Cinema: A Misteriosa Morte de Pérola

A Misteriosa Morte de Pérola

O Cinema Nacional vem evoluindo cada vez mais (não me refiro às comédias lançadas pela Globo Filmes). O Nordeste se destaca como um pólo de qualidade impressionante neste novo cenário. Filmes do Ceará e principalmente de Pernambuco, se destacam em festivais mundo a fora. Mas parece que o Cinema Nacional quer mais, e o suspense e terror pode ser essa nova vertente. Ano passado o filme Quando Eu Era Vivo teve um êxito de qualidade muito boa, trazendo um terror nos moldes dos grandes clássicos antigos, estrelado por Antonio Fagundes e que ainda trazia a cantora Sandy no elenco. A Misteriosa Morte de Pérola é mais um longa de terror brasileiro com muita qualidade.

Dirigido por Guto Parente e Ticiana Augusto (que também estrelam o longa), o filme conta a história de Pérola, que vive sozinha longe de casa e do namorado, em um apartamento bem antigo e muito, muito sombrio. Pérola vai sendo tomada pelo medo, enquanto a solidão toma conta da sua vida.

Praticamente mudo, o filme só tem falas nas poucas cenas em que Pérola está em ligações. O destaque do filme vai para a trilha sonora e o uso dos efeitos sonoros no longa. Guto Parente, que além de ser um dos diretores e de escrever o roteiro, também foi o montador do filme, ele se utilizou muito bem dos elementos sonoros. Sua trilha sonora é perturbadora e consegue dar um pavor no espectador de maneira como grandes clássicos, entre eles O Iluminado e O Exorcista.

Com um filme de baixo orçamento como esse, a dupla de diretores utilizou bastante a inteligência para construir um longa com um clima sombrio e apavorante. Cenas de passos na escadas, um ranger de porta ou um toque de campainha causam arrepios, devido o filme conseguir nos transportar facilmente para dentro da história. Graças ao talento da dupla de diretores, esse pequeno filme conseguiu o que filmes de terror de Hollywood com grandes orçamentos não conseguiram, transmitir medo para quem o está assistindo.

O filme mergulha de cabeça na solidão da personagem Pérola, que estuda na França. O fato da sua personagem ser sozinha sem se relacionar nem com outros moradores do prédio, faz com que ela fique lembrando de coisas vividas com a família e namorado, lembranças essas mostradas para nós atráves de filmagens em VHS, o que é um ponto interessante na narrativa dos diretores. A fotografia que usa muitas cores mortas, também é destaque. É interessante que até o apartamento de Pérola é praticamente vazio (de objetos), assim como sua vida.

São detalhes como esse que faz de A Misteriosa Morte de Pérola um filme que fala de solidão, depressão, medo e pavor de maneira simples, mas muito eficaz. Um filme que merece ser descoberto.

Nota 8

A Misteriosa Morte de Pérola, 2014. Direção: Guto Parente e Ticiana Augusto. Com: Ticiana Augusto e Guto Parente. 62 Min. Terror.

*Filme visto na 14ª Edição do Festival NOIA – Festival Brasileiro de Cinema Universitário

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Estreias da Semana: 13/11/2014

Debi & Lóide 2

Mais nova aventura dos inseparáveis Lloyd Christmas (Jim Carrey) e Harry Dunne (Jeff Daniels). Desta vez, Harry descobre que teve uma filha ilegítima, que hoje precisa dele para um transplante de rim. Ele leva o amigo Lloyd para conhecer a garota, e os dois percebem que não têm a responsabilidade necessária para serem pais.

Dumb and Dumber To, 2014. Direção: Bobby Farrelly e Peter Farrelly. Com: Jim Carrey, Jeff Daniels, Angela Kerecz e Kathleen Turner. 110 minutos. Comédia.

Irmã Dulce

Irmã Dulce conta a emocionante história da mulher que, indicada ao Nobel, chamada em vida de “Anjo Bom da Bahia” e beatificada pela Igreja, nunca se importou com títulos. A história de uma mulher cujo único objetivo era confortar os necessitados, cuidar dos doentes, amparar os miseráveis – a qualquer custo, com a ajuda de quem fosse.

Irmã Dulce, 2014. Direção: Vicente Amorim. Com: Bianca Comparato, Regina Braga, Gracindo Junior, Malu Valle. 94 minutos. Drama.

Sistemas de Notas

Hoje à noite, a crítica de Noé vai ao ar. E essa nova crítica trás uma modificação ao sistema de notas.

Antes o sistema de notas era 1 Claquete para cada ponto. Ou seja 10 Claquetes para um filme nota 10. Exemplo:

Nota 10

A partir de hoje, cada Claquete valerá 2 pontos. Ou seja, um filme nota 10, ganhará 5 Claquetes. Exemplo:

Nota 5

 

Atenciosamente,
Evilmar Almeida,
Editor-Chefe