Cinema: It – A Coisa

Chega aos Cinemas It: A Coisa, uma readaptação do excelente livro de Stephen King. Digo readaptação porque o livro já virou um filme para a televisão em 1990 em It: Uma Obra Prima do Medo. Porém, nesse novo longa, um tratamento mais cuidadoso a toda obra de King marca a qualidade do filme.

Na trama, crianças começam a desaparecer na cidade de Derry. Um deles é irmão de Bill, Georgie. Bill mais seis amigos começam uma busca para tentar encontrar o responsável pelos desaparecimentos, e acabam descobrindo que a cada 27 anos coisas estranhas acontecem na cidade. Enquanto isso, eles sofrem com uma ameaça, o palhaço Pennywise que os amedrontam tocando muito fundo nos seus medos mais escondidos. E que ele pode ser o responsável pelos desaparecimentos.

A obra de Stephen King possui aproximadamente 1000 páginas. Enquanto o filme de 1990 contou toda a história em um longa de três horas de duração, aqui nesta readaptação de 2017, apenas a primeira parte do livro, focada nas crianças, foi contada. Ficando a segunda parte do livro, com essas mesmas crianças já adultas, para um segundo filme. Isso foi fundamental para contar a história com mais detalhes, aprofundando o drama de cada personagem.

Dirigido por Andy Muschietti, do bom Mama, o diretor tem a árdua tarefa de mostrar muita coisa em 135 minutos de filme. Mostrar o convívio de sete crianças com suas respectivas famílias, abordar seus medos, desenvolver o palhaço Pennywise, criar conflitos e ainda deixar espaço para um pequeno desenvolvimento romântico. Felizmente, o diretor conseguiu cumprir com méritos todos esses desafios.

Stephen King sempre gostou de mostrar em suas obras aquele grupo de minorias que juntos são mais fortes. Conta Comigo é clássico e tem em sua essência essa característica. Aqui ele faz mais e consegue reunir no grupo de crianças uma que sofre de gagueira, um asmático, um negro, um judeu, um gordinho e uma garota que sofre abusos do pai. O diretor Andy Muschietti consegue trabalhar cada um deles de maneira muito sútil, mostrando as relações familiares e nos fazendo entender de maneira fácil seus medos e seus anseios.

O diretor consegue mesclar muito bem momentos de terror e frases hilárias de maneira a não fazer o filme perder a tensão. Sem medo de chocar o público, Andy mostra cenas chocantes como membros sendo arrancados, violência contra crianças, bullying, abuso infantil. Tudo com muito cuidado e na medida certa. O diretor consegue trabalhar bem com os cenários. Cenas como quando Bill vê seu irmão no porão, a assustadora cena do banheiro com Beverly que lembra muito Carrie, a Estranha e o ápice final, dentre muitas outras cenas, mostram a qualidade de todo o trabalho do diretor.

O elenco infantil foi muito bem escolhido e dirigido. Personagens carismáticos, com destaque para Sophia Lillis que interpreta Beverly demonstrando ser a mais talentosa do grupo, com um olhar que consegue demonstrar muitos sentimentos. Seu personagem possui um trabalho muito bem feito mostrando o seu lado feminino e suas descobertas. Jack Dylan, que faz Eddie, mostra toda histeria e exagero que o personagem possui, também está ótimo. E para os fãs de Stranger Things, ainda temos Finn Wolfhard, o alívio cômico do grupo e, diga-se de passagem, um alívio cômico que funciona muito bem.

Agora abrimos espaço para falar da alma do filme. Sem sombra de dúvidas o longa não seria o mesmo sem Bill Skarsgard e seu Pennywise. O palhaço dançarino prefere fazer suas vítimas sofrerem de maneira psicológica ao invés de simplesmente matá-las. Pennywise é malvado, perverso, cruel, DOENTIO. Skarsgard consegue transparecer tudo isso em uma atuação impressionante. Algumas pessoas não conseguem ver suas cenas, de tão DOENTIO que ele está. O ator surpreende e entrega um dos maiores vilões em filmes de terror da história. Se muitos se impressionavam com o Pennywise de Tim Curry no filme antigo, este de Bill Skarsgard vem para ser o Pennywise definitivo. Com frases desafiadoras para quem entra em seu caminho como “Eu não sou real o suficiente para você?”, o ator consegue encarnar realmente o verdadeiro medo. Aliás, o filme consegue demonstrar muito bem como Pennywise fica mais forte. Quanto mais medo e inocência das crianças, mais forte o palhaço dançarino fica.

Este novo filme poderia facilmente ser enquadrado em um longa dos anos 80. Não digo em suas características, pois essas são dos anos 80. Digo na alma do filme. O sentimento de amizade, companheirismo, aventura, e união perpetua por todo o filme. It: A Coisa é um filme gostoso de assistir e esse clima oitentista colabora com isso. A fotografia do filme é um primor de tão linda que está, soube aproveitar bem a época que foi retratada e o resultado é fantástico.

Outra coisa perfeita no filme é o design de produção. Não seria exagero se o filme aparecesse entre os indicados ao Oscar nessa categoria. A criação da casa antiga e abandonada que as crianças entram em uma das partes do filme é um verdadeiro capricho. O fato de nós, espectador, não conhecer a casa, nos coloca no mesmo ponto das crianças. Cada espaço adentrado é uma surpresa. A persona de Pennywise tem um figurino e maquiagem perfeitos. O trabalho de produção é tão bacana e cuidadoso no filme, que podemos observar em cenas simples, onde as crianças andam na rua, filmes como Batman e A Hora do Pesadelo 5 que estavam em cartaz no cinema da cidade. Filmes que realmente foram lançados na época em que a história se passa.

O longa aproveita para reverenciar diversas obras de Stephen King que também perpetuam na cultura pop nos dias de hoje. É possível pegar referências de Conta Comigo, Carrie, a Estranha, Christine: O Carro Assassino, filmes baseados na obra do escritor, e também lembrar de Stranger Things, sendo que esta já referencia tantos filmes dos anos 80.

It: A Coisa é audacioso ao confirmar já no seu próprio final, a parte dois do filme. As crianças fizeram sua parte, agora é torcer para que a continuação que deve chegar em 2019 aos cinemas, mostrando essas crianças 27 anos mais velhas, seja tão excelente como a primeira parte.

 

 

 

It, 2017. Direção: Andy Muschietti. Com: Bill Skarsgard, Jaeden Lieberher, Jeremy Ray Taylor, Sophia Lillis, Finn Wolfhard, Chosen Jacobs, Jack Dylan Grazer, Wyatt Oleff, Nicholas Hamilton, Jackson Robert Scott, Stephen Bogaert. 135 Min. Terror.

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Cinema: A Torre Negra

Há mais de quatro décadas que as obras do escritor Stephen King ganham vida em Hollywood. Algumas vezes bem produzidas e de qualidade como À Espera de Um Milagre, Um Sonho de Liberdade, O Iluminado, e outras bem regulares, como O Apanhador de Sonhos e Sonâmbulos. E agora é a vez de A Torre Negra chegar aos cinemas, 35 anos depois do primeiro livro O Pistoleiro ser escrito.

O longa aborda a história do jovem Jake, garoto que mora com a mãe e o padrasto. Seus sonhos mostram um universo paralelo, onde um feiticeiro denominado O Homem de Preto tenta destruir a Torre Negra, a única fonte que ainda mantém o universo a salvo. Os sonhos também mostram um Pistoleiro, o único capaz de proteger a Torre.

O filme tem um problema sério de roteiro. Não adianta listar aqui as mudanças de livro para filme, porque são muitas. Mas é importante destacar que a essência da história criada por Stephen King foi deixada para trás. O filme não se preocupa em ambientar melhor o público na história, respondendo e explicando melhor elementos que são mostrados. O que a Torre possui que é capaz de proteger o universo? Porque o Pistoleiro é o único que pode protegê-la? Quem é o Rei Rubro? E isso só para citar algumas coisas.

Imagine uma pessoa que nunca assistiu a saga O Senhor dos Anéis. Essa pessoa decide começar assistindo a saga pelo filme As Duas Torres. Essa mesma pessoa ficaria se perguntando algumas coisas, em busca de respostas sobre como cada personagem chegou naquele ponto da história. É essa mesma sensação que A Torre Negra passa. Parece que estamos assistindo uma continuação, porque o filme nos deixa perdido com algumas coisas.

Apesar da falta de respostas, o filme se segura nos seus dois primeiros atos. Mas quando chega ao final, o longa desanda de vez. O clímax final deixa a desejar em todos os momentos. O filme nos da a impressão que o embate final entre o Homem de preto e o Pistoleiro poderia ser algo épico, mas o que vemos em tela é um final recheado de clichês baratos e decepcionantes, que nos faz lembrar até de uma certa cena em Freddy x Jason.

Idris Elba que interpreta o Pistoleiro e o garoto Tom Taylor que interpreta Jake são pontos positivos que acabam se salvando no filme. Matthew McConaughey está totalmente deslocado no papel de O Homem de Preto. O talentoso ator entrega aqui uma atuação um tanto quanto canastrona. O diretor Nikolaj Arcel faz um trabalho totalmente equivocado, é notável que ficou faltando um diretor experiente para levar uma saga tão cultuada quanto A Torre Negra para os Cinemas. Vale lembrar que o roteiro foi escrito por quatro pessoas, o que pode ter ocasionado essas decisões erradas por toda a história do filme.

De bom, o filme apresenta um visual interessante ao tentar fazer uma mistura de faroeste, em um dos mundos paralelos, com a sociedade atual no nosso mundo como o conhecemos. E a trilha sonora também se amarra bem à história que se propôs.

Existem planos para uma sequência no Cinema e também para que o livro vire uma série de televisão. Caso tudo isso se confirme, é bom que muita coisa seja repensada e alterada. Seguir mais de perto o livro de King é um caminho que deve ser tomado.

 

 

 

The Dark Tower, 2017. Direção: Nikolaj Arcel. Com: Matthew McConaughey, Idris Elba, Tom Taylor, Dennis Haysbert, Claudia Kim, Jackie Earle Haley, Abbey Lee, Fran Kranz. 95 Min. Ação.

Cinema: Annabelle 2 – A Criação do Mal

Annabelle nasceu para o cinema em 2013, ao aparecer na introdução de Invocação do Mal. Devido ao sucesso do filme, ganhou rapidamente um spin-off, lançado já em 2014. Um ano separou a criação de roteiro, gravação, edição e lançamento do filme, talvez isso seja a resposta para um filme tão abaixo da média que foi o Annabelle de 2014. Um longa que apresenta apenas sustos bobos e não cria em momento algum um clima de terror em torno da história.

Três anos se passaram entre o primeiro e esta sequência que chega aos cinemas. Três anos que fizeram muito bem ao produto que é Annabelle. Um longa superior em todos os quesitos ao seu antecessor. Annabelle 2: A Criação do Mal se passa antes do primeiro, e conta a história do casal Samuel Mullins (Anthony LaPaglia) e Esther Mullins (Miranda Otto) que perdem de maneira inesperada a sua filha. Alguns anos depois, eles passam a receber crianças órfãs em sua casa, por caridade, para preencher o vazio deixado pela filha. Aos poucos, segredos vão sendo descobertos pelas crianças, e elas precisaram lidar com Annabelle.

O grande acerto do diretor David F. Sandberg (roteirista e diretor de Quando as Luzes se Apagam) é conseguir criar um clima de tensão e horror durante todo o longa. As cenas são bem elaboradas e ele consegue equilibrar muito bem os momentos em que deve causar o susto e causar o terror. De todos os momentos assustadores do longa, apenas em dois eu acho que o diretor passou do ponto, mas nada que prejudique o filme.

Apesar do elenco ter nomes experientes como Anthony LaPaglia e Miranda Otto, a força do elenco está nas meninas órfãs, em especial Talitha Bateman que vive Janice, e Lulu Wilson que interpreta Linda. Lulu em especial consegue até nos divertir com suas caras de susto, mas nada que atrapalhe o clima do filme.

Outro ponto forte do filme é o design de produção responsável pela criação da casa onde todo o longa se passa. Como o filme é de época, a casa possui todos aqueles elementos antigos que funcionam bem em um filme de terror, junta-se a isso a sabedoria de David F. Sandberg em saber a hora certa de usar a luz a seu favor, e temos como resultado final a casa como personagem, o que é muito importante para um longa com essa proposta.

A trilha sonora também merece destaque, possui elementos que lembram muito filmes de décadas passadas, como produções mais recentes do gênero terror, como O Chamado.

Ah, e uma curiosidade para quem for ver o filme: Uma boneca de pano aparece já no final do filme, esta boneca é a verdadeira Annabelle, que o casal Ed e Lorraine Warren trataram do caso.

Apesar do público e da critica não terem gostado do primeiro filme, o final desta sequência se liga com o filme de 2014. Outro ponto interessante é ver a Freira demoníaca Valak que assombrou Lorraine Warren em Invocação do Mal 2, isso já para nos deixar na vontade de ver The Nun, que deve chegar aos cinemas no ano que vem.

Annabelle 2: A Criação do Mal não entrará para a galeria de clássicos do gênero terror, ainda está longe de ter a qualidade de um dos exemplares de Invocação do Mal, mas pelo menos ganhou um filme digno de ser assistido.

 

 


Annabelle: Creation, 2017. Direção: David F. Sandberg. Com: Anthony LaPaglia, Miranda Otto, Stephanie Sigman, Talitha Eliana Bateman, Lulu Wilson, Samara Lee, Grace Fulton, Philippa Coulthard. 109 Min. Terror.

Links relacionados:
– Annabelle (2014)

Cinema: Invocação do Mal 2

Invocação do Mal 2

Quando Invocação do Mal estreou em 2013, o cinema de terror estava em crise devido à falta de boas produções dos gêneros. Lampejos como o terror espanhol [REC] e O Exorcismo de Emily Rose salvaram a primeira década dos anos 2000, mas é pouco para um gênero que possui grandes clássicos de décadas passadas. Invocação do Mal tinha a seu favor o fato da história ser baseada em fatos reais, isso, somado a qualidade da produção, resultou em um dos melhores filmes do gênero nos últimos anos.

O filme fez tanto sucesso que acabou ganhando, além desta continuação, um spin-off em 2014, Anabelle, porém nem de longe o filme conseguiu o sucesso anterior de Invocação do Mal.

A história dessa continuação se passa sete anos após o primeiro filme. Lorraine Warren (Vera Farmiga) e Ed Warren (Patrick Wilson) estão abalados devido um caso que investigavam na cidade de Amityville, quando a igreja os contata para investigar um caso na cidade de Enfield, na Inglaterra, onde uma família é assombrada por um ser sobrenatural, que vem através de uma das filhas da matriarca. Enquanto isso, Lorraine também vem tendo premonições de acontecimentos relacionado a sua filha e marido, o que a deixa emocionalmente abalada.

Dirigido pelo malaio James Wan, criador do ótimo primeiro filme da franquia Jogos Mortais, do espetacular Velozes e Furiosos 7, além do primeiro Invocação do Mal, aqui ele consegue utilizar elementos simples em cena e causar muita tensão. James deixa de lado sustos bobos e coloca muito mais profundidade na sua história. Ele faz com que você se sinta um morador da casa, devido a narrativa que ele emprega em cena. O diretor entrega um filme de terror com bastante personalidade.

Outro ponto forte da história é a forma como o diretor trata os personagens. Alguns vivem dramas que nos faz querer mais sobre eles. Desde o drama de Lorraine que a deixa atormentada com visões de morte na sua família, até a mãe da família que além de ter que cuidar sozinha dos quatro filhos, ainda precisa lidar com o sobrenatural. Nesse ponto, onde os personagens são tão profundos, Invocação do Mal nos faz lembrar o grande clássico O Exorcista. O tratamento e o cuidado que o diretor tem com o casal Lorraine e Ed é impecável. Você consegue sentir toda a cumplicidade e amor que eles têm um pelo outro. Além da ótima direção de James Wan, a dupla de atores Patrick Wilson e Vera Farmiga dão muita credibilidade aos personagens. Farmiga inclusive tem uma interpretação fantástica, precisando mesclar sentimentos, ela está boa parte do tempo abalada e precisando ser forte ao mesmo tempo. Ela tem uma das melhores interpretações da carreira. Quem merece destaque também é o elenco infantil, todos muito bem, em especial Madison Wolfe, que interpreta Janet, a garota atormentada pelo ser sobrenatural.

Um dos pontos mais importantes que cercam a história do filme é a entidade que assombra e possui Janet. O demônio Valak, que já era mostrado até nos trailers, tem uma caracterização impressionante, o que o torna um dos personagens mais bem construídos no cinema de terror em termos de aparência. Seu fantasmagórico rosto branco, acompanhado de sua roupa de freira preta, é de causar arrepios em todo o público. O personagem é tão bem elaborado, que mesmo sendo visto no trailer, não estragou em nada o seu objetivo, que é o de assustar. O longa ainda conta com uma trilha sonora que remete aos filmes de terror antigos e que contribui muito para o clima assustador da história.

Uma boa história nas mãos de um bom diretor que gosta de trabalhar com o gênero, e que resultou em um ótimo filme. James Wan nos deixa ansiosos para mais algum caso dos Warren, desde que com a mesma qualidade dos dois primeiros longas.

Nota 9

The Conjuring 2, 2016. Direção: James Wan. Com: Patrick Wilson, Vera Farmiga, Madison Wolfe, Frances O`Connor, Lauren Esposito, Benjamin Haigh, Patrick McAuley, Simon McBurney, Frana Potente. 134 Min. Terror.

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Cinema: A Bruxa

A Bruxa

Um dos filmes de terror mais comentado nos últimos tempos, A Bruxa gerou bastante expectativa devido a sua presença marcante no Festival de Sundance. Com uma história contada a séculos atrás, este filme merece elogios pelos elementos utilizados na história deixando de lado certos clichês que os filmes de terror adoram utilizar nos dias de hoje.

O filme se passa na Nova Inglaterra em 1630. Famílias vivem em vilarejos onde a religião é muito forte. Qualquer comportamento não religioso é visto como penalidade grave, o que pode fazer com que a pessoa seja expulsa do grupo que vive. É exatamente nesse ponto que A Bruxa inicia. O casal William e Katherine, juntamente com seus cinco filhos, são expulsos do vilarejo. A família se isola e passa a viver próximo a uma floresta. Tudo ia bem, até que um dia a filha mais velha está cuidando do irmão caçula, um recém-nascido, quando ele simplesmente some. O que teria acontecido com o pequeno bebê? Algum animal o teria pegado? Ou algum tipo de bruxa?

A narrativa do filme caminha de forma lenta. O diretor e roteirista Robert Eggers não está preocupado em fornecer sustos bobos a cada minuto. A narrativa do filme é tão envolvente que os elementos religião, isolamento, natureza e misticismo se unem de maneira satisfatória, criando todo um clima de suspense envolto dos dramas vividos pelos personagens.

A Bruxa acerta em vários aspectos, inclusive ao arriscar mostrar a tal bruxa do título. A forma utilizada pelo diretor foi sútil, porém correta para não estragar o personagem. Outro elemento muito bem utilizado foi o bode Black Phillip. A relação do animal com a família chega a ser misteriosa, levando para um conflito com o patriarca na parte final do filme. Talvez o que tenha faltado ao diretor foi utilizar mais a floresta no longa. Filmes como A Bruxa de Blair mostram o quão o elemento natureza pode ser bem utilizado. Aqui em A Bruxa, a floresta poderia ter sido utilizada de forma bem melhor. Durante todo o filme, fiquei com a sensação disso. A Bruxa é bom, mas ficou a sensação de que poderia ser melhor. E esse melhor, na minha humilde opinião, seria ter utilizado mais a floresta. O roteiro ainda tem alguns furos, como o que teria acontecido aos outros dois outros filhos do casal (quem assistir, vai saber porque fiz essa observação). Mas nada grave demais a ponto de estragar o filme.

Outros elementos merecem destaque. Robert Eggers utiliza de forma perfeita a fotografia. Iluminando os ambientes noturnos a luz de velas, o diretor conseguiu um visual muito bonito para o filme, chegando até a lembrar períodos históricos da arte, como o renascentista. A trilha sonora tenebrosa, carregada no violino em algumas partes, é de causar arrepios. A paleta de cores utilizada pelo diretor é um grande acerto que casa muito bem com toda a trama. Das tonalidades cinzentas das roupas e de outros elementos, até chegar ao sépia causado pela iluminação da luz de velas. As cores transmitem isolamento e ajudam nos momentos de tensão do filme.

Anya Taylor Joy que interpreta Thomasin, a filha mais velha, está ótima em cena. A garota de aparência pálida e olhar firme merece elogios. Harvey Scrimshaw que interpreta Caleb, irmão de Thomasin, também está muito bem em cena. O filme fica mais poderoso quando eles estão em ação.

Elogiado (e recomendado!) pela seita satânica The Satanic Temple, A Bruxa é um filme que vai na contramão da maioria dos filmes descartáveis de terror lançados hoje em dia. É um filme contado de maneira lenta, com muito cuidado, que prefere utilizar elementos do cotidiano para assustar, deixando de lado efeitos computadorizados e rios de sangue. Um filme que merece ser descoberto.

Nota 8

The VVitch: A New-England Folktale, 2015. Direção: Robert Eggers. Com: Anya Taylor-Joy, Ralph Ineson, Kate Dickie, Harvey Scrimshaw, Ellie Grainger, Lucas Dawson, Bathsheba Garnett. 92 Min. Terror.

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Cinema 2016: Principais Lançamentos

2016 chegou, e com ele muitos filmes são esperados! Entre aventuras fantásticas, lutas entre super heróis e animações que prometem emocionar, o Claquetes separou para você os principais lançamentos deste ano que promete e muito!

Os Oito Odiados
Estreia Prevista: 07/01/2016

Os Oito Odiados

Quentin Tarantino está de volta, trazendo agora uma história de faroeste. O filme mostra a história de uma diligência contendo vários passageiros, que, devido a uma nevasca, são impedidos de continuar viagem. Eles serão vitimas de um ataque de caçadores e outros criminosos.

Direção: Quentin Tarantino. Com: Samuel L. Jackson, Kurt Russell e Jennifer Jason Leigh.

O Bom Dinossauro
Estreia Prevista: 07/01/2016

O Bom Dinossauro

Pixar é sinônimo de qualidade. E aqui o estúdio vai nos trazer uma história baseada em: E se o Planeta Terra não tivesse sido destruído por um asteroide e os dinossauros ainda existissem? É com essa premissa que a Pixar vai contar a história de amizade entre um jovem menino humano e um dinossauro adolescente.

Direção: Peter Sohn. Com as vozes originais de: Jeffrey Wright, Frances McDormand e Maleah Nipay.

Creed: Nascido Para Lutar
Estreia Prevista: 14/01/2016

Creed - Nascido Para Lutar

O filme vai contar a história de Adonis Johnson, filho de Apollo Creed, no mundo das competições profissionais de boxe. Adonis não conheceu seu pai, que faleceu antes do seu nascimento. Treinado por Rocky Balboa, vamos acompanhar um lutando pela glória, e o outro pela vida.

Direção: Ryan Coogler. Com: Michael B. Jordan, Sylvester Stallone e Tessa Thompson.

Snoopy & Charlie Brown: Peanuts, o Filme
Estreia Prevista: 14/01/2016

Snoop

A animação é baseada nos quadrinhos do cartunista norte-americano Charles M. Schultz. A série, conhecida no Brasil como Minduim, acompanha as aventuras de Charlie Brown, Snoopy e sua turma.

Direção: Steve Martino. Com as vozes originais de: Bill Melendez, Noah Schnapp, Alexander Garfin.

A 5ª Onda
Estreia Prevista: 21/01/2016

A quinta onda

A Terra está sofrendo uma série de ataques estranhos. Ataques eletromagnéticos, tsunamis, vírus transmitidos por pássaros e alienígenas infiltrados são alguns deles. Será que seria o fim da raça humana?

Direção: J. Blakeson. Com: Chloë Grace Moretz, Maika Monroe e Liev Screiber.

Deadpool
Estreia Prevista: 11/02/2016

Deadpool

Ex-militar e mercenário, e ainda com câncer em estado terminal. Wade Wilson se submete a uma experiência científica que consegue curar o seu câncer. Após a experiência, ele ganha poderes e torna-se Desdpool, e agora ele vai buscar vingança contra o homem que destruiu sua vida.

Direção: Tim Miller. Com: Ryan Reynolds, Morena Baccarin e Gina Carano.

A Garota Dinamarquesa
Estreia Prevista: 25/02/2016

A Garota Dinamarquesa

O filme é uma cinebiografia de Lili Elbe, que nasceu homem e foi a primeira pessoa a se submeter a uma cirurgia de mudança de sexo. O filme foca no romance com Gerda e a descoberta dele como mulher.

Direção: Tom Hooper. Com: Eddie Redmayne, Alicia Vikander e Amber Heard.

Kung Fu Panda 3
Estreia Prevista: 17/03/2016

Kung Fu Panda 3

O panda mais simpático do cinema está de volta. Po recebe a visita do seu pai que há muito tempo não o via, e acaba indo para uma reunião familiar. Mas Po é surpreendido por um vilão, e pede ajuda a seus velhos amigos para treinar os moradores locais na luta contra o vilão.

Direção: Alessandro Carloni  e Jennifer Yuh. Com as vozes originais de: Jack Black, Angelina Jolie e Dustin Hoffman.

A Série Divergente: Convergente – Parte 1
Estreia Prevista: 17/03/2016

A Série Divergente Convergente - Parte 1

A sociedade baseada em facções, na qual Tris Prior acreditara um dia, desmoronou – destruída pela violência e por disputas de poder, marcada pela perda e pela traição. O desfecho da saga será dividido em duas partes.

Direção: Robert Schwentke. Com: Shailene Woodley, Theo James e Naomi Watts.

Batman vs Superman: A Origem da Justiça
Estreia Prevista: 24/03/2016

Batman vs Superman- A Origem da Justiça

Após O Homem de Aço, Superman divide opinião pelo mundo. Muitos o tem com herói, porém, outros querem que ele vá embora do planeta. Bruce Wayne está do lado dos seus inimigos, e decide usar sua força de Batman para combatê-lo. Porém, enquanto isso, uma nova ameaça vai aparecendo.

Direção: Zack Snyder. Com: Bem Affleck, Henry Cavill e Amy Adams.

Capitão América: Guerra Civil
Estreia Prevista: 28/04/2016

Capitão América - Guerra Civil

Após os eventos de Vingadores: Era de Ultron, os políticos buscam algum meio de controlar os super-heróis. Essa decisão coloca o Capitão América em divergência de ideais com o Homem de Ferro.

Direção: Anthony Russo e Joe Russo. Com: Chris Evans, Robert Downey Jr. e Scarlett Johansson.

X-Men: Apocalipse
Estreia Prevista: 19/05/2016

X-Men - Apocalipse

O desfecho da nova trilogia dos mutantes, traz Em Sabah Nur, os planos de mergulhar o mundo em um apocalipse para garantir a supremacia.

Direção: Bryan Singer. Com: Jennifer Lawrence, Michael Fassbender e James McAvoy.

Alice Através do Espelho
Estreia Prevista: 26/05/2016

Alice Através do Espelho

Sem a overdose psicodélica de Tim Burton, mas ainda muito colorido, Alice atravessa outro espelho, e encontra outro mundo, tendo como tema um jogo de xadrez. Johnny Depp volta como o Chapeleiro Maluco.

Direção: James Bobin. Com: Johnny Depp, Anne Hathaway e Helena Bonham Carter.

Invocação do Mal 2
Estreia Prevista: 09/06/2016

Invocação do Mal 2

Continuação do sucesso de 2013, a trama envolverá novos fenômenos sobrenaturais e a tentativa dos renomados demonologistas de combaterem uma entidade demoníaca.

Direção: James Wan. Com: Patrick Wilson, Vera Farmiga e Frances O’Connor.

Procurando Dory
Estreia Prevista: 16/06/2016

Procurando Dory

E o romance está no ar, digo melhor, no mar. Um ano após ajudar Marlin a reencontrar o filho Nemo, Dory precisa agora lidar com vários peixes do seu passado, entre eles alguns pelos quais ela foi apaixonada.

Direção: Andrew Stanton e Angus MacLane. Com as vozes originais de: Idris Elba, Dominic West e Diane Keaton.

Independence Day: O Ressurgimento
Estreia Prevista: 23/06/2016

Independence Day - O Ressurgimento

20 anos depois dos acontecimentos do primeiro filme, essa continuação se passa poucas semanas depois dos fatos, já que vimos do ponto de vista dos aliens, pois para eles são dias de viagem no espaço, para a Terra são muitos anos.

Direção: Roland Emmerich. Com: Joey King, Maika Monroe e Liam Hemsworth.

A Era do Gelo 5
Estreia Prevista: 14/07/2016

A Era do Gelo 5

Quinta aventura dos amigos Manny, Sid e Diego, eles vão ter que enfrentar junto com outros animais as mudanças climáticas no planeta.

Direção: Mike Thurmeier e Galen T. Chu. Com as vozes originais de: Simon Pegg, Melissa Rauch e Stephanie Beatriz.

Star Trek: Sem Fronteiras
Estreia Prevista: 21/07/2016

Star Trek - Sem Fronteiras

Depois de sofrerem com a ira de John Harrison, Kirk, Spock e companhia voltam à Enterprise para uma nova e difícil missão intergaláctica.

Direção: Justin Lin. Com: Chris Pine, Zachary Quinto e Sofia Boutella.

Esquadrão Suicida
Estreia Prevista: 04/08/2016

Esquadrão Suicida

O governo decide reunir um grupo de vilões com um arsenal poderoso para derrotar uma ameaça que o governo acha que só eles podem combater, por não ter nada a perder. No entanto, eles descobrem que não foram escolhidos para vencerem, e sim para perderem. Será que eles tentarão terminar a tarefa, ou vão decidir mudar o rumo da situação?

Direção: David Ayer. Com: Margot Robbie, Will Smith e Jared Leto.

Animais Fantásticos e Onde Habitam
Estreia Prevista: 17/11/2016

Animais Fantásticos e Onde Habitam

O magizoologista Newt Scamander chega à Nova York com sua maleta, um objeto mágico onde ele carrega animais fantásticos do mundo da magia. Newt precisará usar suas habilidades e conhecimentos para capturar uma variedade de criaturas que acabam saindo da sua maleta.

Direção: David Yates. Com: Eddie Redmayne, Ezra Miller e Katherine Waterston.

As datas podem mudar dependendo do que as distribuidoras decidirem. Fique atento porque as estreias podem chegar de surpresa. E se as datas das estreias mudarem são de responsabilidade das distribuidoras, e não dos cinemas. Os lançamentos são para todo o Brasil. Geralmente, acontecem algumas estreias apenas em alguns estados.

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Cinema: A Visita

A Visita

M. Night Shyamalan passou por diversas fases em sua carreira. Como cineasta promissor com a obra-prima O Sexto Sentido, foi consagrado com filmes como Corpo Fechado, Sinais e A Vila. Conhecido sempre por fazer grandes reviravoltas em seus filmes, Shyamalan trilhava um caminho para se tornar um dos grandes nomes do cinema, porém, seu caminho começou a ter filmes questionáveis no quesito qualidade. O diretor foi muito criticado ao fazer Fim dos Tempos, e logo em seguida veio a adaptação O Último Mestre do Ar, até esse filme, Shyamalan era conhecido pelos roteiros originais. Depois da Terra, estrelado por Will Smith, foi bem mediano, mas em A Visita, o diretor mostra que parece estar encontrando o caminho correto de se filmar novamente.

Em A Visita, acompanhamos os irmãos Becca e Tyler em uma visita para conhecer os seus avós. A mãe dos meninos fugiu da casa para se casar com o pai deles. Sem a aprovação dos pais, ela nunca mais voltou para casa onde passou a infância, mesmo depois de separada do marido. Becca então aproveita o fato de conhecer os avós e a história da fuga de sua mãe, para fazer um documentário. Porém, a visita aos avós não será tão hospitaleira. E aí está o plot para ela estar filmando boa parte de seus passos.

O que podemos perceber em tela é o domínio de um cineasta com a técnica. Shyamalan utiliza o handcam em cena de maneira perfeita. A garota tem um porquê de estar filmando, não é uma coisa aleatória e sem sentido. As cenas de terror feitas pelo diretor mostram que ele não perdeu o tato para fazer um grande filme. Shyamalan assusta com o simples, sem precisar de efeitos mirabolantes e nem apelar para o sobrenatural, ele simplesmente coloca um casal de idosos em cena e que fazem toda a diferença para o clima tenso que o filme tem. Shyamalan utiliza muito bem a casa dos idosos como personagem para criar o clima de terror. O fato dos irmãos estarem ali pela primeira vez, nos dá um real sentido de não saber para onde ir quando o pior acontece. E nos dá uma perspectiva bem interessante de como os personagens estão se sentindo.

Shyamalan utiliza tão bem a casa no filme, que consegue causar medo em uma cena em plena luz do dia. O diretor também realiza muito bem as cenas noturnas com a personagem da avó das crianças. O rosto pálido da personagem, combinado com o escuro da noite dentro da casa, são de causar arrepios.

O roteiro de Shyamalan não fica apenas nas cenas de terror. O diretor aproveita para mostrar em cena a importância de vencermos os nossos medos. Becca e Tyler têm medos a serem superados, e em cenas capitais da história, conseguem superar. E assim, o diretor consegue colocar uma mensagem importante em um filme de terror.

A Visita tem muitos pontos importantes, mas dois merecem destaque, um deles é o garoto Ed Oxenbould. Muito bem em cena, o garoto tem uma presença marcante, tanto nos momentos de terror, como nas cenas mais leves. Aliás, uma de suas últimas cenas, me fez lembrar do garoto Corey Feldman, em Sexta-Feira 13: Capítulo Final. Outro ponto que merece destaque é a volta de Shyamalan dirigindo muito bem. O diretor consegue ângulos perfeitos, enquadrando uma das melhores fotografias de sua carreira, em um filme que está longe de ser um grande clássico como O Sexto Sentido, mas que mesmo assim impressiona em termos de qualidade de direção, técnica e roteiro.

A Visita é horripilante por trazer cenas simples, mas que causam um efeito enorme em quem o assiste. É Shyamalan mostrando que está voltando com tudo. E com isso, só quem tem a ganhar são os fãs da sétima arte.

Nota 9

The Visit, 2015. Direção: M. Night Shyamalan. Com: Olivia DeJonge, Ed Oxenbould, Deanna Dunagan, Peter McRobbie, Kathryn Hahn, Celia Keena. 94 Min. Terror.

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