Comentando sobre os outros personagens, Chris Evans entrega mais uma vez uma ótima atuação com o seu Capitão América. Enquanto Chris Hemsworth não acrescenta muito como Thor. Sabe aquela festa que você vai e pensa “Se eu não estivesse aqui, não teria diferença nenhuma”, funciona para o personagem Thor nesse filme. Elizabeth Olsen está muito bem como Feiticeira Escarlate, enquanto Aaron Taylor-Johnson poderia ser melhor aproveitado. O personagem Mercúrio poderia ter suas cenas desenvolvidas como o Mercúrio de X-Men: Dias de Um Futuro Esquecido, porém Joss Whedon vai pelo caminho simples, e acaba não aproveitando o personagem como deveria.

Ao final, toda aquela expectativa que surgiu de “filme do ano”, acaba sendo desfeita. Vingadores: Era de Ultron é um filme bom, normal. Apenas isso. É importante para a ligação que a Marvel faz entre seus filmes, mas o sentimento que fica é que poderia ser bem melhor.

Nota 8

Avengers: Age of Ultron, 2015. Direção: Joss Whedon. Com: Robert Downey Jr., Chris Hemsworth, Mark Ruffalo, Chris Evans, Scarlett Johansson, Jeremy Renner, James Spader, Samuel L. Jackson, Don Cheadle, Aaron Taylor-Johnson, Elizabeth Olsen, Paul Bettany. 141 Min. Ação.

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Cinema: Capitão América 2 – O Soldado Invernal

Capitão América e Viúva Negra: Ótima química em um dos melhores filmes da Marvel.

Capitão América e Viúva Negra: Ótima química em um dos melhores filmes da Marvel.

Para muitos, Capitão América 2: O Soldado Invernal é o melhor filme da Marvel. Mas será que merece todo esse status mesmo? Independentemente disto, o importante é que o filme tem qualidade, e assim apaga um pouco a má impressão que o regular Thor 2: O Mundo Sombrio e o péssimo Homem de Ferro 3 deixaram.

Seguindo a cronologia da Marvel, os acontecimentos aqui são depois de Os Vingadores, em que Steve Rogers vai contar com a ajuda de Viúva Negra e de Falcão para enfrentar um vilão perigoso, e muito, mas muito poderoso conhecido como Soldado Invernal.

Analisando o longa, percebemos que talvez seja um dos mais importantes da Marvel, pois diferentemente como acontece em Homem de Ferro, este filme abrange o universo Marvel, não focando cem por cento no personagem título. É um filme importantíssimo sobre a Marvel e sobre os acontecimentos que estão por vir no futuro. O filme ganha em todos os quesitos do primeiro longa, aqui temos muito mais ação, tiros, e lutas corpo a corpo (seria alguma referência as tão famosas lutas de MMA que temos hoje em dia?). O filme também dá um show em termos de efeitos especiais, que foram feitos na medida certa para a história.

O roteiro escrito por Christopher Markus e Stephen McFeely oferece momentos bem interessantes aos personagens. Temos um Chris Evans bem mais a vontade na pele do Capitão América, e uma Scarlett Johansson bem charmosa vivendo mais uma vez a Viúva Negra. Inclusive Evans e Scarlett possuem uma química bem interessante em cena, dando assim um clima bem especial ao filme.

O filme tem um ótimo ritmo, não havendo tempo de cenas desnecessárias. Porém quem for mais atento, pode notar, a meu ver, um erro em uma dessas cenas. Não falarei qual cena é para não dar spoiler, mas analisando a cena em questão com outra que acontece em Os Vingadores, em minha opinião, é um erro, já que não consegui entender como tal coisa foi possível. Uma pessoa que é fã de quadrinhos me deu uma explicação, mas confesso que não engoli.

Capitão América 2: O Soldado Invernal é um ótimo filme, não é perfeito, mas é ótimo. O longa também não é o melhor da Marvel. Na minha humilde opinião, os melhores continuam sendo Os Vingadores e o primeiro Homem de Ferro. Agora é aguardar Os Vingadores 2, já que o terreno foi muito bem preparado.

Nota 8

Captain America: The Winter Soldier, 2014. Direção: Anthony Russo e Joe Russo. Com: Chris Evans, Samuel L. Jackson, Scarlett Johansson, Robert Redford, Sebastian Stan, Anthony Mackie, Cobie Smulders, Frank Grillo, Emily VanCamp, Toby Jones. 136 Min. Ação.

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